Perdão é saudável

Por Rose Mary Grebe

Hammed num capítulo do livro Renovando Atitudes em que fala do perdão nos faz pensar sobre os conceitos que temos implantados em nós sobre o perdão. Estes conceitos podem nos ajudar como entravar esta capacidade.
Algumas de nossas crenças sobre o perdão:

Ficar apático diante dos erros alheios: é não modificar uma situação que entendemos como errada. Isto dentro da família, trabalho, conjuntura nacional. Muitas vezes por não concordarmos, seremos penalizados. (outro dia um socorrista da ambulância do SUS registrou que não foram feitos os procedimentos protocolares e acabou sendo demitido)

Aceitar de forma passiva as agressões, abusos, desrespeito aos nossos direitos: e isto acontece muito, por falta de esclarecimento nosso, por acharmos que o outro é um coitado.

A indignação é sentimento que, às vezes, se torna necessário diante da atitude descabida de alguém. Tal atitude não se deve assumir, porém, o caráter da agressão nem do revide, devendo, sem dúvida, ser manifestada para que o outro perceba as conseqüências de seus atos. Contudo, em várias ocasiões, por gostar muito de alguém, relevamos suas atitudes inadequadas para conosco e com outros, confundindo os sentimentos e perdoando quando caberia a repreensão e advertência obrigatória. Acabamos permitindo e, com isso, nos violentando.

Conviver estreitamente com a pessoa que nos prejudicou: É salutar um certo “distanciamento mental”, é o “separar emocionalmente” de alguém que no momento não confiamos. Vamos tentar entender e perdoar, mas isto não quer dizer que precisemos trazer para junto de nós o “agressor”. Quem sabe, com mais maturidade, mais esclarecimento, possamos voltar a conviver. Mas tudo isso precisa de um tempo.

Esquecer o mal que nos foi feito: Outro equívoco que aprendemos sobre o perdão. Seria demonstrar a falta de memória. Como dizer que esquecemos algo que nos machucou?

Já vimos que perdoar não é o que muitos de nós aprendemos.

Provavelmente se temos estes conceitos que nos foram ensinados sobre o perdão, será muito difícil perdoar.
Isto porque quando somos ofendidos, agredidos, espezinhados, formamos um elo energético negativo com aquele ser (o agressor) e ficamos remoendo o acontecido, muitas vezes dando fermento àquela situação.

Jorge Luiz Hessen , Expositor Espírita na região de Brasília e Goiás, Articulista das Revistas "Reformador", "O Espírita" e "Brasília Espírita " nos chama atenção para algo que geralmente acontece:

“Se fomos ofendidos por esse ou aquele motivo, quase sempre encapsulamos o desejo de desforra e mantemos o "link" mental com as forças poderosas das trevas, que somadas a outras tantas potencializam as sombras de nossos desagravos “

A palavra perdoar vem do Latim perdonare; dar plenamente, doar totalmente. Perdoar é desligar-se, libertar-se, livrar-se.

E o Espírito Hammedd nos diz:

“…. perdoar é, acima de tudo, compreender as dificuldades.” Entender que o equivocado é quem ofendeu. Poderíamos, ao invés de equivocado dizer “doente”.

É com este entendimento que poderemos nos desligar daquela situação que nos machucou tanto. Na verdade um benefício para nós, pois o estar ligado com algo tão negativo, nos envenena devagarzinho.

Cristina Cairo, uma terapeuta de PNL ( programação Neurolinguística), conhecedora de medicina chinesa, palestrante nacionalmente conhecida, nos diz algo bastante semelhante ao que a nossa Doutrina fala:

“Sempre que guardamos mágoas, ressentimentos, ódios, etc, mais cedo ou mais tarde, somatizamos uma doença para justificar a perda de energias que tivemos, devido à situação provocada por aqueles sentimentos.”
(Linguagem do Corpo 1. P.49)

E ela continua:

“O perdão é a forma de provar a si mesmo que as emoções negativas estão sob o seu controle e que você conhece seu próprio potencial para conquistar novos caminhos.” (CAIRO, Cristina. Linguagem do Corpo 1. P.48)

Nós temos estudado tanto e na teoria sabemos que nada acontece ao acaso, sempre as dores nos trarão algum aprendizado. Mas é difícil aceitarmos quando estamos vivenciando uma situação de ofensa, traição ou abandono.

É aí que precisam equilibrar-se razão e emoção para que nos libertemos da situação de sofrimento, rompendo este elo negativo.

É o perdão no seu sentido, desligar-se.

O perdão beneficia quem perdoa, pois ele proporciona: paz espiritual, equilíbrio emocional e, lucidez mental. Não esquecendo que o perdoado é alguém em débito, o que perdoou é espírito em lucro. 

Pesquisas modernas indicam que o ato de perdoar pode aplacar a tensão, reduzir a pressão sanguínea e diminuir a taxa de batimentos cardíacos. Perdoar, portanto, não é somente uma questão de conquista emocional e espiritual, é também uma questão de saúde.

O perdão é um ato do coração e faz você experimentar o amor de seu próprio interior. Ele libera a dor, o ressentimento que você carregou como um fardo que feria a você mesmo e aos outros. Você deixa de ser vítima de quem lhe prejudicou.
Torna-se mais fácil perdoar quando você não multiplica as ofensas, não guarda mágoas e nem permite que a dor cresça em seu coração se relembrando do que lhe fizeram ou do que aconteceu.

Foi feita uma pesquisa na Universidade de Stanford, Califórnia, comandada pelo Psicólogo Frederic Luskin, cujo título era “Projeto Perdão”.

O pesquisador, depois de diversos testes com as pessoas, chegou à conclusão de que o simples fato de estarmos rancorosos desencadeia um processo de estresse químico, causando a queda do nível de imunidade no organismo. Diz Luskin que “tudo o que afeta a mente, tem uma reação direta com a saúde.”

Nós sabemos que o estresse pode ter como conseqüências: dores de cabeça, musculares, fibromialgias, gastrites, úlceras, problemas cardiovasculares, hipertensão, alergias, vertigens, etc.

Luskin garante que perdoar, encerrando assim, um processo, é o caminho ou o remédio. Ele também diz que não é fácil, mas aconselha, pelo menos, a não alimentar as mágoas. Diz ele:

“Não é simples, é verdade. No entanto é, no mínimo, um grande teste para a nossa evolução pessoal e um largo passo para o total autoconhecimento.”

Fonte: Revista Qualidade de Vida – Ano II – Numero 9

Temos muitas razões para praticar o perdão, no seu verdadeiro sentido, desligando-se do fato, afinal é uma questão de saúde, de evolução. Mas precisamos ficar atentos àqueles que vivem pedindo desculpas, indefinidamente, isto pode se tornar um hábito e não mudança de atitudes para eles. O nosso perdão, neste caso, acaba sendo um ato conivente com as faltas.

Gostaria de encerrar citando uma frase de Ghandi. A o final de sua vida, quando perguntado se perdoava a todos que lhe tinham ofendido, respondeu: “Não tenho nada a perdoar, pois nunca me senti ofendido.”

Referências Bibliograficas:

1. CAIRO,Cristina.Linguagem do Corpo 1. 19 ed. São Paulo. SP: Publicações Mercuryo Novo Tempo, 2012.
2. HAMMED.(Espírito). Renovando Atitudes. Psicografado por Francisco do Espírito Santo Neto. Catantuva, SP: Boa Nova Editora, 1997.
3. 3. NTERNET, sites Espíritas e de Psicologia.

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