Criança, Religião e Educação

Notas da palestra apresentada na nova era em outubro de 2019

Gostaria de iniciar a minha fala contando algo do lugar onde trabalho. Num momento de reflexão fizemos uma brincadeira com um baralho de perguntas ao aluno. Eram todos saindo da infância. (10/11 anos) A pergunta era:

SE VOCÊ FOSSE DEUS POR 24 HORAS O QUE VOCÊ MUDARIA?

Minha mãe me ensinou que Deus só existe um, então eu nem poderia me imaginar sendo Deus, porque aí seria mais do que um, então não seria Deus, ela disse. Nós ficamos maravilhadas com a resposta, ninguém diria isso. Qualquer adulto aproveitaria para consertar o mundo.

 

Nós vivemos um tempo das certezas científicas. Tudo é comprovado. O ser humano chegou num ponto de avanço tecnológico que há 30 anos se achava inimaginável, coisas que vemos nos dias atuais eram filmes de ficção científica. Na atualidade interferimos até nas criações de Deus. Não estou falando como crítica, apenas constatando.

Mas mesmo com tudo isso não estamos cuidando de nossa morada terrena e em muitas situações dos seres que a habitam, colocados pelo Pai para evoluir.

E aí eu gostaria de ne referir às crianças, os seres, talvez, mais vulneráveis desta engrenagem.

383. LE. Qual é para o Espírito, a utilidade de passar pela infância ?

Encarnando-se com o fim de se aperfeiçoar, o Espírito é mais acessível durante esse tempo às impressões que recebe e que podem ajudar o seu adiantamento, para o qual devem contribuir os que estão encarregados da sua educação.

“A vulnerabilidade do bebê humano e sua dependência dos cuidados do adulto são indícios muito fortes de que a família é uma necessidade psicofísica do homem e, portanto, será difícil imaginar um sistema social sem essa instituição básica.” (Apostila 2. ESDE)

Independente da família que recebe esta criança, ela não sobrevive, por sua fragilidade, sem os cuidados básicos. Isto nos mostra que quanto mais evoluído o ser da criação, mais ele precisa de cuidados iniciais.

Por isso nossa responsabilidade é enorme. Temos a grande incumbência de FAZER HOMENS DE BEM estes seres que recebemos em nosso seio familiar, pois para que chegassem até nós, um dia combinamos, na Espiritualidade. Não temos filhos por acaso.

Estes seres tão frágeis são nossa responsabilidade. Por isso precisamos entender o que são estes Espíritos.

E Raul Teixeira, este grande educador Espírita, recebeu do Esp. Thereza de Brito, (Livro “Vereda Familiar, p. 69) uma frase que mostra o quanto precisamos cuidar:

“Cada criança é um Espírito inteiro, integral, com delicado circuito capacitado a assimilar toda e qualquer informação que se lhe traga, sem qualquer análise ou seleção, uma vez que o seu mundo psíquico não se acha ainda em condições para discernir com profundidade.”

A delicadeza da idade infantil os torna brandos, acessíveis aos conselhos da experiência dos que devam fazê-los progredir. Nessa fase é que se lhes pode reformar os caracteres e reprimir os maus pendores. […].

(O livro dos espíritos, 385).

E temos também a colaboração de Dora Incontri sobre este assunto:

O período da infância é para o Espírito reencarnado, um tempo de semi-inconsciência, tem suas barreiras psíquicas de defesa neutralizadas, estando mais receptivo e mais maleável às influências. Porém não as consegue filtrar em boas ou más. Bons estímulos e exemplos os ajudarão pela vida afora, como maus estímulos e maus exemplos o degradarão. (37)

(Dora Incontri. P. 37 A Educação Segundo o Espiritismo)

Há que se ter muito cuidado com os pequenos, uma vez que a responsabilidade dos maus ensinamentos ou exemplos será toda nossa. Seremos chamados a dar contas daqueles que nos foram confiados.

Ricardo Di Bernardi nos fala dos vínculos existentes num lar:

“O triângulo constituído por pai, mãe e filho sempre resulta de uma continuidade necessária para todos os envolvidos na nova constelação familiar, em que irmãos e parentes próximos são, normalmente, ligações de encarnações anteriores…

Com relação à natureza desses vínculos, podemos classificar em vínculos de afeto ou desafeto.” (Temas Polêmicos do Século XXI. P.49)

O que nós, pais e educadores precisamos dar:

· Cuidados básicos iniciais, atendendo as primeiras necessidades. (alimento, conforto físico, amor, carinho)

· Educação: a primeira escola é o lar. Daremos todos os comandos de convivência social, boas maneiras. Ensinaremos os direitos e deveres, portanto, limites. Depois vem a escolaridade, lugar onde a criança aprenderá conteúdos programados.

