“Não construam uma igreja em cima do meu nome”

Paola Victorelli é neurocientista da comunicação com pesquisa junto ao Centro de Neurociência da Universidade de Ferrara, na Itália. Quem primeiro lhe falou sobre o Evangelho de Tomé foi Monsenhor Luciani, futuro Papa João Paulo I, o qual, curiosamente, fez referência ao Evangelho de Tomé, no texto, oficial, Angelus domenical, uma semana antes de sua morte: “Deus não é só Pai, é Mão também”.

Este trecho foi retirado do Evangelho de Tomé, que diz é: “Porque minha mãe deu-me a morte, mas minha verdadeira Mão deu-me a vida” (Tomé, 101). Nesse trecho Jesus distingue a família consangüínea, a mãe que produziu o corpo físico, da família universal a que pertencemos em Espírito (criado por Deus). Existem muitas pessoas na Igreja Católica interessadas em estudar os textos gnósticos. O papa o João Paulo I era uma delas.

Leia o depoimento de Paola Victorelli: “Gostaria de esclarecer que foi criada na Itália, em Verona, e minhas aulas de religião foram durante toda minha formação feitas por Franciscanos descalços. Um deles inclusive trabalhou anos como ajudante na biblioteca do Vaticano. Tenho na família dois Franciscanos.

Os manuscritos encontrados em Nag Hammadi, no Egito, em 1945, do qual faz parte o Evangelho de Tomé, passaram não só por todos os testes científicos de comprovação e de compilação, como este, especificamente, que data de 40 anos após a morte de Jesus. Sendo eu mesma estudiosa de tais manuscritos, há 20 anos, jamais me deparei com contrariedades, tanto menos meu professor da ordem dos Franciscanos jamais discordou da autenticidade de tais documentos!

Hoje vários religiosos, inclusive, discutem a possibilidade dos quatro evangelhos [Marcos, Mateus, Lucas e João] terem sido extraídos do Evangelho de Tomé – esse foi compilado, pelo menos, 60 anos antes da dos evangelhos bíblicos e também por conter em vários trechos, idênticos ensinamentos encontrados na Bíblia.

Não falo de conspirações, nem tanto menos de enganos, mas bem sabemos que dogmas são criados para que não se façam perguntas. Portanto, creio ser dever de um cristão ler TODOS os evangelhos gnósticos. Creio, porém, que estes documentos gnósticos sejam para a Igreja motivo de preocupação, pois neles Jesus diz: “Não construam uma igreja em cima do meu nome”. A nós foi dado o livre-arbítrio. Que ele seja exercido em plenitude. Este é o conceito maior do Evangelho de Tomé. Tendo sido citado por um papa não vejo como pode ser considerado por quem quer que seja uma declaração falsa! Informar é dever de quem não teme confundir a arma do covarde e ocultar a arma do poder”. (P.H.F)


Continue no Canal
+ Especial Maria Madalena