Para o Encontro Fraterno respeito aos animais e ao meio ambiente engrandece o espírito

Entrevista a Manoel Fernandes Neto

Casa-Irmã da S.E. Nova Era, a Sociedade Espírita Encontro Fraterno completa 20 anos de existência no dia 21 de novembro. Duas décadas de trabalho incessante em prol da Doutrina dos Espíritos. A data será comemorada com palestras e seminários, reafirmando que um dos objetivos da Casa é a disseminação do conhecimento. Nesta entrevista, Madalena Parisi Duarte, atual presidente, fala do trabalho que vem sendo realizado, faz um balanço da atuação, e reafirma sua convicção em dois pilares inovadores no Movimento Espírita – o respeito aos animais e ao meio ambiente.

S.E. Nova Era – 20 anos de fundação. Quais foram os ensinamentos e lições dessa caminhada de duas décadas?

Madalena – Nestes 20 anos de existência da Sociedade Espírita Encontro Fraterno, pudemos colecionar ensinamentos a mancheias, extraídos da Doutrina Espírita, assim como lições que a vivência prática costuma nos oferecer. Entre elas, a importância da reflexão, da humildade e da flexibilidade diante de situações de difícil ou delicada solução. A Doutrina Espírita, fundamentada nas verdades de Jesus, na razão e no bom senso, sempre nos serve de parâmetro seguro, auxiliando-nos a vencermos as dificuldades que eventualmente se apresentem no caminho.

S.E. Nova Era – Pode nos falar um pouco sobre a mudança de foco da Escola de Educação Infantil Meimei, em 2012?

Madalena – A criação do Recanto de Educação Infantil Meimei foi motivada por um compromisso e também por um ideal: oferecer gratuitamente, em período integral, um ambiente saudável e boa formação em nível pré-escolar a crianças de 4 e 5 anos, oriundas de famílias de baixa renda financeira. Entretanto, das 20 vagas oferecidas, apenas seis foram preenchidas no decorrer do ano letivo de 2011, tendo restado evidentes dois fatores principais: falta de demanda para o nível pré-escolar e, infelizmente, preconceito religioso, visto tratar-se de escola mantida por uma sociedade espírita.

Diante dessa evidência, e considerando os custos de manutenção, optamos por redirecionar o foco inicial. Assim, firmamos uma parceria com o Grupo de Escoteiros Theophilo Bernardo Zadrozny, que instalará um grupo de “lobinhos”, utilizando como sede as dependências do Recanto de Educação Infantil Meimei. Além dessa atividade, que preconiza o aprimoramento do caráter das crianças e sua educação como cidadãs por meio do “aprender fazendo”, estamos elaborando projetos para oferecer, a partir de março de 2012, em bases mensais, minicursos para a comunidade, com custos de inscrição simbólicos. Entre eles, Educação para o lar; Culinária saudável; Preparação para o primeiro emprego; Pintura em tecido, etc., além de palestras sobre temas multidisciplinares, a serem ministrados por profissionais voluntários, de várias áreas do conhecimento.

S.E. Nova Era – O que agregou de experiência até agora ao Encontro Fraterno essa iniciativa educacional?

Madalena – Por um lado, o encerramento das atividades da pré-escola nos trouxe certa frustração, visto ter sido criado por objetivos nobres. Por outro lado, entretanto, alegrou-nos perceber que não há demanda, o que nos leva a acreditar que o município esteja caminhando bem no que tange à educação infantil. Preferimos, contudo, vislumbrar a experiência vivida como um atalho que nos levou a uma estrada maior, a ser palmilhada por crianças – os lobinhos – e por adultos, que poderão usufruir os minicursos e palestras a serem oferecidos.

S.E. Nova Era – O Encontro Fraterno, além de estudo e palestras doutrinárias, tem um foco bastante esclarecedor em relação ao respeito aos animais e ao meio ambiente; como foi se desenhando essa atuação nesses 20 anos?

