Faça a sua parte!

Marcelo Henrique

“Muitos ficam na expectativa do socorro do Alto, mas não querem nada com o esforço de renovação; querem que os Espíritos se intrometam na sua vida e resolvam seus problemas…” Chico Xavier.

Da multidão de “necessitados” que procuram as instituições espíritas, um grande número chega esperando por “milagres”.

É comum o relato de que “disseram” que na casa espírita determinado problema poderia ser resolvido. Ou que o tratamento, o atendimento, a palestra, o passe seriam úteis para o ser em seu estágio na dor.

Não raro, um sem-número volta pra casa ou para suas atividades corriqueiras com “pequenos alívios”. Melhoras momentâneas. Um lenitivo, o consolo, que acalma o coração.

Não há, em regra, súbita transformação no estado espiritual de ninguém. O Centro Espírita não é um balcão de farmácia, onde você encontra todos os medicamentos, nem uma prateleira de supermercado onde você pode escolher aquilo que quer levar para casa.

Recordando o Magrão, aquele homem inesquecível, situemos que, após cada atendimento, e as melhoras que sua mediunidade dinâmica prodigalizou aos “carentes de Espírito”, os relatos contidos nos evangelhos testificaram sua fala: “vá e não peques mais, para que não te suceda cousa pior”.

 

Ainda que a expressão “pecado” seja, apenas, compatível com os dogmas e as liturgias das igrejas cristãs, já que a condição humano-espiritual é a de ser errante e, portanto, estar diante das próprias limitações, devemos entender, à luz do Espiritismo, que não há condenações, nem suplícios, nem martírios, nem seres pecadores.

Portanto, quando Jesus se referia àqueles a quem havia proporcionado certa melhora, ele colocava nos ombros de cada um as responsabilidades de manter-se em equilíbrio e de evitar problemas maiores.

Ao que parece, a grande massa que procura socorro e cura, nas instituições não entende que a cura vem de dentro e o socorro não é mercadoria para dispor quando se necessite, sem comprometimento.

Eis, aí, a sabedoria do “Véio Chico”.

É por isso que, em seus bons lampejos, como esse, Chico era genuinamente kardeciano. Muito mais verdadeiro, na sua simplicidade. Sem necessidade alguma de estar mediunizado ou de ser mero intérprete de alguma entidade…


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