Missão de Maria

Por Dedé Mafra

Uma retrospectiva amorosa da vida da mãe de Jesus

Existem espíritos que tem missão a cumprir, tanto no mundo espiritual, quanto aqui reencarnados na terra. A missão deles não é imposta. O espírito a pede e considera-se muito feliz em recebê-la.

Uma pessoa é reconhecida como tendo uma missão real, pelas grandes coisas que realiza, ajudando no progresso do seu semelhante. Sempre reencarnaram na terra espíritos com missões de impulsionar a humanidade para o progresso espiritual. A maioria deles teve êxito em suas missões.

Temos como missionários mais atuais:

FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER: teve como missão dar conforto e paz aos aflitos, trazendo por meio de sua mediunidade as mensagens do mundo espiritual que confortam e ensinam ao mesmo tempo. CHICO recebeu uma \”chuva\” de mais de 400 livros como previsto aos 17 anos, quando iniciava os estudos da Doutrina Espírita.

EURÍPEDES BARSANULFO: mesmo com toda dificuldade, executou um trabalho de fé gigantesco. Preocupado com a dor do próximo, estudara a fundo a medicina homeopática e criara farmácias que seguiam os postulados homeopáticos, visando o atendimento dos pobres e necessitados.

As farmácias, o colégio ALLAN KARDEC e o Grupo Espírita Esperança e Caridade, foram apenas algumas das obras desse missionário reconhecido como “O APOSTOLO DO TRIÂNGULO MINEIRO”.

BEZERRA DE MENEZES: tinha o encargo de médico como verdadeiro sacerdócio. Era chamado o \”MÉDICO DOS POBRES”. Ao terminar de ler o livro dos Espíritos ganho de um amigo, no dia 16 de agosto de 1886, um auditório com cerca de mais de 2000 pessoas, ouviu em silêncio, emocionado, atônito, a palavra do eminente político, do eminente médico, do eminente católico Dr. ADOLFO BEZERRA DE MENEZES, que anunciava aos quatros ventos sua adesão ao espiritismo. Dr. Bezerra foi um dos fundadores da Federação Espírita Brasileira e foi seu Presidente por duas gestões consecutivas.

ALLAN KARDEC: teve como missão organizar, por meio de uma codificação completa e perfeita, a nova concepção religiosa da alma, e desvendar o verdadeiro sentido dos ensinamentos de Jesus, ou seja, Kardec veio com a missão de codificar a doutrina espírita.

MARIA DE NAZARÉ teve uma missão muito grande e árdua, pois foi o espírito escolhido por Deus para ser a mãe carnal de Jesus, o CRISTO. E dela que vamos falar neste texto.

Lembranças e consolo

Maria era uma mulher de condições humildes e extremamente dedicadas. Serviu de médium para que o Espírito sublime de Gabriel revelasse ao mundo o advento do tão esperado Messias.

Nascida na cidade de Nazaré, na Galiléia, Maria de Nazaré assistiu angustiada a crucificação do seu filho. Junto da Cruz o vulto agoniado de Maria produzia dolorosa impressão. Com o pensamento ansioso e torturado, Ela regredia ao passado em amarguradas recordações. Ali está na hora extrema o seu filho bem amado. Maria deixava-se ir à corrente sem fim das lembranças. Eram as circunstâncias maravilhosas em que o nascimento de Jesus fora anunciado, a amizade de Isabel, as profecia de Simão.

Naquele instante supremo, revia a manjedoura, na sua beleza agreste. Em lágrimas, Maria repassou uma por uma as cenas da infância do filho, buscando no fundo do coração as mais doces lembranças, nas quais reconhecia a intervenção da providência celestial. Entretanto, naquela hora, em pensamento, ela fazia as mais aflitivas interrogações.

QUE FIZERA JESUS POR MERECER TÃO AMARGAS PENAS?

Não o vira crescer de sentimentos imaculados, sob o calor de seu coração? Desde bem pequeno quando o levara à fonte tradicional de Nazaré, observava o carinho fraterno que ele tinha para com todas as criaturas.

Freqüentemente ia buscá-lo nas ruas empedradas, quando sua palavra carinhosa, consolava os andarilhos, desamparados e tristes.