Eu li recentemente um livrinho de autora que não conhecia, Magda Vilas Boas que diz o seguinte:

“É importante encarar o trabalho como um lugar em que se contribui com outras pessoas e o lar, é o lugar onde se descansa, que é o nosso ninho, o aconchego, o oásis. E para isso precisamos perceber que na família não há ninguém mais ou menos importante… Deve-se ter em mente que todos são responsáveis por deixar em ordem, cuidar, consertar, cuidar amorosamente, porque a casa é de todos. (Aprender a cuidar na convivência, p.53)

· Religião É neste lar que devemos falar de Deus. É onde a criança inicia uma RELIGIÃO, a dos pais. Se a oração já está comprovada que faz bem, por que não ensinarmos nossos pequenos a orar?

E Thereza de Brito nos dá mais um CONSELHO:

“Quando tenhamos filhos pequenos, será nobre levá-los a conviver conosco nas atividades do Centro Espírita, a fim de que eles, também desde pequenos, aprendam a desenvolver carinho pela Oficina de Bênçãos que supre de paz e de entendimento o seu reduto doméstico.” ( Vereda Familiar. P. 189)

O Espírito, segundo Walter Barcelos, na condição de filho, vem para progredir e espera muito dos pais para que possa se aperfeiçoar espiritualmente. Nesta fase de fragilidade de seu corpo, de inocência, com repouso se sua consciência, espera receber o melhor de seus pais, que afinal, são os primeiros professores, são os educadores da alma. (A Arte Moral de Educar os Filhos. P. 86).

 

Tem um livro de Adenáuer Novaes , EVANGELHO E FAMÍLIA, em que ele dá sua colaboração a esse respeito:

“Os filhos projetam nos pais seus desejos e se nutrem das expectativas em relação à vida. Quanto mais lhes favorecemos mais devemos mostrar-lhes as obrigações que devem cumprir. Quando não mostramos e acompanhamos essas obrigações, eles se tornam vulneráveis psicologicamente nas ausências e impedimentos de seus pais.” (Evangelho e Família. P.184)

No reino dos mais inferiores do que nós observamos o casal estimular os filhotes a serem independentes, alguns pássaros empurram com o bico os filhotes para que voem, confiando que isto é da natureza. Mas muitos pais querem manter os filhos atrelados, sempre na sua dependência.

O Espírito Hammed nos diz:

“Os pais imaturos e despreparados são os que mais rejeitam e hostilizam as iniciativas de autonomia dos filhos. Prendem as crianças ao seu redor, sentindo-se frágeis e incapacitados, por acreditarem que elas ao se libertarem da dependência, deixarão de amá-los e considera-los. (Um Modo de Entender uma Nova Forma de Viver. P. 66)

Mais pra frente Hammed novamente dá sua contribuição:

“Nunca tentemos instruí-los projetando neles nossos propósitos de vida não realizados. Nossas carências não são as deles, nossas vontades não são as deles e nossos prazeres e alegrias são diferentes dos prazeres e alegrias deles.” ( p. 156)

Gostaria de encerrar com uma peque na frase do livro que já citei:

“Pais e professores felizes e autoconfiantes, têm mais resultados na educação, pois vivem o que ensinam. ” (p. 103)

 

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. BARCELOS, Walter. A Arte Moral de Educar os Filhos.2 Ed. Votuporanga: SP. Casa Editora Espírita “Pierre-Paul Didier”. 2005.

2. BRITO, Thereza de. Vereda familiar. 5 ed. Niteroi. RJ: Frater, 2004.

3. DI BERNARDI, Ricardo. Temas Polêmicos do Século XXI. Santo André: SP. EBM Editora. 2010.

4. INCONTRI, Dora. A Educação Segundo o Espiritismo. 5 Ed. Bragança Paulista: SP. Editora Comenius, 2003.

5. KARDEC, Allan. Livro dos Espíritos. Tradução de José Herculano Pires. 66ed. São Paulo. Lake, 2006.

6. NOVAES, Adenáuer. Evangelho e Família.Salvador: Bahia. Fundação lar Harmonia, 2004.

7. VILAS-BOAS, Magda. Aprender a Cuidar na Convivência. São Paulo: São Paulo. Edições Loyola, 2013.


Continue no Canal
+ Rose Mary Grebe