Descobrindo a Arte Espírita: O potencial da comunicação das idéias espíritas através da arte
2013-11-20 14:55:51

Por Marcolo Henrique Pereira

1. Introdução.

“O espiritismo vem abrir para a arte novas perspectivas, horizontes sem limites. A comunicação que ele estabelece entre os mundos visível e invisível, as informações fornecidas sobre as condições da vida no Além, a revelação que ele nos traz das leis superiores de harmonia e de beleza que regem o universo, vêm oferecer a nossos pensadores, a nossos artistas, inesgotáveis temas de inspiração.”
León Denis

O potencial criativo dos espíritos extravasa as fronteiras da vida física e traça um paralelo entre a vida material e a vida espiritual. No processo evolutivo do ser, catalogando conceitos e compilando experiências, faz desabrochar dentro de si os talentos espirituais, herança divina que se manifesta nas virtudes e nos valores.

Desde o instante em que o homem compreendeu sua existência individual, percebeu a necessidade da interação com o semelhante, desenvolvendo a ciência da comunicação. Desde então, luta por aperfeiçoar os canais de comunicação, concebendo, vivenciando e aprendendo novas tecnologias e metodologias, com o escopo de fazer-se conhecer, disseminar suas idéias e interagir com o outro, sendo que neste último processo, conscientiza-se cada vez mais de que, quanto mais convive, mais aprende com o semelhante, num relacionamento que tem por fundamento a alteridade .

No cenário espírita, a comunicação assume um papel preponderante, não só em relação à disseminação da filosofia espiritista, quanto – e principalmente – pela possibilidade do crescimento conjunto, onde idéias, palavras e atitudes são compartilhadas, agregando-se ao conjunto que se convenciona chamar de bagagem espiritual. Os veículos de comunicação e as próprias instituições espíritas utilizam-se, assim, das informações de natureza espiritual para responder aos anseios, dúvidas e necessidades humano-espirituais.

Para a divulgação da filosofia espírita, assim, existem os chamados canais tradicionais, como a palestra, a conferência, os programas de rádio e televisão, os periódicos, as colunas em jornais leigos, e a Internet, para citarmos os principais. Hodiernamente, entretanto, tem-se buscado outras formas de difusão do espiritismo, sobretudo aqueles que têm como formato as expressões artísticas. A música, os esquetes e peças teatrais, as películas cinematográficas, a literatura de cordel, os fantoches, as telas e algumas formas de artesanato podem ser excelentes exemplos. Concebe-se, assim, o chamado caráter comunicativo e divulgacional da arte espírita, numa clara e específica simbiose entre Comunicação e Arte Espíritas.

Neste sentido, compreender-se-ia a Arte Espírita como sendo a utilização dos recursos artísticos para a veiculação de idéias e informações espíritas e espirituais (estas últimas em absoluta consonância com a filosofia espiritista). Por isso, toda e qualquer apresentação ou exposição de arte espírita, assim como o produto final (material) disponibilizado em algumas das modalidades de expressão artística (como um cd, um cd-rom, um livro, uma tela, uma estatueta, um filme em dvd ou vhs) seriam facilmente considerados como instrumentos de divulgação/comunicação espírita através da arte.

A maior ou menor possibilidade de interação e participação das pessoas no processo comunicativo é, talvez, a grande diferença. Quanto mais passivo o envolvimento das pessoas com o processo artístico, ficaríamos restritos, apenas, ao status de divulgação. Em paralelo, franqueando-se os canais para a efetiva simbiose entre o evento artístico e a platéia, como através de debates, poder-se-á falar em comunicação artística espírita.

Idéias novas, sem dúvida, embora utilizando os recursos de há muito conhecidos.
Neste ensaio, portanto, iremos trabalhar os conceitos de arte e de arte espírita, os meios de utilização da arte pelos espíritas e, finalmente, visualizar as dificuldades do hoje e o desafio de melhor empregar a arte espírita na comunicação das idéias espíritas, resultando, como corolário, a promoção da felicidade humana, pelo prazer da beleza e da harmonia, e pelo esclarecimento espiritual da Humanidade.

