Breves reflexões sobre as catástrofes naturais em Santa Catarina

Jorge Hessen
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(06.12.08)

"As grandes provas são quase sempre um indício de um fim de sofrimento
e de aperfeiçoamento do Espírito, desde que sejam aceitas por amor a Deus".(1)

Na vida humana, tudo tem uma razão de ser, nada ocorre por acaso, ainda mesmo quando as situações se nos afigurem trágicas. O caos catarinense parece-nos um evidente episódio de resgate coletivo. Mas, urge refletir necessariamente que, ante as situações trágicas da Terra, o ser humano adquire mais experiência e mais energias iluminativas no cérebro e no coração, para defender-se e valorizar cada instante de sua vida. Com as verdades reveladas pelo Espiritismo, compreende-se, hoje, a justiça das provações. A Lei de causa e efeito, entendendo-a como sendo, dentre outras possibilidades, uma amortização de débitos de vidas pregressas, esclarece-nos sobre o problema da dor.

Para cada tragédia, tem que haver uma explicação plausível. Qual o significado dos milhares de seres que foram tragados pelas águas do Tsunami – catástrofe, cujas dimensões deixaram o mundo inteiro consternado? Para as tragédias coletivas, somente o Espiritismo tem as respostas coerentes, profundas e claras, que explicam, esclarecem e, por via de conseqüência, consolam os corações humanos, perante os ressaibos amargosos dessas situações.

É bem verdade que as catástrofes naturais ou acidentais, como a de Santa Catarina, vitimam centenas ou milhares de pessoas. Nesses episódios, as imagens midiáticas, virtuais ou impressas, mostram-nos, com colorido forte, as tintas do drama de inúmeros seres, enquanto a população recolhe o que sobrou e chora seus mortos.

Em muitas das situações, o nexo causal, entre a catástrofe e a ação humana, acha-se presente. (2) Atualmente, nem é preciso ter o dom da profecia para se fazer uma projeção sobre o triste cenário do futuro do nosso Planeta. Temos consciência de que estamos na iminência de desastres ecológicos, sem precedentes, em face da rota de colisão entre o homem e a Natureza.

Em 1985, os cientistas identificaram um buraco na camada de ozônio, sobre a Antártida, que continua se expandindo, assustadoramente. A redução do ozônio contribui para o "fenômeno estufa". As conseqüências dessa síndrome são catastróficas, como o aquecimento e a alteração do clima, precipitando a ocorrência de furacões, tempestades severas e, até, terremotos. O efeito do "El Ninõ e La Niña", também é aterrorizante, pois que acelera o degelo das calotas polares, aumentando, conseqüentemente, o nível do mar e inundando regiões litorâneas. Prova disso, são os registros de diminuição das geleiras no Himalaia, nos Andes, no Monte Kilimanjaro, e a única estação de esqui da Bolívia, Chacaltaya, pôs fim à sua atividade, pela escassez de neve naquela região.

Por que não nos mobilizamos em adotarmos medidas urgentes de prevenção, evitando, assim, um mal maior, ou seja, um caos ecológico para nós mesmos e, principalmente, às gerações futuras, ao invés de ficarmos, apenas, como espectadores? Devemos ficar atentos, abrir os nossos olhos para os alertas dos especialistas, pois já está demasiado claro que é, apenas, uma questão de tempo, para que as conseqüências nefastas das previsões comecem a afetar, brutalmente, as nossas vidas e, principalmente, as vidas de nossos filhos e netos.

Os flagelos destruidores também ocorrem com o fim de fazer o homem avançar mais depressa. A destruição é necessária para a regeneração moral dos Espíritos, que adquirem, em cada nova existência, um novo grau de perfeição. "Esses transtornos são freqüentemente necessários para fazerem que as coisas cheguem mais prontamente a uma ordem melhor, realizando-se em alguns anos o que necessitaria de muitos séculos." (3) Portanto, esses flagelos destruidores têm utilidade do ponto de vista físico, malgrado os males que ocasionam, "pois eles modificam algumas vezes o estado de uma região; mas o bem que deles resulta só é geralmente sentido pelas gerações futuras." (4)

Sobre a questão de resgates coletivos, muitos autores espirituais explicam, que indivíduos envolvidos em crimes violentos, no passado e, também, no presente, a lei os traz de volta, por terem descuidado da ética evangélica. Retornam e se agrupam, em determinado tempo e local, sofrendo mortes acidentais de várias naturezas, inclusive nas calamidades naturais.

Assim, antes de reencarnarmos, sob o peso de débitos coletivos, somos informados, no além-túmulo, dos riscos a que estamos sujeitos, das formas pelas quais podemos quitar a dívida, porém, o fato, por si só, não é determinístico, até, porque, dependem de circunstâncias várias em nossas vidas a sua consumação, uma vez que a Lei de causa e efeito admite flexibilidade, quando o amor rege a vida e "o amor cobre uma multidão de pecados." (5)

Emmanuel explica que: "na provação coletiva, verifica-se a convocação dos Espíritos encarnados, participantes do mesmo débito, com referência ao passado delituoso e obscuro. O mecanismo da justiça, na lei das compensações, funciona, então, espontaneamente, através dos prepostos do Cristo, que convocam os comparsas na dívida do pretérito para os resgates em comum, razão por que, muitas vezes, intitulais – doloroso acaso – às circunstâncias que reúnem as criaturas mais díspares no mesmo acidente, que lhes ocasiona a morte do corpo físico ou as mais variadas mutilações, no quadro dos seus compromissos individuais." (6)

Aquele que se compraz na caminhada pelos atalhos do mal, a própria lei se incumbirá de trazê-lo de retorno às vias do bem. O passado, muitas vezes, determina o presente que, por sua vez, determina o futuro. "Quem com ferro fere, com ferro será ferido" – disse o Mestre. Porém, cabe a ressalva de que nem todo sofrimento é expiação. No item 9, cap. V, de O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec assinala: "Não se deve crer, entretanto, que todo sofrimento porque se passa neste mundo seja, necessariamente, o indício de uma determinada falta: trata-se, freqüentemente, de simples provas escolhidas pelo Espírito para sua purificação, para acelerar o seu adiantamento".(7) Portanto , o meio ambiente em que a alma renasceu, muitas vezes constitui a prova expiatória; com poderosas influências sobre a personalidade, faz-se indispensável que o coração esclarecido coopere na sua transformação para o bem, melhorando e elevando as condições materiais e morais de todos os que vivem na sua zona de influência".(8)

FONTES:
1 Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, RJ: Ed. FEB, 1989
2 Segundo pesquisa, desde 1980, Em Santa Catarina, ocorreram 3.375 decretações de situação de emergência e de estado de calamidade por desastres naturais. Com 1299 por enchentes, 555 por enxurradas, 502 por vendavais, 492 por estiagens. Em 1990, foi elaborado um plano de alargamento do rio Itajaí-Açu, e um canal de 10 km, que desviaria o curso do rio, desaguando o excesso de água no mar. Este projeto está parado no Congresso Nacional até hoje.
3 Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, RJ: Ed. FEB, 1988. Perg. 737
4 idem pergunta 739
5 Cf. Primeira Epístola de Pedro Cap. 4:8
6 Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2001, Perg 250
7 Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2001, item 9, cap. V
8 idem questão 121

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