“Coragem, Coragem, eu sei que você pode mais”

É isso que o Universo está nos dizendo e pedindo que acreditemos

Por Rita Foelker

Não é a primeira vez, nem será a última, que estamos diante de um vírus que se espalha e EFETIVAMENTE coloca vidas em risco. A peste negra, a gripe espanhola, a gripe aviária, H1N1…

Mas é diferente para nós, porque somos nós que estamos perante o desafio, dotados de corpo físico que está mais ou menos apto a se proteger da infecção.

A consciência da importância realmente chega com as mudanças na rotina, aquelas que de fato nos convencem de que alguma coisa muito séria acontece e de que precisamos agir positivamente, em favor de todos.

Somos convidados a ver que não estamos isolados. Que tudo o que fazemos afeta o outro e o que outro faz nos afeta. Quem está no trem ou ônibus pode carregar seu álcool-gel, mas não pode impedir que o outro respire e espalhe vírus ao seu redor.

 

Como agimos conforme nossos pensamentos, o que pensamos afeta a todos. Como temos um senso moral, as nossas escolhas nos afetam e afetam todos.

Enfim, graças à COVID-19, podemos observar empiricamente e estatisticamente que NÃO SOMOS SERES ISOLADOS. Isso ficou visível agora, mas já era anunciado pelo famoso poema de John Donne (1572-1631), cujo verso se transformou em romance de Ernest Hemingway (1940) e em canção do Metallica (1984), “For Whom the Bell Tolls”. O poema diz:

Nenhum homem é uma ilha isolada; cada homem é um
pedaço do continente, uma parte da terra; se um torrão
é arrastado para o mar, a Europa fica diminuída,
c o m o s e f o s s e u m p r o m o n t ó r i o,
como se fosse a casa dos teus amigos ou
a tua própria; a morte de qualquer
homem diminui-me, porque sou
parte do gênero humano.
E por isso não perguntes
por quem os sinos
dobram; eles
d o b r a m
por ti.

Em 1943, um filme com o mesmo título foi lançado, tendo Gary Cooper e Ingrid Bergman como protagonistas (ao lado). E o verso também foi título de uma faixa e de um LP de Raul Seixas – Por Quem os Sinos Dobram.

Mas não é só doença e peste que nós espalhamos. Também espalhamos consciência, paciência, gentileza e cuidado, com nossas ações. Podemos rever nossos hábitos e verificar quem, perto de nós, corre mais risco de contaminação e fazer nosso possível. Evitar que um idoso se exponha, comparecendo a lugares de grande aglomeração.

 

Isso é sobre experimentar e exercitar nossa humanidade.

Não é sobre entrar em pânico, nem sobre apavorar os outros. Não é sobre especular em cima do preço do álcool-gel, atendendo à fria lei da oferta e procura que só visa um ganho monetário numa situação que, tristemente, incide sobre nós todos. É sobre adquirir a consciência de que não estamos tão ‘no controle’ quanto imaginamos e reconfigurar nossas agendas e prioridades.

É sobre descobrir o que pode se espalhar de bom, já que as ações de cada um podem atingir todos. É sobre viralizar amor e gentileza. Sobre ativar a ética do cuidado, além dos limites da casa e dos mais próximos.

Estamos sendo convidados a perceber que, onde quer que estejamos no planeta, ESTAMOS E SOMOS MAIS PRÓXIMOS DO QUE IMAGINAMOS.

Enfim: “Coragem, coragem, se o que você quer é aquilo que pensa e faz. Coragem, coragem, que eu sei que você pode mais.” (Raul Seixas) É isso que o Universo está nos dizendo e pedindo que acreditemos.

 

 


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