A importância da formação do trabalhador espírita

Por Jacobson Sant’Ana Trovão |

Nenhuma tarefa ou atividade se desenvolve a contento sem o preparo seguro do tarefeiro.

Jesus selecionou um grupo que difundiria a Boa Nova, atento a prepará-lo psíquica, emocional, moral e doutrinariamente para os desafios que surgiriam naturalmente. Allan Kardec também foi preparado antes de reencarnar para o desempenho de sua missão, conforme lhe é revelado em Obras Póstumas, ainda nesse livro o Codificador sugere um curso para formação de médiuns, visando a expansão do melhor entendimento da realidade espiritual e do socorro às vítimas do desespero pela desencarnação sem o conhecimento da existência pós-morte. Quanto ao preparo do trabalhador es‐ pírita para o desempenho de suas largas responsabilidades, afirma Emmanuel:

Encarregar-se dos interesses espirituais dos outros, conduzi-los, harmonizá-los, elevá-los ou socorrê-los será menos importante que tra‐ çar uma planta para o levantamento de uma ponte ou para construção de uma casa? (1)

 

Efetivamente, atuar junto aos Espíritos Superiores na divulgação do Espiritismo é encarregar-se dos interesses espirituais de outrem, às vezes de uma coletividade inteira, e isso não se faz de improviso. Conduzir, harmonizar, elevar e socorrer aquele que busca a mensagem de Jesus pela lente da Doutrina Espírita é tarefa que requer acentuado cuidado. Como realizar tal mister sem conhecer os ensinamentos evangélicos e os princípios Espíritas? Ler algumas obras, em superfície, não habilita o profissional à cátedra que intenta. Em Espiritismo ocorre o mesmo, com o agravante de que o trabalhador está diante de uma ciência nova, de consequências filosóficas e morais de alcance único no atual estágio evolutivo da Terra. Nesse sentido, alertam benfeitores espirituais por intermédio da mediunidade de Osvaldo Melo:

 

Aqueles que, entretanto, pregam com conheci‐ mento de causa fazem-no ponderada e refletidamente e nunca se abalançam a tratar em público de um assunto que ainda não puderam assimilar.  Atentos ao espírito, estudam, interpretam, assimilam e, então, pregam. (2)

Allan Kardec trouxe ao plano material o código da Vida Maior. O tarefeiro espírita tem a necessidade de conhecer esse código, para não transmitir conceitos pessoais, decorrentes de uma interpretação equivocada, superficial ou centrada no personalismo, em detrimento do Espiritismo. Se o fizer, poderá induzir conflitos, frustrações e decepções que desviarão o adepto do real sentido da vida espiritual. Estudar, interpretar, assimilar o conhecimento é o roteiro seguro para que o trabalhador Espírita possa ensinar ponderada e refletidamente a Doutrina Nova.

Dessa forma, estudar em particular e em grupo, participar dos encontros ou cursos que visem a própria formação, jornadear em equipe é instrumentalizar-se para bem servir. Acrescentando a oração, a meditação, o vigor moral que são outras tantas formas de preparo interior e de sintonia com a Alta Espiritualidade. A Casa Espírita, o Movimento Espírita, necessitam de trabalhadores unidos no amor comum e unificados pelo conhecimento Espírita. O servidor ou grupo que se isola, acreditando bastar-se, fugindo do intercâmbio de experiências, poderá algo realizar, no entanto, sempre estará à baila com os perigos da fascinação, que o apego aos pontos de vistas propiciam.

 

Todo trabalhador necessita especializar-se na  tarefa que abraçou, perseverar e disciplinar-se nas ações a que se propõe. Recordemos que a boa vontade é instância inicial, a partir daí compete ao lidador do bem buscar continuamente seu aprimora‐mento. Podemos dizer que o aprendizado constitui-se num processo que se desdobra no tempo, sem ter um final. É o que em academia nomina-se formação continuada, ou seja a busca permanente do saber, do modo de se transmitir o conhecimento e da capacidade de aliar, no dia a dia, o que se aprende, ensina e vive. O educador comum, no âmbito profissional, é concitado a aperfeiçoar sua capacidade  de educar, em Espiritismo ocorre o mesmo. Ou seja, o trabalhador Espírita deve aperfeiçoar-se em estudos permanentes, além cursos de curta duração e dos seminários esporádicos, estruturados por meio de programas e projetos que o capacitem no conhecimento espírita e para viver tais conhecimentos. Acreditar que está suficientemente pronto, que já sabe tudo e que a experiência lhe é suficiente, é ilusão que lhe cega. A prática é fonte de conheci‐mento, empírico, mas que se não for sustentado na teoria, pode-se conduzir a falsas conclusões, decorrente da influência da personalidade, inafastável quando se busca ensinar com base exclusivamente em experiência pessoal. Por isso Jesus proclamou que conhecer a verdade é liberta-se. Estudar e servir devem se constituir na alegria do trabalhador Espírita

1.XAVIER, Francisco Cândido. Mediunidade e Sintonia. Pelo Espírito Emmanuel. 4ª ed., São Paulo: Cultura Espíri‐ ta União, 1986. Cap. 14, pág. 71.
2.MELO, Osvaldo. Epístolas aos espíritas. Florianópo‐lis: Federação Espírita Catarinense, 2013, Epístola nona, pág. 36.

Publicado originalmente em O Federativo da FEC


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