2. Conceituando a Arte Espírita.

Arte é um conceito relacionado à habilidade humana, possuindo uma estreita ligação com o conceito (humano ou espiritual) de beleza. Há, é claro, para sua melhor caracterização, que nos debruçarmos sobre a História da Humanidade, para descortinarmos as antigas, íntimas e profundas da prática artística com “utilidade” e “conhecimento”. Arte, portanto, significa habilidade, perícia, capacidade de fazer. Daí o conceito de artesão ou artista, para quem com ela trabalha – resultado utilitário e/ou estético.

A arte, em essência, está bem próxima de todos nós. Contemplamo-la, em verdade, num belo entardecer, na visão do mar e das montanhas, num rio de águas cristalinas, no cantar dos pássaros e no ruído ritmado dos insetos e animais silvestres, cada vez mais longínquos de nosso cotidiano, em razão do progresso desenfreado.

A vida material, em muitas circunstâncias, parece obedecer a toada do Maestro Divino, que compôs um Universo perfeito e harmonioso, onde tudo se encaixa tal qual numa partitura de acordes e melodias.

Quem de nós não se emociona ao ouvir uma tocata de Mozart, Bach ou Haendel. Alguns anos atrás, participando de algumas associações corais, não-espíritas, de Florianópolis, tivemos a oportunidade de apresentar duas obras magníficas: Réquiem, de Mozart e O Messias, de Haendel. Acordes sublimes, melodias da alma imortal, sons de elevada espiritualidade associados aos versículos da Bíblia, ambos relacionados à passagem de Jesus por sobre a Terra. Em paralelo, recordamo-nos do filme Amadeus, de Mylos Forman, uma biografia (não autorizada) do compositor Wofgang Amadeus Mozart. Em diversas cenas, havia clara referência da participação de entidades desencarnadas associadas ao gênio musical vivo. Durante sua enfermidade, inclusive, ele permaneceu compondo, sem parar, dando a impressão de que vivia muito mais no plano extrafísico do que na carne...

Como a palavra de ordem, então, é a integração entre o plano da matéria e o espiritual, percebe-se, com clareza, a interdependência e a influência recíproca dos seres que habitam os vários mundos espirituais. Eis, aí, um efetivo destaque para a existência de uma arte espírita, calcada na comunicabilidade entre os espíritos e na evolução, dois dos pressupostos básicos da chamada filosofia espírita.

A expressão “arte espírita”, contudo, ao longo do tempo, já suscitou variados e constantes debates. De nossa parte, preferimos não polemizar e consideramo-la como sendo a comunicação das idéias espíritas através dos recursos artísticos, encampando, assim, toda e qualquer manifestação criativa do espírito humano. Assim sendo, a par da conceituação dos compêndios especializados sobre “o que é ou não é” arte, preferimos ampliar ao máximo nossa compreensão sobre o vocábulo, para, assim, englobar, inclusive, as construções literárias de nosso tempo. Hoje em dia, com os recursos técnicos da informática, entramos ainda numa nova fase da arte, qual seja a da “arte cibernética”, sem nos importarmos se o produto (resultado) será ou não “consumível”, “financeiramente avaliado”, ou, em última questão, “impresso e exposto”.

A partir desta premissa, procuremos situar o tipo de arte que recebe a adjetivação espírita. Lembramos, inicialmente, que as manifestações do Codificador e dos Espíritos Superiores – mormente no que concerne à definição da “música celeste” e da “arte espírita”, que, em suma, destacam que, assim como a arte pagã foi sucedida pela cristã, esta o será, um dia, pela arte espírita, pois, segundo o espírito Alfred de Musset (Revista Espírita, Dezembro de 1860 – A arte pagã, a arte cristã, a arte espírita): “[...] o Espiritismo abre à arte um campo novo, imenso, e ainda inexplorado, e quando o artista trabalhar com convicção, como trabalharam os artistas cristãos, haurirá nessa fonte as mais sublimes inspirações.”

A comparação com a arte cristã é, pois, necessária e inevitável. Ocupando-nos, tão-somente, da observação das obras renascentistas, vamos ter excelentes exemplos para nossa digressão em relação à arte espírita. Onde se encontram, via de regra, as principais obras que transmitem religiosidade e fé, sob a efígie cristã? Nas igrejas, mosteiros e museus, de todo o mundo. Aqui mesmo, no Brasil, se precisarmos analisar a temática cristã na arte, teremos que, necessariamente, adentrar às principais igrejas das metrópoles, maravilhando-nos com a perfeição das formas, a riqueza dos detalhes e a consistência das cores.