Quando Jesus estava mais ou menos com 4 anos e João com pouco mais, Isabel veio fazer uma visita à prima Maria e as duas crianças ficaram muito felizes; foram brincar correndo daqui e dali, até que as duas mães, distraídas, fazendo a ceia se deram conta que as crianças tinham desaparecido, saíram chamando por eles e os encontraram em cima de um monte.

João estava deitado olhando o vale lá embaixo e Jesus em pé, com o braço estendido como um general, que estivesse explicando a batalha que seu soldado tinha que travar.

Onde estavam, caso dessem um passo em falso, cairiam no precipício. Então as mães foram, pé por pé, e cada uma agarrou seu filho.

Maria falou a Jesus: \”Meu filho porque me preocupas tanto?\”

Ele olhou com olhos transparentes e muita calma disse:

– Minha mãe, eu estou cuidando dos negócios de meu Pai!

– Mas seu pai é José.

Jesus sorriu

– Meu Pai, aquele que me enviou!

Maria naquele momento, junto da cruz, em que revivia em pouco segundos o passado do filhinho amado, lembrou-se também de um dia a divina criança guiará até sua casa dois malfeitores, publicamente reconhecidos como ladrões do Vale de Mizepe. E era de emocionar ver o carinho com que a pequena criança cuidava dos desconhecidos, como seus irmãos.

Maria muitas vezes comentava a excelência daquela virtude santificada, receando pelo futuro do filho. Que profundos desígnios haviam conduzido seu filho adorado a cruz do suplício?

Uma voz amiga lhe falava ao espírito dizendo das determinações insondáveis de Deus, que precisam ser aceitas para a redenção divina das criaturas. Seu coração rebentava em lágrimas irreprimíveis, contudo, no fundo da consciência repetia a sua afirmação de sincera humildade: – FAÇA-SE NA ESCRAVA A VONTADE DO SENHOR!

Em meio algumas mulheres compadecidas que lhe acompanhavam o angustioso transe, Maria reparou que alguém colocara as mãos de leve sobre os seus ombros. Era João, o discípulo amado de Jesus, que vencendo a covardia que haviam mergulhados os demais companheiros lhes estendiam os braços amorosos reconhecidos. Em silencio João abraçou-se àquele torturado coração de mãe. E ambos no pé da cruz em gesto súplice buscaram ansiosamente a luz daqueles olhos misericordiosos, no cúmulo dos tormentos.

Foi aí que a fronte do divino Mestre se moveu vagarosamente revelando perceber a ansiedade daquelas duas almas em extremo desalento. MEU FILHO, MEU AMADO FILHO, exclamou Maria em aflição diante da serenidade daquele olhar de melancolia intraduzível. O CRISTO pareceu meditar no auge de suas dores, mas como se quisesse demonstrar no instante derradeiro, a grandeza de sua coragem, de sua perfeita comunhão com Deus, respondeu com significativos movimentos de olhos vigilantes:

– Mãe, eis aí teu filho!

E dirigindo-se de um modo especial com um leve aceno ao Apostolo João e disse:

-Filho eis aí tua mãe!

Maria envolveu-se em seu pranto doloroso, mas o grande evangelista compreendeu que o Mestre, na sua derradeira lição ensinava que o amor universal era o sublime coroamento de sua obra. Entendeu que no futuro a claridade do Reino de Deus revelaria aos homens a necessidade de acabar com todo o egoísmo dentro de cada coração; deveria existir a mais abundante cota de amor, não só para o círculo familiar, mas também para todos os necessitados do mundo.

Por um longo tempo se conservaram ali em preces silenciosa, até que o Mestre fosse arrancado da cruz.

Novas searas

Após a separação dos discípulos que se dispersaram por lugares diferentes, para pregarem a boa nova, Maria retirou-se para Boutanéia onde alguns parentes mais próximos a esperavam com especial carinho. Para Maria, mãe amorosa o tempo marcava sempre uma saudade maior no mundo e uma esperança mais elevada no céu. Relembrava seu Jesus pequenino, como naquela noite em que recebera nos braços maternais, iluminado pelos mais santos mistérios e do primeiro beijo de carinho e de luz.

