O que é gnose?

Gnosticismo ou gnose são termos antigos, derivados do grego e que significam conhecimento. A gnose representava o entendimento da essência do Cristianismo, sem a alegoria das parábolas. Esse conhecimento era conquistado pela compreensão de si mesmo, retomando as idéias de Sócrates (470? – 399 a.C.). A gnose era uma libertação elaborada vida após vida, pela reencarnação. A comunicação com os Espíritos era um instrumento fundamental dos cristãos primitivos. Além disso, nessa interpretação da fé cristã, a mulher e o homem estavam lado a lado em igualdade na busca da Verdade. Ou seja, por essas resumidas características da gnose nota-se que um resgate de seus conceitos equivaleria ao próprio Espiritismo, proposto por Kardec.

Valentino (nascido por volta do ano 100 em Alexandria) foi um dos mais influentes estudiosos do gnosticismo. Até ser perseguido no final da vida, Valentino teve uma atuação marcante no movimento cristão, mas acabou por ser declarado herético pelo clero. Em seguida, a visão dele sobre o Cristianismo foi abandonada e esquecida. Valentino talvez tenha sido um dos últimos gnósticos a ter alguma proeminência na Igreja. No ano 185, Irineu – considerado bispo de Lyon, na França – estava publicando seu primeiro ataque ao gnosticismo no livro A Detecção e Refutação da Falsamente Chamada Gnose; denominando-o como um movimento herético, combateu os ensinos de Valentino. A ofensiva cresceu ferozmente no século seguinte. As censuras evoluíram para as sentenças de morte.

A diferença entre Evangelhos Gnósticos e apócrifos

A palavra apócrifo vem do grego apokryphos que significa oculto ou escondido. A Igreja passou a dar uma conotação pejorativa para o termo, considerando apócrifa uma obra não autêntico.

Com as descobertas de legítimos textos cristãos, como os de Nag Hammadi, o significado original está sendo retomado. A Igreja Católica considera não autênticos todos escritos cristãos exceto os do Novo Testamento, considerados canônicos. É curioso, mas os protestantes e os judeus consideram apócrifos os livros Tobias, Judite, I e II Macabeus, Sabedoria, Eclesiástico e Baruque, acrescentados à Bíblia pelos católicos. Por tanto, nem todo apócrifo é gnóstico, mas, para o Catolicismo, todo texto gnóstico é apócrifo.

Elaine Pagels, professora de Religião na Universidade de Princeton e uma das grandes especialidades mundiais sobre os Evangelhos Gnósticos, considera que “a descoberta surpreendente de diversos outros documentos dissimulados durante quase 2000 anos, modifica nossa compreensão dos primórdios do cristianismo. Essas descobertas erradicam o mito de uma religião monolítica e mostram o quanto o movimento cristão era realmente diversificado e fascinante no seu início”. (P.H.F.)

 

No 3º século, pelo esforço e luta de seus integrantes, a Igreja Católica tornou-se poderosa aliada do Estado Romano, combatendo sistematicamente qualquer dissidência religiosa. À revelia dos ensinamentos de Jesus – que não queria estabelecer uma igreja, mas propunha uma transformação moral da humanidade – tornou-se uma instituição centralizada no bispo de Roma, elevado à condição de líder supremo de todos os bispos, o papa.

[O termo gnose vem do grego gnôsis cujo significado é conhecimento, deriva-se do verbo gignosko que significa conhecer. Ao latinizar-se se converteu em gnoscere, ou seja, conhecer. Gnóstico, portanto, é um conhecedor ou aquele que sabe ou que detém o conhecimento. Conheça a definição de gnose por estudiosos do tema:

Jean-Michel Angebert, em O Livro da Tradição: A gnose é uma escola de pensamentos total que engloba a um só tempo o microcosmo e o macrocosmo unindo ciência, fé e magia numa verdade única. O objeto supremo da gnose é o de casar harmoniosamente a inteligência e o espiritualismo;

Elaine Pagels, em Os Evangelhos Gnósticos: A gnose envolve um processo intuitivo de conhecer-se a si mesmo. E conhecer-se, afirmavam eles, é conhecer a natureza humana e seu destino. Conhecer-se no nível mais profundo é simultaneamente conhecer Deus; esse é o segredo da gnose;

Maria Helena de Oliveira Tricca, em Apócrifos II: O gnosticismo é uma corrente filosófica que a Igreja Cristã Ortodoxa dos primeiros séculos considerou herética. Deriva de Pitágoras, de Sócrates e Platão, de Zoroastro. Também tem raízes nas religiões do Egito e da Mesopotâmia. Englobava, portanto, todo o conhecimento existente. Seus adeptos acreditavam que o Conhecimento, podia chegar ao homem por meio de transes, quando espírito ficava livre para circular pelas diversas esferas. Era o que faziam alguns filósofos gregos.

 


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