Madalena – Três aspectos, em especial, levaram-nos, ao lado dos demais dirigentes da SEEF, a destacar a questão espiritual dos animais: respeito aos animais; coerência para com os ensinamentos da Doutrina Espírita; e coerência para com os ensinamentos de Jesus, que pregou o amor e a misericórdia incondicionais. Embora para muitos adeptos do Espiritismo o assunto ainda esteja ligado ao campo do tabu, não podemos fazer vistas grossas aos ensinamentos contidos em O Livro dos Espíritos, parte 2ª, cap. X – Dos Três Reinos – “Os Animais e o Homem” e em outras obras subsidiárias da Doutrina Espírita, como “A Reencarnação”, de Gabriel Delanne (cap. V); “Revista Espírita” de março de 1860, de Allan Kardec; “O Consolador”, do espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier; em conhecidas obras de André Luiz e de Humberto de Campos, também psicografadas pelo citado médium, entre outras tantas, da autoria de escritores espíritas brasileiros, encarnados.

Em especial, nos alicerçamos, na abordagem que procuramos fazer sobre o assunto e no espaço que reservamos à questão animal, nas palavras de Emmanuel, contidas no livro do mesmo nome, psicografado por Francisco Cândido Xavier (cap. XVII – À sombra dos princípios): “[…] E, como o objetivo desta palestra é o estudo dos animais, nossos irmãos inferiores, sinto-me à vontade para declarar que todos nós já nos debatemos no seu acanhado círculo evolutivo. São eles os nossos parentes próximos, apesar da teimosia de quantos persistem em o não reconhecer.” Cabe-nos, ainda, destacar a frase de Abraham Lincoln, ex-presidente americano de reconhecida sabedoria: “Não me interessa nenhuma religião cujos princípios não melhorem nem levem em consideração as condições dos animais.” Para nossa satisfação, na Doutrina Espírita os animais são levados em consideração, como nos comprovam as obras citadas e muitas outras que vêm surgindo dia a dia nesse campo.

S.E. Nova Era – Como você vê a consciência do ser encarnado na Terra em relação ao respeito ao meio ambiente e aos animais? Em que estágio nós estamos e o que ainda precisamos conquistar?

Madalena – Aprendemos, na Doutrina Espírita, que “a Natureza não dá saltos”, e que somos espíritos em evolução, ou seja, imperfeitos, em busca da plenitude moral e espiritual. Assim, embora com profunda tristeza, acompanhamos os desmandos do ser humano em relação ao meio ambiente e os maus-tratos infligidos aos animais, sem contar que a vida de milhões deles é ceifada, diariamente, para que sua carne sirva de alimento ao ser humano, não obstante os incontáveis recursos orgânicos hoje disponíveis. Percebemos, portanto, que permanecemos ainda em estágio bem inferior em termos de sensibilidade, fraternidade, misericórdia. Infelizmente, serão necessários séculos ou mesmo milênios para que o ser humano passe a ver no animal um “parente próximo” em evolução…

S.E. Nova Era – Qual a sua expectativa em relação à programação dos dias 24, 26 e 27? Como foram definidos os palestrantes e eventos?

Madalena – Aguardamos com sincera emoção a realização dos eventos programados em comemoração aos 20 anos da SEEF. Um dos palestrantes e médium de psicopictografia, Florencio Anton, do Grupo Espírita Scheilla, de Salvador-BA, é quase um membro de nossa Casa Espírita, alegrando-nos com sua presença uma ou duas vezes por ano, desde 2006. E, para corroborar o espaço que a SEEF reserva com carinho para a questão dos animais, convidamos Gilberto de Azevedo Marques – o Irmão Gilberto -, do Grupo Fraternal Francisco de Assis, de São Bernardo do Campo-SP, para ministrar o minisseminário “Nossos irmãos menores animais e sua não-humanização”. Além da presença desses queridos irmãos espíritas, programamos também um Festival de Música Espírita, com irmãos de ideal de nossa própria instituição e de outras coirmãs.

S.E. Nova Era – Qual a sua visão do movimento espírita catarinense e brasileiro?

Madalena – Constatamos com alegria a marcha do Movimento Espírita Brasileiro, no visível crescimento do número de adeptos e na exposição que vem tendo em vários veículos de comunicação, com destaque, nos últimos anos, para a série de filmes produzidos e que mereceram ótima aceitação do público espírita e dos simpatizantes da Doutrina. Em relação ao Movimento Espírita Catarinense, alegra-nos perceber sua modernização, acompanhada da realização de importantes eventos, no Estado, que contribuem para a ampliação do conhecimento doutrinário, bem como para estreitar os laços de união entre as diferentes instituições espíritas e fortalecer o movimento de unificação, ou seja, o estudo, a prática e a divulgação da Doutrina Espírita de acordo com as obras de Allan Kardec.

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