Comportamento ante a desencarnação

Por Cibele Neis

O Espiritismo é a Ciência nova que vem revelar aos homens, por meio de provas irrecusáveis, a existência e a natureza do mundo espiritual e suas relações com o mundo corpóreo. (ESE cap I it. 5)

Kardec insistiu em classificar o Espiritismo como uma Ciência Nova, pois as Ciências ordinárias assentam nas propriedades da matéria.

Ele nô-lo mostra não mais como coisa sobrenatural, porém, ao contrário, como uma das forças vivas e sem cessar atuantes da Natureza, como a fonte de uma imensidade de fenômenos até hoje incompreendidos. Como uma das forças vivas (o Espírito), ao lado das forças Eletromagnética, Gravitacional, Nuclear Forte, Nuclear Fraca – a quinta força – ainda não descoberta pela Ciência.

O capítulo que abre o Livro dos Espíritos, intitulado \”Introdução do estudo da Doutrina Espírita\”, foi escrito por Kardec, justamente para orientar os estudiosos da nova Ciência.

Vamos inserir este trabalho também nas homenagens que estamos rendendo aos 200 anos do nascimento do Codificador, cuja personalidade lúcida, observador dedicado, organizou o Espiritismo em bases sólidas. Pedagogo sempre preocupado com a melhor maneira de ensinar e apresentar suas pesquisas para que tivéssemos a mensagem espírita em sua plenitude.

Antes de Kardec, embora não nos faltasse a crença em Jesus, vivíamos na Terra atribulados por flagelos da mente… Depois de Kardec, com a fé raciocinada nos ensinamentos de Jesus, o mundo encontra no Espiritismo benefícios incalculáveis.

Do estudo da doutrina podemos tirar muitos recursos para o crescimento da nossa felicidade. Um deles é sem dúvida realizarmos uma profunda reflexão sobre a morte, certo é que todos estaremos diante dela.

Foi na Idade Média que adquirimos os hábito de encarar a morte de forma tenebrosa, pois cristãos primitivos não a temiam, pelo contrário, martirizados ou perseguidos, recebiam a penalidade como forma de sublimação e de mais fácil ascensão à glória imortal.

À medida que os fatos confirmam a indestrutibilidade da vida, morrer deixa de ser uma tragédia, transformando-se em mecanismo que facilita o renascimento em outra esfera, no mundo espiritual. O ressurgimento na espiritualidade é o coroamento da existência física, que se transforma através do fenômeno biológico da morte.

A certeza da vida futura não exclui as apreensões quanto à passagem desta para a outra vida. Há muita gente que teme não a morte, em si, mas o momento da transição.

Sofremos ou não nessa passagem?

A causa principal da maior ou menor facilidade de desprendimento é o estado moral da alma.

– atitudes, sentimentos

– o apego à matéria,

– preocupações exclusiva e unicamente à vida e gozos materiais

– nas almas puras, que cogitam com a vida espiritual, o apego é quase nulo.

Afinidade entre o corpo e o perispírito

A matéria é insensível. É a alma e não o corpo quem sofre, pois este não é mais que instrumento da dor. A alma tem sensações próprias cuja fonte não reside na matéria tangível.

O perispírito é o envoltório da alma e não se separa dela nem antes nem depois da morte. Ele forma com ela uma só entidade e não se concebe uma sem outro. Durante a vida encarnada o fluido perispirítico penetra o corpo em todas as suas partes e serve de veículo às sensações físicas da alma, atua sobre o corpo e dirige-lhe os movimentos. A extinção da vida orgânica acarreta a separação da alma, em conseqüência do rompimento do laço fluídico que a une ao corpo.

Basicamente, podemos agrupar em três, os principais gêneros de morte:

1. Morte por extinção das forças vitais (velhice ou doença)

A visão tradicional, sempre acha que a pessoa morreu \”cedo\”, que poderia ficar \”mais um pouquinho\”. E aquele que passou por um longo período de doença, estava sofrendo e por isso \”descansou\”.

A visão espírita, entende que ninguém morre cedo ou tarde, mas permanece na carne, o tempo necessário ao cumprimento de sua tarefa e o doente está com a doença \”recuperando a sua saúde espiritual\”.

2. Morte de pessoas materializadas e sensuais

Deve recear a morte quem se encarcera nas paixões inferiores, aquele que se escraviza nos apetites insaciáveis. O ser se agarra às manifestações do corpo transitório.

3. Mortes violentas

As sensações não são precisamente as mesmas. Está mais relacionado ao estado moral da alma.

Quando alguém desencarna, vitimado por um acidente ou por um distúrbio orgânico imprevisto, não se desprende por acaso, ou por fatalidade, nem punido pela vontade de Deus.

Reflexões – comportamento

* Quando nos lembramos das pessoas amadas desencarnadas com afeto, carinho e ternura, eles sentem-se felizes;

* Os que morrem, afastam-se fisicamente de nós, mas não se nos desvinculam;

* Nossos pensamentos de desespero os atingem com altas cargas vibratórias perturbadoras;

* A mágoa e o incorformismo os angustiam e aturdem;

* Sentir saudades é muito natural, desde que não extrapole da recordação dorida para a fixação malsinada, mediante evocações pouco procedentes;

* Se foi uma criança ou um adolescente que desencarnou, não acredite que seja injustiça. A idade jovem rapidamente encerrada, é bênção que faculta diferente mecanismo de evolução a benefício do Espírito em crescimento;

Viva cada ser com elevação e desprendimento, treinando a libertação e, adaptando-se mentalmente.


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