Curas morais

Maria Helena Marcon
Presidente da Federação Espírita do Paraná

A cada ano notamos que muitos valores positivos foram conquistados pela Humanidade, bem como constatamos que muitos outros, que fomentam sofrimentos, angústias, guerras e padecimentos vários, ainda persistem.

Indiscutivelmente, o Espiritismo traz na sua essência a mensagem da orientação sublime e do consolo duradouro para quem tome de sua mensagem e a coloque em prática. A Humanidade carece, e muito, de Jesus. A Doutrina Espírita é mensagem cristã por excelência, revivendo os ensinos do Mestre Nazareno.

Portanto, os Centros Espíritas, os espíritas de modo geral, têm grande e total compromisso na difusão da Doutrina Consoladora.

Como se lê em A Gênese, Cap. XV, item 28, Allan Kardec bem posiciona qual a missão do Espiritismo na Terra, ao ensinar:

O Espiritismo, igualmente, pelo bem que faz é que prova a sua missão providencial. Ele cura os males físicos, mas cura, sobretudo, as doenças morais e são esses os maiores prodígios que lhe atestam a procedência. Seus mais sinceros adeptos não são os que se sentem tocados pela observação de fenômenos extraordinários, mas os que dele recebem a consolação para suas almas; os a quem liberta das torturas da dúvida; aqueles a quem levantou o ânimo na aflição, que hauriram forças na certeza, que lhes trouxe, acerca do futuro, no conhecimento do seu ser espiritual e de seus destinos. Esses os de fé inabalável, porque sentem e compreendem.

Os que no Espiritismo unicamente procuram efeitos materiais, não lhe podem compreender a força moral. Daí vem que os incrédulos, que apenas o conhecem através de fenômenos cuja causa primária não admitem, consideram os espíritas meros prestidigitadores e charlatães. Não será, pois, por meio de prodígios que o Espiritismo triunfará da incredulidade: será pela multiplicação dos seus benefícios morais, porquanto, se é certo que os incrédulos não admitem os prodígios, não menos certo é que conhecem, como toda gente, o sofrimento e as aflições e ninguém recusa alívio e consolação.

Ao mesmo tempo em que Kardec fala sobre a proposta espírita à Humanidade, deixa claro qual é o objetivo essencial do Centro Espírita e da difusão doutrinária, ao afirmar: “não será, pois, por meio de prodígios que o Espiritismo triunfará da incredulidade, será pela multiplicação dos seus benefícios morais”.

Logo, continuemos atentos às ações que nossas Casas Espíritas têm promovido diariamente, a fim de que estejam calcadas nos propósitos únicos da Doutrina: ensinar Espiritismo, auxiliar na compreensão do Espiritismo, exemplificar comportamento espírita, vivenciando-o plenamente a qualquer hora dos dias, no mais amplo entendimento da caridade prática.

Ainda segundo o texto acima de Kardec, a produção de fenômenos, os efeitos materiais como curas para o corpo, por exemplo, não devem estar em nossas práticas e em nossas proposituras aos que procurem o Centro Espírita, da mesma maneira não deve ser ocupação como tarefa espírita.

Trabalhemos pela cura do Espírito, pela cura das enfermidades morais. Tais medicamentos estão disponíveis na Doutrina Espírita. Para tais padecimentos esses não são encontrados nas farmácias e drogarias, nem nas academias de medicina.

Auxiliemos na construção de homens de bem, “os de fé inabalável, porque sentem e compreendem”.

Repetimos que o Movimento Espírita tem total compromisso com a difusão da Doutrina Espírita, que é o Consolador prometido por Jesus.

Não deixemos a Luz debaixo do velador.

Jesus afirmou-nos: Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Sigamo-Lo, pois, vivenciando Seus ensinos.

Maria Helena Marcon
Presidente da FEP

01.2006

 


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