Alucinações: na psicopatologia e na mediunidade

Vez por outra, estou acudindo alguém em desespero que vem me contar que está “vendo Espíritos”.

Nubor Orlando Facure

Qualquer um de nós que sair por aí dizendo que está “vendo vultos” vai ouvir seus amigos dizerem que está ficando louco e, se consultar um médico, vai conhecer o que eles chamam de alucinações.
São esses os dois diagnósticos que os pobres médiuns recebem quando desconhecem a Doutrina Espírita.

Vez por outra, estou acudindo alguém em desespero que vem me contar que está “vendo Espíritos”. Com frequência, estão desesperados para encontrar alguém que acredite com sinceridade nas visões que eles relatam ter.

Fenômenos mediúnicos:

Numa certa ocasião, atendi uma jovem que, nas vésperas do seu vestibular, começou a ser perturbada por visões de rapazes que a perturbavam na escola ou no clube e que chegaram até a lhe provocarem uma certa hostilidade na hora das suas provas para a faculdade. Mesmo assim, ela conseguiu passar nos exames da Faculdade. Algumas semanas depois, embora já estivesse mais tranquila, sem as expectativas e tensões do vestibular, as “visões” voltaram e aumentaram muito sua frequência e duração. Os mesmos rapazes lhes apareciam de súbito. Certa vez, ela percebeu que dois deles entraram no banheiro quando ela se dirigia para o banho.  O susto foi tão grande que a fez gritar, pedindo socorro para sua mãe.  Foi quando ela veio com a moça ouvir minha opinião sobre o quadro.
Pedi paciência garantindo que tudo ia passar sem maior prejuízo para a filha.

Uma outra menina, de 13 anos, foi a mãe também foi quem trouxe-me para consulta.  Estava tremendamente atormentada pela presença de vários Espíritos que ela passara a enxergar. As visões ocorriam dia e noite, num número grande e variado de entidades.  Havia crianças que conversavam amigavelmente com ela e outras que choravam procurando pela mãe, pedindo colo e querendo brincar.

Ela via, também, um jovem com sinais de ferimentos no corpo, sugerindo ter sido vítimas de acidente que pediu que ela desse um recado para mãe.  Apareciam certas “figuras” amedrontadoras que a ameaçavam agressivamente.  Essa menina nos dizia que, quando menos esperava, estava percebendo a respiração e o batimento do coração das “pessoas” que se aproximavam muito dela. Ela prendia a sua respiração para confirmar que havia “alguém” por perto.  À noite, a situação piorava, porque ela, em sonho, passava a viver junto dos Espíritos que via durante o dia. Sendo que alguns a atormentavam agressivamente.

 

O tormento de ver tantas “entidades” passou a perturbar sua atenção na escola, onde ela era excelente aluna.  A capacidade de relacionar-se com as amigas tornou-se impossível. Quando sua mãe insistia com ela para estudar, chegavam a se atritarem e ela achava que os gestos e a voz da mãe, quando discutiam, eram modificados pelos Espíritos que pareciam ocupar o corpo da mãe.

Essa menina já havia recebido o diagnóstico de esquizofrenia pelo psiquiatra que a consultou prescrevendo remédios que a doparam gravemente.  Tinha passado por duas internações onde tomara doses altas de medicamentos.  Seu raciocínio era absolutamente lúcido e coerente.  Mesmo dopada pelos remédios, e foi assim que eu a atendi, nunca deixou de se cuidar e, uma ou outra vez, ela chorou, falando da sua desesperança, perguntando se eu seria mais um médico que não iria acreditar nela.

Psicopatologia

A alucinação é um fenômeno tão comum na mente humana quanto são aquelas lembranças que nos assaltam sem qualquer evocação. Nós costumamos dizer aos amigos: “não sei porque esse pensamento me veio à mente”.

Nos esquizofrênicos, esses pensamentos tornam-se mais ou menos constantes e carregados de um conteúdo persecutório.  O esquizofrênico ouve “seu próprio pensamento” e as vozes que o acusam são perturbadoras. Eles com frequência têm visões, poucas vezes estruturadas, quase sempre são vultos.

Essas alucinações têm origem química – dopaminérgica, ativada no sistema límbico.  Alucinação é uma situação comum na abstinência do álcool.  Nesses quadros, o paciente é atormentado desesperadamente por visões de bichos. São aranhas, insetos e cobrinhas que sobem e descem pelas paredes.

Nas demências, especialmente na doença de Alzheimer, são frequentes a visões de pessoas, crianças passando por perto ou sentados na mesma cama.

Estou revendo essas alucinações que se apresentam uniformemente nas patologias aqui descritas para chamar a atenção para o fenômeno mediúnico, rico em visões e diálogos audíveis pelos médiuns.

As diferenças são gritantes e, mesmo assim, as “academias de medicina” insistem em classifica-Ias com o mesmo rótulo dos esquizofrênicos ou das “patologias atípicas”. Dizem que as visões e as mensagens traduzidas pelos médiuns seriam produto da auto sugestão ou desejos ardentes do público presente, ansioso para ouvir uma mensagem muito aguardada.

Qualquer um de nós que fizer um estudo sério das obras de Kardec ou dos textos de André Luiz que Chico Xavier psicografou, pode deter-se apenas em colher as informações inéditas que a Ciência nem sequer cogitou em suas pesquisas para perceber as novidades, a variedade de assuntos, a lucidez e a importância das informações ali contidas. Isso não tem nada a ver com os “Napoleões”, as “Joana D’Arc” ou os “demônios” que os esquizofrênicos do mundo todo fixaram no painel das suas visões.

Alucinação e Mediunidade

Em O Livro dos Médiuns, Allan Kardec, ao estudar as hipóteses que contrariam o fenômeno mediúnico, faz comentários sobre as alucinações. Estariam os médiuns sob o domínio de alucinações?
Os que não admitem o mundo incorpóreo e invisível julgam tudo explicar com a palavra alucinação. Ela exprime o erro, a ilusão de uma pessoa que julga ter percepções que realmente não tem.

Kardec anotou que, quando o cérebro está enfraquecido, portanto, com uma doença que afeta seu bom funcionamento, a alma, ao emancipar-se parcialmente, pode ver imagens registradas no cérebro físico que estão, de certa forma, distorcidas pela doença.

Contudo, o que não se pode confundir, são essas alucinações que ocorrem nas doenças do cérebro, com uma outra ordem de manifestações que ocorrem nas comunicações mediúnicas, que tem uma natureza completamente diferente, dependente da interação fluídica entre o médium e o espírito que se faz visível em circunstâncias especiais.


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