Janeiro Branco: O melhor de nós – e em nós – renasce!

O mês foi escolhido para reflexões sobre nossa Saúde Mental. Que tal adotamos posturas favoráveis?

Marcelo Henrique

Como vai a sua saúde? Quando ouvimos esta pergunta, seja num diálogo seja num artigo ou reportagem, vem à nossa mente, de pronto, a questão dos check-ups que nos acompanham toda uma vida. E, também, as nossas idas a consultórios médicos, farmácias e laboratórios, para diagnose e tratamento de variadas enfermidades. A máquina corporal é uma engrenagem que requer cuidados especiais, não só os clínicos, mas aqueles relacionados à forma de como vivemos, a alimentação, o repouso, o trabalho, o lazer, os exercícios físicos e, também, os relacionamentos conviviais.

Vamos especificar um pouco mais a questão inicial: Como vai a sua saúde MENTAL?

A saúde psíquica é fundamental para dias como os da atualidade. Avaliar, constantemente, como nos comportamos diante de inúmeras situações, como nos relacionamos com as pessoas, que tipo de rotinas empreendemos e qual é o sentido e o propósito que damos às nossas próprias vidas. E, também, para o exercício salutar do autoconhecimento, investigando e estando a par, conscientemente, de emoções, pensamentos, sentimentos e comportamentos.

Há cerca de cinco anos, uma campanha dedicada a colocar os temas da Saúde Mental em máxima evidência no mundo atual, voltada à prevenção ao adoecimento emocional da humanidade foi idealizada e iniciada. E vem sendo difundida, ano a ano, como forma de sensibilização das mídias, das instituições sociais, sejam públicas ou privadas, bem como dos poderes constituídos. Necessário se faz a adoção de projetos estratégicos, sobretudo na forma de políticas públicas, com a destinação de recursos financeiros, e o fomento a espaços sociais e iniciativas socioculturais para a discussão de temáticas relacionadas, direta ou indiretamente, aos universos da Saúde Mental.

O mês de janeiro foi o escolhido em virtude de que, a cada início de ano, tradicional e culturalmente, as pessoas alimentam ansiedades em relação ao “novo” e aos compromissos pessoais de mudança ou de atendimento de metas, na busca da felicidade pessoal. Começar este novo ciclo de maneira sadia, emocional e psicologicamente, a partir do mergulho íntimo, pode proporcionar importantes reflexões e evitar que, à medida que o tempo for passando, algumas frustrações se instalem impedindo conquistas, avanços, alegrias e as lutas comuns à vida de cada um.

 

O escopo da campanha vislumbra a informação e a consciência sobre os conteúdos psicológicos e subjetivos que influenciam nossas vidas, envolvendo as questões mentais, sentimentais, emocionais, relacionais e comportamentais. E, como ninguém vive isoladamente, é possível, também, observar e melhor compreender, além das nossas próprias necessidades psicológicas, as dos outros, percebendo semelhanças e diferenças que alavancam nosso aprendizado.

Algumas frases de impacto costumam ser divulgadas nas campanhas que são divulgadas neste mês de janeiro. Dentre elas, podemos citar:

“quem cuida da mente, cuida da vida”;
“quem cuida das emoções, cuida da humanidade”;
“quem cuida de si, já cuida do outro”;
“sem psicoeducação não haverá solução”;
“autoconhecimento: isso também tem a ver com a sua saúde mental”;
“o que você não resolve em sua mente, o corpo transforma em doença”; e,
“saúde mental pressupõe políticas públicas”, entre outras.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam para o alarmante número de mais de 300 milhões de pessoas que sofrem com depressão, transtorno que afeta qualquer faixa etária, raça, etnia ou classe social, a principal causa de incapacidade no âmbito da saúde da mente. Em termos de Brasil, os dados apontam para 16% da população atingida – mais do que a taxa de depressão nos EUA (13%), na Espanha (9%) e na China (quase 6%), por exemplo. Ainda em termos locais, somos o país onde as pessoas são diagnosticadas com depressão quando são mais jovens, em média aos 36 anos, sendo que a faixa compreendida entre 35-49 anos concentra a maior taxa de depressivos brasileiros e, destes, a ampla maioria (68,9%) são mulheres, exatamente como na França, no Reino Unido e na Espanha.

Vale lembrar que a depressão nunca “vem” sozinha. Ela acaba sendo acompanhada por outros distúrbios e anomalias como insônia, ansiedade e dores físicas, fazendo com que seus portadores sejam frequentadores costumeiros de hospitais e prontos-socorros. E a depressão, sabe-se, também se configura como um importante fator na taxa mundial de mortalidade, como consequência, seja pela prática do suicídio seja pelo chamado “desgosto da vida”, o que faz com que o indivíduo vá, aos poucos, desistindo de continuar vivendo.

 

Por vezes silenciosa, com o afastamento gradativo da pessoa dos núcleos de convivência e das rotinas da própria sobrevivência e coexistência coletiva, a depressão está diretamente relacionada às emoções e às condições de vida psíquica, considerados hábitos, condicionamentos, costumes e, até, vícios de variadas configurações.

Por outro lado, o rol de sofrimentos humanos envolve muitas situações que podem ser prevenidas, dores que podem ser evitadas, violências que podem ser impedidas, situações que podem ser cuidadas ou reparadas, exemplos que podem ser partilhados e ensinamentos que podem ser difundidos. Tudo para propiciar indivíduos e sociedades mais saudáveis e mais bem resolvidos em termos emocionais.

Ainda segundo a OMS, o estado “mentalmente saudável” é o de bem-estar, permitindo à pessoa o desempenho de suas habilidades, lidando satisfatoriamente com as inquietudes da vida, e sendo capaz de ser produtivo e contribuindo para si, para seus mais próximos e, também, para a sua comunidade.

A campanha tem a ver, diretamente, com valores como o amor à humanidade, o senso de responsabilidade social e o exercício da solidariedade humanística. O mote também envolve a sugestão para que as pessoas possam ser mais sinceras e transparentes com os seus desafios psicológicos, buscando ajuda e apoio sempre que necessário.

 

Que tal, então, estabelecer uma nova rotina neste ano que aí está, com tantas possibilidades e perspectivas? Um livro inteiro, com cerca de 365 ou 366 páginas, já que este é bissexto, em branco para serem preenchidas de próprio punho, com a caligrafia de cada um, caprichando na letra e nos registros. Por isso, secundados nos próprios profissionais psicólogos, vamos listar três posturas que podem ser altamente favoráveis a todos nós, para a nossa SAÚDE MENTAL:

1. Reflexão consciente: Como posso ser uma nova pessoa ou uma pessoa melhor? O que será possível fazer, em pequenos gestou ou atitudes, para gerar mudanças conscientes em nossa vida, a fim de tornar o dia-a-dia mais feliz?

2. Aceitação: Compreender os ciclos da vida, permitindo verificar aqueles que precisam ser encerrados ou concluídos, seja porque já cumpriram seu tempo, seja porque só estão nos causando dissabores. Entender aquilo que precisa ser superado, nos credenciando a novas experiências e, também, novas companhias.

3. Ação: Diante de um novo ciclo, que tem 12 meses, e que se inicia agora, o que é possível fazer, desde a preparação até a execução, nos mais corriqueiros e simples atos da vida, para ser mais saudável e feliz?

Esperamos que cada um de nós possa estar desperto e interessado neste processo contínuo e permanente de autoconhecimento e que dele decorra o compromisso sincero de superação e construção da própria felicidade. Temos certeza que você pode!


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+ Marcelo Henrique