Leitura e Estudo

Por Antônio Moris Cury


A informação pode ser obtida por amplos e variados modos. O meio mais comum de aquisição, sem dúvida, ocorre através da leitura de livros, jornais e revistas, assim como através de noticiários e programas veiculados pelo rádio, pela televisão e atualmente também pela Internet, a rede mundial de computadores, que colocam o mundo à nossa disposição, onde quer que nos encontremos. A informação ainda pode ser adquirida através de conversas, pessoais ou não, com a ajuda da tecnologia, e até mesmo por simples observação, etc.

É notável o avanço que se percebe no campo da difusão da informação, alcançando e beneficiando inclusive pessoas que nunca estiveram na escola e que, nada obstante, por exemplo, passaram a buscar a defesa e a garantia de seus direitos individuais.

O conhecimento, por sua vez, para ser obtido, exige não só a informação conseguida por modos diversos, mas, sobretudo, exige estudo, muito estudo, análise e comparação, além de acurada reflexão, que o tornem consolidado.

Não é difícil concluir, pois, que para consegui-lo é preciso ter vontade, vontade firme. Numa palavra, é preciso ter interesse, esta mola propulsora que nos movimenta no mundo físico, sempre.

Assim, uma vez verdadeiramente decididos, passamos a aprender pela leitura e pelo estudo de livros edificantes, das obras sérias de qualquer campo do conhecimento: das ciências, das artes, das religiões, da filosofia, etc.
Pode parecer difícil, mas não é. A começar pelo fato de que a leitura é um hábito, um saudável hábito por sinal, que incorporamos com muita facilidade, uma vez que ela é agradável e prazerosa. Se somos capazes de agregar hábitos lastimáveis, de que são exemplos a ingestão de bebidas alcoólicas e o uso do tabaco em suas variadas formas, que só nos prejudicam a saúde física e mental e abreviam nossa estada na Terra por constituírem verdadeiro suicídio indireto, qual a dificuldade de incorporação de um hábito que não tem contra-indicação e que só nos beneficia?

A propósito, recordemo-nos da questão 909 de O Livro dos Espíritos, a obra basilar do Espiritismo: Poderia sempre o homem, pelos seus esforços, vencer as suas más inclinações? Resposta: Sim, e, freqüentemente, fazendo esforços muito insignificantes. O que lhe falta é a vontade. Ah! quão poucos dentre vós fazem esforços!

Por igual, lembremo-nos da definição de educação dada por Allan Kardec, o eminente e ínclito Codificador da veneranda Doutrina Espírita, em seus comentários pessoais acerca da Lei do Trabalho (encontrável logo após a resposta dada à questão 685, letra “a”, de O Livro dos Espíritos, edição da FEB): a educação é o conjunto dos hábitos adquiridos.

Como se não bastasse, não podemos perder de vista que a leitura e o estudo, além de serem tarefas agradáveis e prazerosas, têm enorme significado individual para todos nós, porquanto aumentam o índice de nossa informação e de nosso conhecimento, facilitando-nos a compreensão dos mais diversos assuntos, enriquecem o nosso vocabulário do dia-a-dia, aperfeiçoam o nosso modo de escrever e de falar, permitem-nos incontáveis comparações e, por conseqüência, sólido embasamento nas conclusões. E é claro que, assim, passamos a ter novas idéias, maior lucidez, fruto de novos conhecimentos obtidos, sendo importante observar que o conhecimento é cumulativo.

Só de livros espíritas, em língua portuguesa, temos hoje cerca de dois mil títulos, o que nos conduz à conclusão de que a informação, o estudo e o conhecimento estão à nossa inteira disposição, bastando a vontade, somente a vontade, com esforços insignificantes de nossa parte. Mesmo quem não tenha condição financeira de compra, pode valer-se do empréstimo gratuito das obras que as Casas Espíritas brasileiras oferecem, com muita satisfação. Sem exagero, podemos afirmar que as cinco obras básicas do Espiritismo (O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno e A Gênese) constituem verdadeira síntese do conhecimento humano, razão suficiente para recomendar-se a sua leitura, de capa a capa.

A vantagem é nossa. O benefício é de quem lê e estuda, uma vez que o conhecimento obtido e consolidado nos pertence individualmente, não havendo ladrão capaz de roubá-lo, nem ferrugem que o possa corroer, assim como ele é absolutamente inalienável, visto que nem mesmo a morte do corpo físico tem o poder de transferi-lo aos nossos herdeiros e sucessores.

O conhecimento é nosso, individual, e nos pertence verdadeiramente, uma vez que segue conosco para todo o sempre, sem se perder em nenhuma hipótese. É valioso e inestimável patrimônio que construímos ao longo do tempo, em múltiplas reencarnações, que nos conduzirá um dia à condição de Espíritos Puros, que não mais precisam reencarnar porque sabem tudo, tudo de tudo; que alcançaram a suprema felicidade, e já fazem o Bem pelo Bem, com a mesma naturalidade e repetência com que nós respiramos aqui na Terra.

Deixemos, portanto, a preguiça de lado e não percamos mais tempo!


Fonte: Mundo Espírita
 


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