A história não se repete, apenas assemelha-se

A influência construtiva nos convida a firmeza interior, atenção aos cuidados físicos, mentais, emocionais e espirituais.

Por Cristina Sarraf

1. A morte de Jesus assustou seus discípulos; mas com suas aparições, materializado, refez e fortaleceu a postura deles, de modo que cada um seguiu seu caminho de divulgação dos ensinos, que futuramente passaram a se chamar evangelho, ou seja boa nova. Assim como eles, todos os seguidores de Jesus foram perseguidos pelos judeus, depois pelos romanos.

E as gerações se sucederam, até que por volta dos anos 300, o império romano que se dividia em ocidental ao oriental, foi unificado por Constantino, após vencer Licínio, o imperador do ocidente. Observando o elevado número dos já denominados cristãos, mas vendo que se dividiam em seitas, Constantino decide, numa vitoriosa estratégia política, unificá-los, para fortalecer o império também do ponto de vista religioso. Para tanto, dá poder temporal aos bispos e oficializa o cristianismo como religião do império romano, denominando-a igreja católica apostólica romana.

Fez isso no concílio de Nicéia (hoje Iznik, na Turquia) no ano 325, congregando todos os bispos cristãos, ao privilegiar e unir-se aos defensores e pregadores da ideia de que Jesus e Deus eram a mesma pessoa (consubstanciação), e estabelecer que essa era a única verdade. Quem defendesse outra ideia, classificada então como herética, seria (e muitos foram!) preso e morto.

 

A outra ideia que competia até então, entre os cristãos, defendida por Ário, dizia que Jesus era um ser humano como todos, criado por Deus, mas a encarnação de um Espírito elevado, um Cristo.

Apesar das perseguições após o concílio, essa ideia foi mantida de forma secreta, tanto que os Ostrogodos e Visigodos, muito tempo depois, chegaram ao ocidente como cristãos arianos (seguidores de Ário).

Portanto, a crença na trindade de pessoas Divinas não teve origem na Bíblia, mas no Concílio ou Sínodo de Nicéia, o primeiro concílio ecumênico da história. E assim está oficializado o desvio do entendimento sobre Jesus e sua vida terrestre.

2. Significativa é a palavra dos Espíritos, quando Kardec preparava a primeira edição do livro que acabou sendo denominado O Evangelho segundo o Espiritismo: “O Espiritismo é a única tradição verdadeiramente cristã.”

3. O Espiritismo também teve rumos desviados em adulteração de textos de Kardec e também pelas interpretações dos espíritas, o que é um tanto menos grave, porque cada um o entende conforme seu cabedal de conhecimentos e sua estrutura mental, mais ou menos flexível. Mas como se entende que há o tempo certo para cada coisas ser resolvida, esses desvios começaram ostensivamente a serem resgatados com a recuperação do texto original de A Gênese, aqui no Brasil, em 2018, graças a FEAL.

4. Chega então a hora de nos posicionarmos com coragem e determinação, não voltando ao igrejismo, ao religiosismo, ao misticismo, pelos quais o Espiritismo foi sendo dissociado de sua verdadeira razão de ser: libertar-nos, exatamente dessas fraquezas, dependências e ignorância do funcionamento das leis da vida. E opostamente a esses desvios, ele nos desperta para o próprio arbítrio e nos devolve a dignidade de “filhos” de Deus, dotados intimamente das leis universais que são os seus Princípios, os quais estão desenvolvidos em cada um conforme seu grau evolutivo; mas todos têm amplo e livre acesso a ter uma postura mental autônoma.

 

Assim também ocorreu com os primeiros cristãos, após o concílio de Nicéia, que não abdicaram de sua fé e tiveram que viver em exílio ou pagarem com a própria vida.

Hoje não nos tiram a vida física, mas “atacam”, desacatam, denigrem e buscam provar que Kardec fez as intervenções que se constituiriam na adulteração de A Gênese e outros absurdos.

Se voltarmos atrás em nossa conduta, pela presente situação que inspira insegurança, buscando apoio em petitórios, religiosismo e apelações místicas, estaremos fracassando diante de nós mesmo e negando tudo que temos aprendido. Essa é uma hora de testemunhar quem somos, como pensamos, como agimos e como queremos estar no futuro próximo e remoto.

Recebemos dois tipos gerais de influência: a desviadora que nos quer medrosos, esperando de Deus a salvação física e espiritual. A construtiva, que nos convida a firmeza interior, atenção aos cuidados físicos, mentais, emocionais e espirituais; bem como estudiosos, analíticos, produtivos e mantendo os compromissos espíritas da melhor e mais eficiente forma possível. Qual delas estamos acatando?

Juntemos agora os itens 1, 2, 3 e 4 e permaneçamos ligados aos ensinamentos vindos do trabalho árduo e vital de Kardec! Mas não apenas conversando sobre eles, e sim como fiéis discípulos do mestre, aplicando os Princípios do Espiritismo na vida de cada dia.


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+ Cristina Sarraf