Parem de dizer que Deus está nos punindo. Deus nos ama infinitamente

Franklin Félix | Nós espíritas acreditamos que a Terra está  passando por um processo de transição planetária.

“Mas tu, Senhor, és Deus compassivo e misericordioso, muito paciente, rico em amor e em fidelidade.” Salmos 86:25

Para espíritas, os mais ortodoxos, estamos passando por um período de regeneração a fórceps. Para alguns evangélicos, Deus nos pune por nossos excessos. Para determinados grupos católicos, é o início do fim, o apocalipse.

Todas essas teorias são partilhadas aos montes, o dia inteiro, via redes sociais, o principal – e às vezes único – meio de comunicação em tempos de pandemia. Sempre evocando culpa, punição, vingança e um Deus raivoso, tirano.

Se estamos sendo “punidos” é pelas nossas próprias escolhas, pelas nossas atitudes e pelo nosso egoísmo. Elegendo políticos que não se preocupam com os problemas do povo, não tomando, por exemplo, medidas para evitar a proliferação do vírus e tirando ainda mais direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras.

 

Deem o nome que quiser: causa e efeito, ação e reação, lei do retorno.

O mal não procede de Deus!

“Amado, jamais imites o que é mau, mas sim o que é bom. Aquele que faz o bem é de Deus; aquele que pratica o mal não conheceu a Deus.” João 1:11

Dia desses recebi uma mensagem de um desses oradores espíritas famosos, era mais do mesmo, uma mensagem atribuída a um espírito que, quando encarnado, ocupou a função pública e exerceu a medicina. Cheia de senso comum, proselitismo, ideias preconcebidas e nada, absolutamente nada de Kardec, de fé raciocinada.

Nós que acreditamos em um Deus bom e justo, causa primeira de todas as coisas que há no mundo, um Deus misericordioso e generoso, não podemos nem espalhar essas mensagens, muito menos aproveitar esse momento tão triste para criar teorias que se afastam das bases espíritas e cristãs. Há um certo grau de vaidade nesses médiuns, que querem ser os precursores e ter sempre opinião sobre tudo.

Primeiramente é importante destacar mais uma vez – eu já tinha feito isso em outros textos também publicados por CartaCapital – que espírita nenhum acredita em profecia e muito menos em limite de data para nossa evolução. Nós não somos uma “experiência” de Deus, tampouco, suas marionetes.

Indagados sobre isso, os espíritos responderam à Kardec: “Devem, além disso, considerar-se suspeitas, logo à primeira vista, as predições com época determinada, assim como todas as indicações precisas, relativas a interesses materiais.”

Isso é totalmente incompatível com os ensinamentos dos espíritos e com os postulados de Kardec.

Nós espíritas acreditamos que a Terra está passando por um processo de transição planetária, de um mundo de provas e expiações, para um mundo de regeneração. Mas isso é tão gradual, seguindo o ritmo da evolução do nosso Universo, que quando percebermos, já estaremos em condições evolutivas melhores.

 

Para o Espiritismo, a evolução envolve aspectos distintos e plurais, com infinitas trajetórias possíveis. Não é um processo linear, não há um caminho certo. A evolução não é apenas individual, mas do grupo de pessoas, encarnadas e desencarnadas, ao qual se está ligado. Evoluir implica em mudar a mentalidade e a massa crítica do grupo social.

Nós, enquanto reencarnacionistas, temos uma preocupação ainda maior, pois sabemos que precisamos deixar a casa em ordem para o nosso retorno, se tivermos a alegria de voltarmos a habitar o planeta Terra, uma das várias moradas possíveis do espírito.

Cuidemos da natureza, cuidemos uns dos outros e cuidemos de nós mesmos.

Para finalizar, pegamos emprestado a poética de Flammarion: “Essas e outras tantas belezas são a presença discreta de Deus na natureza que nos cerca, dizendo-nos que também somos Suas criaturas e que fazemos parte desse Universo maravilhoso, e que, acima de tudo, somos herdeiros desse mesmo Universo, como filhos do Criador que somos todos nós. (…) Justa é a nossa admiração por tudo o que vive na superfície da Terra.”

 

Lembrem-se, assim como a canção da comunidade Taizé:

“Deus é amor,
arrisquemos viver por amor.
Deus é amor,
ele afasta o medo.”

Publicado em Diálogos da Fé


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