Ao mesmo tempo, João tendo em mente as observações que o mestre lhe fizera na cruz, apareceu na Boutanéia oferecendo àquela mãe querida o refúgio de sua proteção.Lhe contou a sua nova vida: instalara-se definitivamente em Êfeso, onde os ideais cristãos ganhavam terreno entre as almas devotadas e sinceras.

João explicou que tinha demorado a vir buscá-la, pois precisava conseguir uma casa onde pudessem se abrigar. Entretanto, um dos membros da família real convertido ao amor do Cristo lhe doou uma casinha pobre ao sul de Êfeso, onde estabeleceriam um pouso e refúgio aos desamparados, ensinariam as verdades do Evangelho às pessoas de boa vontade e, como mãe e filho, iniciariam uma nova era de amor na comunidade universal.

Em pouco tempo instalaram-se no seio amigo da natureza em frente ao oceano. A casa de João e Maria, ao fim de algumas semanas, se transformara num ponto de reuniões adoráveis onde as recordações de Jesus eram cultuadas por pessoas humildes e sinceras. Maria externava suas lembranças, falava de Jesus com maternal carinho; enquanto o apostolo João comentava as verdades evangélicas, apreciando e repassando os ensinos recebidos. Muitas vezes as reuniões só terminavam noite alta.

E não foi só isso. Passados alguns meses, a notícia de que Maria descansava agora entre eles espalhara um clarão de esperança por todos os sofredores. Enquanto João pregava na cidade, as verdades de Deus ensinadas por Jesus, Maria atendia em sua casa modesta aos que a procuravam mostrando suas úlceras e necessidades. Sua choupana era então conhecida pelo nome: A CASA DA SANTÍSSIMA!

O fato tivera origem em uma ocasião quando um leproso, depois de aliviado em suas chagas lhe beijou as mãos reconhecidamente dizendo: SENHORA SOIS A MÃE DO NOSSO MESTRE, A NOSSA MÃE SANTÍSSIMA! O conceito espalhou-se por todas as pessoas. E João confirmava dizendo que o mundo lhe era eternamente grato, pois fora pela sua grandeza espiritual que Jesus pudera encarnar na terra para aliviar os sofrimentos das criaturas, e deixar seu Evangelho como ponte para Deus, como código de conduta, ou como passaporte para a perfeição.

Diariamente chegavam os desamparados pedindo a sua assistência espiritual. Maria lhe olhava com amor e bondade deixando transparecer toda dedicação de seu espírito maternal. Isso também passa, dizia Ela carinhosamente; só o reino de Deus é bastante forte, para nunca passar de nossas almas como eterna realização do amor celestial. Suas palavras acalmavam a dor dos mais desesperados.

Perseguições, fé e caridade

A igreja de Êfeso exigia de João quase todo o seu tempo e, por isso, com o passar dos anos, quase sempre Maria estava só, quando a legião humilde dos necessitados voltava aliviada para os seus lares. Mas de súbito Maria recebeu notícias de que um período de dolorosas perseguições estava aberto a todos os que fossem fiéis a Doutrina de Jesus. Em obediência as leis mais injustas, escravizavam os seguidores do Cristo, destruíram-lhes os lares e os colocavam nas prisões. E eram depois exibidas em festas públicas, em que seus corpos eram dados como alimentos às feras em horrendos espetáculos.

Certa ocasião, no começo da noite, Maria começou orar como de costume, pedindo a Deus por todos aqueles que estavam presos e sofrendo por amor a Jesus. Elevada em suas meditações, Ela viu aproximar-se o vulto de um pedinte – Minha Mãe! Falou o recém chegado como tantos outros que recorriam ao seu carinho. VENHO FAZER-TE COMPANHIA E RECEBER TUA BENÇÃO!

Ela o convidou a entrar impressionada com aquela voz, que lhe inspirava profunda simpatia. O peregrino lhe falou do céu confortando-a delicadamente. Comentou sobre às bem aventuranças divinas que aguardam a todos os devotados e sinceros filhos de Deus, dando a entender que sabia o que se passavas em seu coração.

