Preconceitos

Rose Mary Grebe

Uma frase atribuída a Albert Einstein se transforma num dos maiores desafios da evolução humana: o preconceito. Segundo Einstein: “É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito”. (Artigo gentilmente cedido por Orson Peter Carrara)
Preconceito: (Dicionário Houaiss)

  • Qualquer opinião ou sentimento, favorável ou desfavorável, concebido sem exame crítico.
  • Ideia, sentimento ou opinião desfavorável formado a priori, sem maior conhecimento, ponderação ou razão.

A própria definição já indica o equívoco de sua existência e danosas conseqüências.

O preconceito é responsável pela manutenção de paradigmas que têm atravancado o progresso humano em sua ética e moral, gerando violências, confrontos guerras e mortes. Uma historinha ilustra uma parte disto.

O vendedor de balões

Era uma tarde de domingo e o parque estava repleto de pessoas que aproveitavam o dia ensolarado para passear e levar seus filhos para brincar. O vendedor de balões havia chegado cedo, aproveitando a clientela infantil para oferecer seu produto e defender o pão de cada dia. Como bom comerciante, chamava atenção da garotada soltando balões para que se elevassem no ar, anunciando que o produto estava à venda. Não muito longe do carrinho, um garoto negro observava com atenção. Acompanhou um balão vermelho soltar-se das mãos do vendedor e elevar-se lentamente pelos ares. Alguns minutos depois, um azul, logo mais um amarelo, e finalmente um balão de cor branca. Intrigado, o menino notou que havia um balão de cor preta que o vendedor não soltava.

Aproximou-se meio sem jeito e perguntou:
“moço, se o senhor soltasse o balão preto, ele subiria tanto quanto os outros?”

O vendedor sorriu, como quem compreendia a preocupação do garoto,
arrebentou a linha que prendia o balão preto e, enquanto ele se elevava no ar, disse-lhe:

“Não é a cor, filho, é o que está dentro dele que o faz subir.”
O menino deu um sorriso de satisfação, agradeceu ao vendedor e saiu saltitando, para confundir-se com a garotada que coloria o parque naquela tarde ensolarada.

Autor : Anthony de Mello ( com base no conto “ O vendedor de balões”

Parece uma historinha tão inocente, singela mesmo. Bonitinha, para pensarmos sobre o preconceito.

Vamos analisar alguns trechos e ver a profundidade e a seriedade desta questão, que é uma, dentre nossos preconceitos.

  • Não muito longe do carrinho, um garoto negro observava com atenção. Por que será que este menino não estava misturado às outras crianças? Ele seria aceito de pronto? Ou seria ignorado, rejeitado?
  • Aproximou-se meio sem jeito e perguntou:…. A forma de se aproximar seria a mesma, se ele neste momento se sentisse aceito?
  • O vendedor sorriu, como quem compreendia a preocupação do garoto,… Por que será que o vendedor compreendia a situação do menino? Já passara por situações de preconceito por sua condição social, por estar numa condição de servir?

O preconceito está presente em todos os setores da vida, independendo de local, condição social, raça, etc. Percebido de forma bastante ostensiva nas escolas, na atualidade, com um nome conhecido no mundo todo, BULLYNG. A discussão deste assunto, inclusive, é sugerida pelo próprio Ministério da Educação, dadas as situações que temos visto e muitas que nem chegam às manchetes dos jornais televisivos. A escola tem se preocupado, sim, mas normalmente o que sofre, é constrangido a calar-se.

Jaime Pinski, na introdução do seu livro diz: (p.7)

“O preconceito e a própria discriminação (discriminação é o preconceito em ação) ganham terreno quando falamos da suposta inferioridade da mulher em relação ao homem, do velho com relação ao jovem, do índio com relação ao branco. “

Mas não paramos por aí, pois segundo o autor discriminamos: portadores de deficiências, os que têm menos, (dinheiro) os de raças diferentes, principalmente os negros e os índios, pessoas com orientação sexual diferentes da nossa ou daquilo que nós achamos ser o certo, certas denominações religiosas, os obesos, os que usam óculos, etc, etc…

Dizem alguns psicólogos que os preconceitos geralmente estão ligados a três causas, que se interligam: a ignorância (falta de conhecimento sobre determinado assunto), sempre acompanhada de teimosia; o medo do que é desconhecido (da tuberculose, da Aids da lepra…) e o orgulho, chaga da humanidade segundo Allan Kardec e raiz de todos os males. (Departamento Doutrinário da Liga Espírita Pelotense)

A Doutrina dos Espíritos nos mostra a inutilidade dos preconceitos quando postula: que Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas. (Livro dos espíritos, q. 1) Todos temos o mesmo destino: a felicidade plena conquistada através de nossa perfeição relativa. Isto se processa paulatinamente, de reencarnação em reencarnação. Deste modo sabemos que a condição a que estamos submetidos no plano terreno é aquela de que precisamos como experiência. Então o fato de se ter um tipo de condição social, privilegiada, nem sempre quer dizer que somos melhores.