Mas, a que tipo de arte espírita estamos nos referindo? Isto, é claro, dentro da definição pontual de que “arte espírita é aquela que transmite idéias, preceitos, fundamentos, informações da filosofia espírita, através das suas mais diversas formas de expressão (artística), para expectadores, leitores, ou, até, consumidores”. Dizemos isto, porque há uma diferenciação específica no tocante ao “uso” da arte: há arte espírita feita dentro das instituições espíritas (e para elas), como mormente se costuma considerar o trabalho (notável e oportuno) das secções de educação espírita (das variadas faixas etárias), que utilizam-se dos recursos artísticos para aprender/ensinar os postulados espíritas. É (ou não) arte espírita? Sem dúvida, porque os pressupostos básicos acham-se atendidos (utilização de recursos artísticos e transmissão de idéias espíritas).

3. A Utilização da Arte, pelos Espíritas.

Há, no Brasil, diversas companhias ou grupos de teatro espíritas. Vez por outra, eles visitam a sua cidade, geralmente apresentando esquetes ou peças – as mais das vezes, adaptações de livros consagrados, como os romances de Emmanuel, por exemplo. Apresentam-se, assim, nos melhores teatros das cidades, cobram ingresso e atraem multidões (entre espíritas, simpatizantes e curiosos). Fazem arte espírita? Sem dúvida, porque novamente aqui, atendem aos requisitos estabelecidos como fundamentais: utilização dos recursos artísticos e apresentação de conteúdo com temática espírita.

Vejamos outro exemplo: a instituição espírita gostaria de comemorar seu aniversário de fundação ou o do mentor espiritual ou de um antigo trabalhador. Configura e institui um concurso literário ou um de música-tema, tendo como enfoque uma ou outra homenagem. Define-se, pois, os critérios, organiza-se o trabalho do concurso, convidam-se os críticos e julgadores, recebem-se os trabalhos, efetua-se o julgamento e realiza-se, enfim, a cerimônia de premiação dos vencedores e apresentação (ao público) dos trabalhos. É arte espírita? Evidente. Novamente são notórias as premissas daquela. Haveria outros exemplos, igualmente ricos. Fiquemos por aqui.

No primeiro caso, quase sempre, a tônica é a do amadorismo. São estudiosos, interessados, alguns até expoentes da arte, em uma ou outra “modalidade”, filiados a este ou aquele grupo, ou, até mesmo, profissionais que militam no campo artístico, mas que emprestam voluntariamente suas horas livres a serviço da difusão da doutrina espírita, participando, numa instituição, nas áreas que são-lhe mais atrativas e propícias, como o caso da educação. Nos dois outros, há uma maior ou menor profissionalização, na medida em que, no exemplo da peça teatral, o grupo ou companhia “vive disso”, arregimenta pessoas capazes que se credenciam através de cursos, universidades, trabalhos e outros, passando a buscar o sustento pessoal e de sua família, através da profissão artista. No outro, o do concurso (literário ou musical), geralmente são previstos prêmios (muitos, em dinheiro), ou, indiretamente, se garante a publicação editorial ou a gravação (em estúdio) e a conseqüente comercialização do(s) trabalho(s) musicais. Este atrativo, inclusive, motiva artistas profissionais (nem todos espíritas ou simpatizantes da doutrina) para criarem seus trabalhos dentro da temática pedida, e, quase sempre, com excelentes resultados.

O leitor já deve ter percebido o real divisor de águas que existe na digressão acima. Em determinadas situações, temos a arte “amadora” e, nas demais, a “profissional”. Pelo visto, vamos aplicar aqui o adágio “daí a César o que é de César” para admitir que a “profissionalização” da arte espírita obedece aos parâmetros de sua configuração, em termos de objetivos e alcance. Qual o resultado que queremos? A que público, pretendemos cativar? Com que “espécies” de propostas artísticas, desejamos “competir” no mundo social? Qual o produto que pretendemos colocar no mercado?

