Equação cósmica ‘ e + C + LA = 76’ espanta o medo na terceira noite

O professor de história de Joinville faz palestra e reflete sobre a Luz natural de cada espírito imortal.

Alberto Ferreira deu o tom de como seria a terceira noite da jornada de conhecimento da S.E. Nova Era, com uma história singela de Chico Xavier.

O médium foi indagado por uma pessoa atormentada com a suposta iminência de uma guerra nuclear entre Estados Unidos e União Soviética, que devastaria toda a vida na Terra. Anos 1970, vivia-se o ápice da “Guerra Fria” com as duas potências exibindo seus arsenais e sua capacidade de destruição.

– Mas, Chico, e se o nosso Planeta acabar? – lamentava o interlocutor.

O médium mineiro, acostumado a desconstruir grandes conflitos interiores com reflexões simples, respondeu com candura:

– Não se preocupe tanto. Se este mundo acabar, Deus arruma outro planeta pra gente morar.

Foi com esta mesma capacidade de erguer os olhos ao horizonte que Alberto Ferreira foi desmontando, no decorrer de uma hora e quinze minutos de exposição, as armadilhas fincadas para o “fim do mundo”. O tema da sua palestra – “Será o fim de qual mundo?”, dentro do tema da jornada que é “Transição Planetária”.

Dessa forma, o Universo foi apresentado a partir de seu histórico de conhecimento com os primórdios das ideias que foram perseguidas pela Igreja, com Nicolau Copérnico, passando por Galileu Galilei e culminando com Giordano Bruno, que foi condenado à fogueira por sua obra “Acerca do Infinito, do Universo e dos Mundos”. O palestrante lembrou que eram descobertas tão sensacionais e reveladoras que Giordano caminhou até o fogo com a boca atada, no maior símbolo de que o conhecimento liberta.

Após centenas de anos, mesmo com o avanço da ciência e da cosmologia, desprezamos as conclusões desses antigos desbravadores, que já revelavam o tamanho real do Planeta Terra, e ficamos sempre temerosos do fim da Terra. Mas Alberto Ferreira mostrou aos presentes de qual mundo estamos falando. Comparou planetas de acordo com sua dimensão, apresentou galáxias conforme seus formatos; mostrou estrelas e nebulosas. Indicou que, em muitos casos, a Terra não passa de um ponto, ao lado de outros planetas e luas. “Perto de Antares, por exemplo, não passamos de um pixel, para ficarmos na medida digital”, afirmou.

Equação didática

Mas esta noção do Universo, por mais grandiosa e desconhecida que seja, não deve nos trazer medo. Pelo contrário, diante desses tempos de transição, devemos estar tranquilizados por tantos lugares, outros planetas, em que podemos encarar nosso carma que, mesmo não sendo um termo usado por Kardec, lembrou Alberto, podemos compreender como ação, em tantos ensinamentos que nos traz Emmanuel. “Em vez de ficarmos lamentando com quem nos casamos, com quem moramos, que emprego temos, condenando tudo a um ‘carma’ mal compreendido, devemos encarar como algo pedindo ação da nossa parte, para nosso aprendizado”.

Dessa forma, refletiu Alberto, temos a grande equação cósmica que nos ensina a Doutrina dos Espíritos:

e + C + LA = 76

Em que ‘e’ é o elemento inteligente universal, ‘C’ é consciência e ‘LA’ é o livre-arbítrio, a capacidade de escolha, de opção, que resulta na individualidade, como como nos traz a questão 76 de O Livro dos Espíritos, que fecha nossa equação:

76. Como podemos definir os Espíritos?
— Podemos dizer que os Espíritos são os seres inteligentes da criação. Eles povoam o Universo, além do mundo material.

Comentário de Kardec: Nota. — A palavra Espírito é aqui empregada para designar os seres extracorpóreos e não mais o elemento inteligente universal.

Essa inteligência do Espírito, na leitura do professor de história de Joinville, é que deve permear a visão do nosso cotidiano e do que estamos vivendo como Planeta em transição. “O progresso é inerente ao espírito; não devemos nos esquecer nos braços de quem estamos. O que passamos são oportunidades, não dificuldades”, lembrou o palestrante, ilustrando que em qualquer situação ruim ou de medo, perdemos a noção que somos imortais, auxiliados pelo Irmão Jesus e por um Pai Maior, que sempre vai nos guiar para novos mundos, planetas, principalmente localidades íntimas sadias para que valorizemos, acima de tudo, a nossa essência.

Luz libertadora

Para Alberto Ferreira, enxergamos o mal em toda a parte porque a nossa Luz interior está cada vez maior, iluminando cantos empoeirados impossíveis de serem notados nas trevas do passado. Nossos Espíritos caminham a passos largos para a transformação do Planeta Terra; basta que nos habituemos com um novo olhar.

“Bem-aventurados os mansos e os pacíficos, porque eles herdarão a Terra”, lembrou Alberto, citando a “Canção da Montanha”, como classificou o sermão do Mestre. Uma frase que tem que acompanhar nossos dias, como mensageira da esperança e da tolerância, acima dos medos, das agonias, das invencionices.

“Nunca na história da Humanidade foram criadas tantas condições e consciência para o desenvolvimento de todos, independentemente das raças, das crenças, das ideologias; nunca tantas leis de proteção individual, dos humanos, dos animais e da Natureza, foram criadas e presentes em assuntos debatidos em todos os lugares”., conclui o palestrante.

“Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus!”, foi o sentimento geral de todos os participantes ao final da noite.

(Texto Manoel Fernandes Neto)