Maria estava impressionada. Que mendigo seria aquele que lhe acalmava os dores secretas da alma saudosa? Seus olhos se umedeceram de venturas em que conseguisse explicar a razão de sua terna emotividade. Foi quando o hóspede anônimo estendeu-lhe as mãos generosas e lhe falou com profundo amor… MINHA MÃE VEM AOS MEUS BRAÇOS!

Nesse instante olhou as mãos nobres que o desconhecido lhe estendia. Tomada de emoção profunda, viu nelas duas chagas; instantaneamente dirigindo o olhar para os pés, viu também aí as úlceras cravadas pelos cravos do suplício. E Compreendendo a visita amorosa que Deus lhe enviava ao coração gritou com infinita alegria:

MEU FILHO AS ÚLCERAS QUE TE FIZERAM!

Maria abraçara Jesus no escuro da noite apenas com a luz do luar, procurando a úlcera que tantas lágrimas lhe provocaram. SIM MINHA MÃE SOU EU, VENHO BUSCAR-TE, POIS MEU PAI QUER QUE SEJA NO MEU REINO A RAINHA DOS ANJOS! Maria cambaleou tomada de inexprimível ventura. Queria dizer de sua felicidade, manifestar seu agradecimento a Deus, mas o corpo como que paralisado, enquanto em seus ouvidos chegavam os ecos suaves da saudação dos anjos, como se entoassem mais de mil vozes por entre a terra e o céu.

Quando João chegou Maria já não falava mais, por algumas horas ainda esperou a ruptura dos laços que a prendiam a vida material. Antes de voltar para o mundo espiritual, Maria ainda atendeu a um chamado através de uma oração, dos discípulos de Jesus que estavam presos, perseguidos pela crueldade do mundo.

Olhando com confiança para os presos em sofrimento orou com eles. Espalhou a claridade misericordiosa de espírito entre aquelas fisionomias pálidas e tristes. Eram anciões que confiavam no Cristo, mulheres que dispersaram o conforto do lar, jovens que depositaram no Evangelho de Jesus toda a sua esperança. Maria aliviou-lhe o coração, e antes de partir sinceramente, desejou deixar-lhes uma lembrança perene.

QUE POSSUÍA PARA LHES DAR?  Deveria se dedicar em pedir a Deus por eles a liberdade? Mas Jesus ensinara que com Ele todo jugo é suave e todo fardo é leve, parecendo-lhe melhor a escravidão com Deus de que a falsa liberdade do mundo. Recordou que Jesus também deixara a força da oração entre os discípulos como um poder incontestável. Então rogou aos céus que pusesse deixar entre aqueles cristãos presos à força da alegria.

Foi quando se aproximou de uma jovem encarcerada e disse ao seu ouvido: CANTA MINHA FILHA TENHAMOS BOM ÂNIMO, CONVERTAMOS AS NOSSAS DORES DA TERRA EM ALEGRIAS PARA O CÉU! A triste prisioneira, nunca saberia compreender, o porquê da emotividade que lhe fez vibrar subitamente o coração.

De olhos parados contemplando o firmamento, através das grades poderosas, ignorando a razão de sua alegria, cantou um hino de profundo e enternecido amor a Jesus em que dizia de sua gratidão pelas dores que lhes eram enviadas, transformando todas as suas amarguras, em consoladoras rimas de júbilo esperanças.

Daí a instantes seu canto melodioso, era acompanhado por centenas de vozes, dos que choravam no presídio aguardando o glorioso testemunho. Logo a caravana luminosa espiritual, conduzia Maria para o reino do Mestre, a BENDITA ENTRE AS MULHERES!

E desde esse dia nos tormentos mais duros, o discípulo de Jesus tem cantado na terra exprimindo o seu bom animo a sua alegria, guardando a suave herança de nossa MÃE SANTÍSSIMA!

E para encerrar um versinho do poeta Amaral Ornelas que está no livro Parnaso de Além Túmulo psicografado pelo querido Chico Xavier:

AVE MARIA SENHORA
DO AMOR QUE APARA E REDIME
AI DO MUNDO SE NÃO FORA
A VOSSA MISSÃO SUBLIME!


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