Pensamos, efetivamente, que uma configuração de arte não precisa, necessariamente, anular a outra. Há espaço, lugar, e até “mercado” para ambas. Há, inclusive, um comercial televisivo que vende “assinatura de jornal” e oferece como “brinde” um compêndio e um cd sobre a música popular brasileira. Nele, o “fundo” musical aponta para “aqueles que têm fino gosto e apurada percepção musical” (os que gostam da “boa” música), e os que ainda se comprazem com “ruídos”, calcados em composições primárias, com melodia, letra e gosto altamente discutíveis. Há mercado para todos, ou, como se costuma dizer nas plenárias espíritas, a atração e o interesse por isto ou aquilo é direcionado pelo padrão evolutivo-espiritual de cada ser. Devemos, então, continuar presenciando apresentações e construções artísticas ainda majoritariamente amadoras na execução, embora possamos estar diante de virtuoses ou grandes valores expoentes das artes. O diferencial, em nosso parecer, está na “estrutura” da apresentação/veiculação e no público que se almeja alcançar .

Fazendo um paralelo com outra área em que militamos – a educação espírita infanto-juvenil – costumamos apresentar o mesmo quadro comparativo: há as instituições que “aceitam” o trabalho, mas nele não investem “um centavo”, nem dão o apoio logístico e moral necessário para a melhoria da atividade; e há as que procuram “colocar cada macaco no seu galho”, credenciando para a tarefa os “especialistas”, que não precisam ser (ou nem sempre estão disponíveis) os pedagogos e professores das escolas e universidades públicas e privadas, mas são aqueles que demonstram um maior “feeling” para a proposta, os quais, quase sempre, mesmo não graduados, participam de cursos de formação/especialização/reciclagem, espíritas e leigos, para um melhor desempenho de seus misteres.

Como, então, caracterizar a arte que fazemos, dentro e fora das Instituições Espíritas, para que a mesma possa receber a alcunha de “espírita”, e, mais do que isso, alcançar seu desiderato, qual seja o de emocionar, encantar, produzir e reproduzir valores, adornando e qualificando nossa vida (material e espiritual)?

4. As Dificuldades e o Desafio de Empregar a Arte Espírita.

Vimos, antes, que, no trabalho com a arte espírita, o decisivo limite que se estabelece é o da distinção presença entre “profissionais” e “amadores”. Isto porque o resultado será proporcional ao conjunto de caracteres que dispensarmos em seu projeto e execução. Em suma, se queremos uma arte de qualidade, necessariamente teremos que destinar aos executores um quantum de recursos e condições que possam desembocar em resultados positivos.

Entendemos, em realidade, que chegou a hora de se deixar de lado o único intuito de fazer proselitismo religioso, assim como a divulgação do espiritismo apenas dentro das nossas paredes e muros, para apresentar à Sociedade a proposta espírita de visão do mundo, das relações interpessoais e das ilações entre o plano dos vivos e o dos mortos . Há, assim, – mesmo mobilizando recursos financeiros e “premiando” financeiramente os profissionais da arte (ou da educação) com salários compatíveis aos de mercado, para propostas mais amplas, – que considerar que o “daí de graça o que de graça recebestes”, não inviabiliza a permissão de que aqueles que vivem da profissão arte ou da profissão educação (pois há várias escolas “espíritas”, particulares, regiamente pagas, em diversos Estados do Brasil), possam ser aquinhoados de acordo com o “suor de seus rostos”. Honestamente.

Em paralelo, nos diversos fóruns espíritas, ou, até mesmo pela imprensa, temos manifestado nossa preocupação com a pureza doutrinária, a qualidade dos trabalhos artísticos e a ocupação de espaços exteriores aos núcleos e eventos espíritas para a apresentação de manifestações da arte (feita pelos espíritas e/ou envolvendo conceitos e informações espíritas).

O primeiro item, cremos, é o mais delicado, porque requer estudo e cuidado constante, para que idéias alienígenas não sejam enxertadas junto às manifestações artísticas, uma vez que, face à diversidade de tendências, formações culturais e inteligências, muitos podem pensar que esta ou aquela idéia ou expressão guarda consonância (ou não é colidente) com o arcabouço espírita. Não é bem assim! Para se configurar como meio de expressão artística da filosofia (e ciência) espíritas, tanto o método quanto a essência devem ser compatíveis totalmente com os preceitos espiritistas. Senão, será tudo, menos Arte Espírita!

