Aracy Moebius de Carvalho: a brasileira que salvou judeus do nazismo

Publicado no Facebook do autor em “Meus avatares”

Ela nasceu no Paraná. Era filha de mãe alemã e pai português. Na década de 30, foi morar com uma tia na Alemanha depois de se separar do primeiro marido, que era alemão. Motivo: fugir do preconceito que, no Brasil, atormentava as mulheres separadas. Falava inglês, francês e alemão. Por isso, conseguiu uma nomeação no consulado brasileiro em Hamburgo, onde passou a ser chefe da seção de passaportes.

Foi quando, em 1938, entrou em vigor, no Brasil, a Circular Secreta 1.127, que restringia a entrada de judeus no país. Na Alemanha, eles estavam sendo perseguidos pelo nazismo. Era hora de agir.

Foi o que Aracy Moebius de Carvalho, o avatar da vez, fez. Ela agiu. Ignorou a circular e continuou preparando vistos para judeus, permitindo a entrada de inúmeros deles em solo brasileiro.

Como ela fazia? Colocava os vistos entre a papelada para as assinaturas, fazendo com que o cônsul geral, sem perceber, os assinasse . Para fazê-lo, ela simplesmente deixava de pôr neles a letra J, que identificava quem era judeu. Arriscou o emprego e a vida, mas livrou muitos dos campos de concentração e da morte certa.

Quando o Brasil rompeu relações diplomáticas com a Alemanha, em 1942, ela, o filho do primeiro casamento e o segundo marido – nada menos que o escritor Guimarães Rosa, então cônsul adjunto – ficaram quatro meses sob custódia do governo alemão, mas conseguiram voltar para o Brasil porque foram trocados por diplomatas alemães.

Por sua bravura, Aracy foi agraciada pelo governo de Israel com o título de “Justa entre as Nações” e também ficou conhecida como “Anjo de Hamburgo”.

Uma história que já virou documentário produzido pelo ator Caco Ciocler e também deve se transformar em produção hollywoodiana para mostrar o alto valor dessa aguerrida e inteligente mulher que muito nos honra.

Viva Aracy Moebius de Carvalho!


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