 

Wlademir Lisso nos diz que geralmente nossos preconceitos são contra uma minoria e tem origem na nossa ignorância sobre a diversidade característica de um mundo de provas e expiações.

No nosso estágio de progresso, as diversidades dos corpos, situações sociais, econômicas e regionais, têm origem nas diferenças que existem em relação a graus evolutivos entre Espíritos que formam a nossa humanidade espiritual.

Wlademir Lisso
Diretor da Área de Assistência Espiritual da FEESP

No nosso dia-a-dia ainda vemos alguns destes preconceitos de forma bastante acirrada:

  • Preconceito à outra cor – É denominado de racismo e existe principalmente em relação à negros. No Brasil, surgiu com a escravidão e é muito presente até hoje, apesar de a escravidão ter sido abolida em 1888. Há também o racismo contra brancos, amarelos, vermelhos, pardos etc…
  • Preconceito à outra religião – Hoje em dia, o maior exemplo deste preconceito são os conflitos no Oriente Médio. A luta entre judeus e islâmicos custa dezenas de vidas diariamente. Grupos extremistas no Iraque matam inocentes cruelmente somente porque são de outra religião.
  • Preconceito quanto à classe social – Em geral, é a tendência a considerar o “pobre” como um ser humano inferior, em função de sua pobreza, para prevalecer-se dele. A diferença social não pode ser transposta para o plano intelectual ou moral. Neste último, em especial, todos os homens desfrutam e devem desfrutar de uma mesma dignidade.
  • Preconceito contra pessoas de outra orientação sexual – Homossexuais e bissexuais são muito agredidos moralmente e até fisicamente só por não serem “iguais”. É uma triste realidade, tanto que vários escondem sua preferência sexual. A Organização Mundial de Saúde retirou o termo “homossexualismo” do Catálogo Internacional de Doenças desde 1993, o que o Conselho Federal de Medicina já tinha reconhecido desde 1985. Em dezembro de 1998 a Associação Americana de Psiquiatria (APA) se posicionou contra as “terapias de cura” – como são chamadas as falsas terapias pretensamente destinadas a “reverter” homossexuais em heterossexuais. Com isso confirmou que a orientação sexual não é um problema de saúde, sequer psíquico.
  • Preconceito contra as mulheres – É denominado de machismo e existe por causa do antigo papel das mulheres como dona de casa. O machismo gera muita mágoa porque vários homens não reconhecem a capacidade das mulheres de fazerem algo diferente à costurar e cozinhar. Ainda, em pleno século XXI, quando as mulheres avançaram tanto, temos uma mulher na presidência da república, os salários são diferenciados para as mesmas funções.
  • Preconceito contra PNEE – Temos ainda o terrível preconceito de os imaginarmos “coitadinhos” ou incapazes. As políticas inclusivas têm nos mostrado muitas surpresas favoráveis em relação ao PNEE. (portador de necessidades educacionais especiais) Estamos percebendo que eles têm direitos, nem sempre respeitados. A acessibilidade ainda é um grande desafio.
  • Preconceito ao diferente do grupo- Numa sociedade com padrões de beleza, estatura, moda,… todos os que não se encaixam, sofrem de alguma forma.

Onde está o seu preconceito? Num gesto intolerante, de fúria e agressão, tipo “ataque neonazista”? Ou numa ação velada, na piada intransigente contada entre os conhecidos, em meio a um ambiente amistoso, como se fosse um gesto ocasional e sem conseqüências? Ou, ainda, está guardado num fio do subconsciente, disfarçado de uma falsa “aceitação” às minorias? Onde ele estiver, qualquer que seja a medida do seu preconceito, livre-se dele
(Flavio Herculano)


BIBLIOGRAFIA

1. INTERNET ( artigos e comentários)
2. Livro dos Espíritos.
3. Pinski, Jaime(org.), 12 Faces do Preconceito. São Paulo: Editora Contexto, 1999.


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