Isto também não significa que iremos utilizar o canal da arte para explicitar “toda” a teoria espírita, em detalhes, com discussões a nível de filosofia ou ciência, nem, tampouco, dar lição de moral no público, caindo no erro de fazer pregação evangélica (o grave erro de fazer proselitismo religioso ou divulgação da doutrina como "a melhor religião, a necessária crença, o futuro das religiões", ou coisa que o valha)! Há que se aproveitar ambientes e situações para disseminar o conhecimento espírita através de bons espetáculos, atraindo o povo que começa a despertar para as verdades espirituais.

O segundo aspecto, a qualidade das apresentações ou dos resultados (gráficos, sonoros ou produções teatrais) deve, necessariamente, romper seu pacto com a chamada “boa-vontade de fazer”, tão-somente. Os recursos técnicos e profissionais são componentes imprescindíveis para conferir qualidade à apresentação. Evidentemente que os custos serão elevados - não somos românticos de imaginar que os patrocínios estão à espera de nossas iniciativas, ou, ao alcance de nossas mãos. Para isso, o investimento sério na profissionalização da arte é imperioso e desembocará no necessário tratamento das apresentações artísticas espíritas, em teatros, cinemas, centos de convenção ou outros locais do gênero, com a cobrança de ingressos em valores semelhantes aos da arte em geral.

Não há como fugir disso! Já se percebe o imenso interesse da população leiga nas informações, histórias e conceitos da Vida do (no) Além. É o momento, então, de aproveitar o entusiasmo das pessoas para, aos poucos e com critério, começar a difundir os conceitos espíritas, através do fornecimento das respostas às inquietantes questões da individualidade e da existência humana. Respeitar os princípios espíritas, certamente. Mas, não empurrá-los goela abaixo... Atrair as pessoas, aos poucos, para o conhecimento da nova verdade, mostrando, figurativamente, onde está a fonte de águas cristalinas ao viajante sedento.

Por fim, a ocupação de locais públicos, não-espíritas é fator preponderante para o esclarecimento do público leigo sobre o que é a filosofia espírita. Apresentar, através de qualquer modalidade artística, bons espetáculos, atraentes, de qualidade, que "toquem a alma", para, ao final da apresentação, destacar "quem" são os responsáveis por ele: espetáculo produzido, realizado, composto, idealizado pelo Grupo (Núcleo ou Instituição) Espírita tal ou qual.

Esta a oportuna divulgação do pensamento espiritista, o contributo para a espiritualização das criaturas, de vez que o movimento espírita precisa modificar o alcance de sua visão: deixar de (exclusivamente) ensinar espiritismo para os espíritas (ou seja, aqueles que já freqüentam as instituições) e levar a mensagem, de modo atraente, cativante e educativo, aos corações e mentes que ainda não o conhecem (ou dele têm informações incompletas, distorcidas ou equivocadas).
A (verdadeira) arte espírita é, assim, para o momento presente, deixando os limites das casas espíritas para ocupar espaços existentes na sociedade, onde a expressão e interpretação artística possam conduzir os homens ao auto-descobrimento, à fraternidade e à felicidade.

Desprezar os recursos da arte, que seduz, encanta, aproxima, enternece, cativa e liberta, é perder precioso tempo e espaço para divulgar a beleza e a utilidade do ensinamento espírita.

Esta é a nova (?) proposta da arte espírita para o nosso tempo. E, mais uma vez, se não nos “instruirmos” para tal, e nos “amarmos” conforme a dicção espírita, poderemos, uma vez mais, enquanto homens, estarmos passando à frente o archote do conhecimento espiritual, para que outra concepção filosófica ou revelação divina, possa conduzir a contento a Humanidade. Porque nós, uma vez mais, deixamos de lado “o trabalho que seria nosso”.
Viva a arte espírita!

5. Considerações Finais.

“Se identificas em tuas possibilidades a Presença do Senhor a se fazer através de diversificada expressão artística, eleva-te, aprimora-te, ilumina-te, conquista-te e deixa-te a ti mesmo penetrar pelas vibrações dos seres Angélicos,
que honram a Deus, espargindo amor e saúde pelo Universo, a fim de que,
ao longo dos tempos, participes dos seus misteres.
Fazer Arte, em verdade, é louvar a Deus alcandorando os seres da Humanidade.”
Camilo, por José Raul Teixeira.

