Para Sardano, atitude do espírita fortalece o movimento

Por Manoel Fernandes Neto

Na sua diretriz de abrir a casa para palestrantes de outras sociedades e núcleos de Blumenau e de várias regiões do país, esteve na S.E. Nova Era, onde preferiu palestra sobre a importância do Evangelho nos dias de hoje, Miguel de Jesus Sardano, advogado, professor, orador e articulista de vários jornais espíritas.

Autor do livro “Nas Pegadas do Nazareno”, e “Divaldo, mais do que uma voz, um hino de amor a vida”. Dirige e apresenta o programa “Presença Espírita”, na Rede Boa Nova de Rádio (Guarulhos-SP), desde 1992.

Presidente e fundador, junto com Terezinha Sardano, do Centro Espírita “Dr. Bezerra de Menezes” e da Instituição “Amélia Rodrigues” , em Santo André, com creche para 250 crianças, realizou palestras em quase todos os estados do Brasil, e em alguns países do exterior como Portugal, França, Espanha, Colômbia, Estados Unidos, Paraguai, Bolívia, Inglaterra, Suiça, Canadá e Itália. Participa ativamente do Movimento Espírita em Santo André, onde reside.

Acompanhe agora a entrevista:

Nova Era – Atualmente Jesus é compreendido como deveria ser?

Miguel de Jesus Sardano – Eu penso que nós ainda não o entendemos na forma ideal, pois temos nosso pensamento relativo às nossas limitações, aos nossos interesses, às nossas conveniências. Dessa forma, Jesus é compreendido na medida do nosso progresso espiritual, da nossa evolução, do nosso entendimento.

Nós, espíritas, em tese, buscamos ter um entendimento mais espiritual do que material. Uma compreenção a respeito do verdadeiro sentido das palavras do Mestre e de Seus ensinamentos; todavia, eu creio que, de um modo geral, mesmo nós, ainda não alcançamos o real entendimento de Jesus.

 

Nova Era – Espiritismo chegará às chamadas “massas”?

Miguel de Jesus Sardano – Eu creio que é uma questão de tempo alcançar grandes contigentes da humanidade, pois a verdade deve prevalecer. O Espiritismo, como disse Kardec, está inserido na lei da natureza, está no ar. Mais cedo ou mais tarde os ensinamentos dos espíritos serão absorvidos por todas essas organizações religiosas da terra. Mas temos que lembrar, e isso tem que ficar claro, que talvez não seja utilizado a classificação como espiritismo. Mas com certeza, como são ensinamentos universais, sem duvida nenhuma eles alcançarão as massas.

Nova Era – Professor, uma questão, muito delicada nos dias atuais, é como fazer a mensagem evangélica chegar aos jovens. Como nós podemos trazer para a casa espírita este contigente tão importante para renovação do movimento?

Miguel de Jesus Sardano – Realmente nós estamos vivendo um momento muito grave, muito sério no contexto da humanidade, quando conversamos sobre a juventude e sua instrução espiritual, mas é um fenômeno transitório. Eu me recordo que nos anos 50, 60 o movimento espírita da juventude era muito grande com confraternizações, reunindo centenas e algumas vezes até milhares de jovens.

Hoje, no entanto, os apelos são muito fortes em relação aos imediatismos, como as paixões cada vez mais corporais. Ou seja, estamos vivendo um momento de grande perturbação. Não é fácil hoje atrair os jovens para uma vida mais espiritualizada. Talvez o problema maior seja a educação dentro do próprio lar; a falta de preparo dos próprios pais que deveriam encaminhá-los desde cedo a Evangelização infantil, para que mais tarde eles pudessem dar seqüência ao trabalho de mocidades espíritas. Hoje vemos o esforço somente pela vaga na universidade, pelo estudo, pela colocação profissional. A juventude está muito dispersa, está vivendo um momento muito grave da sua realidade. Mas creio que é um fenômeno transitório.

Nova Era – Os pilares ciência, filosofia e religião são compreendidos como um todo pelo movimento espírita brasileiro?

Miguel de Jesus Sardano – Não, ainda não. Lamentavelmente, porque o Espiritismo é uma ciência de observação, e é também uma filosofia de indagação, além de ser uma religião, pois promove o ser humano em direção de Deus. Falando de Deus, de suas leis, de sua justiça; falando do bem, falando, enfim, de toda a moral que está no Evangelho de Jesus, nós não podemos negar nosso caráter religioso.

Mas, infelizmente, as pessoas se dividem; cada uma se apegando a um único aspecto. E não ao conjunto. Pois o ideal é que as pessoas compreendam a doutrina como um todo: Ciência, Filosofia e religião. Que é realmente sua estrutura e formação.

 

Nova Era – Como o senhor analisa o Movimento Espírita brasileiro?

Miguel de Jesus Sardano – O Movimento Espírita Brasileiro no momento passa por algumas dificuldades de relacionamento, mas com certeza nada insuperável. Nós estamos vivendo também uma época difícil como toda a humanidade e sem união nós não temos unificação; uma afirmativa que pode parecer óbiva mas não é.

E temos alguns conflitos dentro do nosso movimento, algo que vamos evoluir por meio do diálogo. As dificuldades em qualquer núcleo são naturais e sempre aconteceram na Terra por causa do ser humano, mas é um fenômeno que vai passar.

Vemos a Federação Espírita Brasileira (FEB), a pioneira, a instituição Mater do espiritismo no Brasil e que nem sempre é bem recebida por todos os segmentos,  mas que nós devemos tudo que nós temos hoje em matéria de divulgação da doutrina espírita. A Federação Espírita Brasileira tem sido o baluarte da construção deste imenso edifício da nossa Doutrina. Nós temos falhas, como qualquer movimento humano, mas de um modo geral, fazendo um balanço, está mais positivo do que negativo. Vamos evoluir, com certeza.

Nova Era – O senhor poderia deixar uma para os dirigentes das casas e sociedades Espíritas do Brasil…

Miguel de Jesus Sardano – Nós encontramos na Doutrina Espírita o suporte para todas as situações. Allan Kardec foi muito sábio. Ele deixou, inclusive, para todos nós, o modelo da organização espírita e de como deve funcionar uma casa espírita. Hoje temos vasta literatura de manuais de instrução, modelos de estatuto. Acredito que o mais importante é a responsabilidade de cada um em relação ao fortalecimento do nosso movimento, a consciência do nosso futuro como Espíritos, o cumprimento do dever do verdadeiro “homem de bem”, citado no Evangelho, segundo Espiritismo. Tudo isso é o que faz com que o movimento espírita possa ser aceito pela sociedade e respeitado: pelo nosso comportamento, pela nossa retidão de caráter, pelo nosso exemplo; sobretudo nas gestões de nossas instituições.

 

 


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