A arte "espírita" pode identificar duas vertentes: a primeira, relativa à arte "dos espíritas", isto é, aquela que é desenvolvida por pessoas que freqüentam instituições ou grupos espíritas, ou, mesmo não freqüentando ostensivamente, declaram-se seguidoras ou simpatizantes das idéias da Doutrina Espírita. A segunda engloba a participação do plano invisível em nosso orbe, através da mediunidade - que não é patrimônio dos espíritas - mas consiste na espiritualização da arte, de modo que a expressão artística (em qualquer de suas modalidades) possa ser um veículo de elevação do ser, de descoberta de seus potenciais criativos, de satisfação e prazer, a si mesmo e aos que o rodeiam. Por isso se diz que inúmeros Espíritos (desencarnados) associam-se aos homens para intuir-lhes idéias, dar-lhes informações, elevar-lhes o caráter e o sentimento, utilizando-se de dons destes últimos para a transmissão da verdadeira arte.

Evidentemente, face o padrão vibratório que possuímos, ainda não podemos nem imaginar o teor da arte espiritual. Todavia, em diversos ramos artísticos, apesar da limitação de nós, Espíritos que ainda vivemos na condição errante (em prova e em expiação), já vislumbramos melodias, tons, cores e poemas de extrema beleza e sensibilidade, certamente um esboço do que seja a real expressão artística superior.

A arte como expressão criativa espiritual serve, assim, para os anelos de elevação do ser, captando as reais e mais puras vibrações psíquicas, que são expressões do pensamento de Espíritos elevados, condição a que todos estamos sujeitos em face da marcha do progresso.
Em essência, o resultado positivo das produções artísticas espíritas será a resultante da equação formada pelo interesse em comunicar a filosofia espírita, o aprumo tecnológico na utilização dos recursos disponíveis, e a coerência com os princípios espiritistas.

E, sem nenhuma intenção de fazer prosélitos, qual seria a influência do pensamento espírita sobre as artes? Entendemos, nós, que poderá ter uma influência avassaladora. Não somente na Arte, mas em todas as áreas do conhecimento humano. Para se ter uma breve idéia, as Academias estão novamente sendo tomadas de assalto pela temática espírita, ou espiritual. Há teses e dissertações interessantíssimas. Basta consultar os bancos de dados das Universidades para ver que estão sendo desenvolvidas pesquisas sérias. No campo da Arte, visualizamos que, apesar da imensa diversidade evolutiva – em termos de gostos e pendências – o ser vai, aos poucos, fazendo o necessário trabalho de garimpagem, substituindo manifestações mais rudes e com apelo carnal (sensualidade, erotismo, linguagem chula) por músicas, peças, concertos, livros, quadros, e outras formas de arte mais espiritualizada. Cada um a seu tempo. A mensagem espírita como pano de fundo, mas não como linguagem obrigatória cumpre seu papel, qual seja o de despertar o ser para novas vivências, mais espiritualizadas.

Que possamos, secundados pelos Amigos Espirituais, fazer a parte que nos cabe, realizando atividades artísticas que, na comunicação das idéias espíritas através da arte, efetivamente realizem a promoção da felicidade humana, pelo prazer da beleza e da harmonia, e pelo esclarecimento espiritual da Humanidade.

6. Referências Bibliográficas:

DENIS, León. O espiritismo na arte. São Paulo: Lachâtre, 2001. 112 p.
MAIA, Merlânio. Para uma arte espírita. Harmonia. Revista Espírita. N. 112. Fevereiro 2004. São José: Harmonia, 2004, p. 7.
PEREIRA, Marcelo Henrique. As peculiaridades de uma arte espírita. Harmonia. Revista Espírita. N. 113. Março 2004. São José: Harmonia, 2004, p. 10-12.
PEREIRA, Marcelo Henrique. A (verdadeira) arte espírita. Harmonia. Revista Espírita. N. 81. Novembro 2004. São José: Harmonia, 2004, p. 10-11.
 

 

 





 Publicado em: 2013-11-20 por admin, última modificação em: 2013-11-20 por admin