Psicologia e Universo Quântico

Leia a introdução do novo livro de Adenáuer Novaes, Psicologia e Universo Quântico. Um livro que trata do Universo como algo que recebe a contribuição da mente humana, sem a qual nada faz sentido. Neste livro o leitor se descobre participante ativo na construção do Universo à sua volta.

Desde que Max Planck publicou, em 1900, as leis sobre a radiação térmica e Niels Bohr afirmou que era impossível usar, num mesmo fenômeno físico, uma descrição no tempo e no espaço das leis de conservação de quantidade de movimento e de energia, o Universo deixou de ser o mesmo. Abriu-se a mente humana para a percepção de possibilidades múltiplas de compreensão da Realidade, exigindo total reestruturação de conceitos. Não adiantaram as tentativas de Albert Einstein de enquadrar ou limitar o Universo conhecido a um princípio único, pois a mente humana queria expandir-se para além dos limites estabelecidos. A lógica mecanicista estava com seus dias contados. A dissidência havida nos primórdios da Física Quântica era apenas uma das inúmeras divergências existentes na Ciência, que está longe de ser uma unanimidade.

Semelhante mudança de paradigma ocorreu décadas antes, em 1857, com o advento do Espiritismo, enquanto conhecimento que afirma as leis que regem os destinos humanos após a morte do corpo físico. Outro mundo se percebia, englobando a realidade material. Espiritismo e Física Quântica são duas grandes revelações científicas que contribuíram para o avanço do Espírito em sua ascensão infinita. Adiante, veremos esses dois conhecimentos com mais detalhes.

Definitivamente, a mente do observador foi inserida nos processos físicos, desagradando interpretações contrárias. Essa inserção não foi forçada nem ocorreu como alternativa de interpretação, mas por imposição do próprio fenômeno. O ser humano passava a se perceber como participante ativo do Universo e não apenas observador passivo do que lhe ocorre. Isso o obrigou a rever sua visão de mundo, de realidade e a sua concepção a respeito de Deus.

O mais neófito dos físicos quânticos sabia que não encontraria a unidade última da matéria, por se tratar de uma abstração, mas que alcançaria seus rastros, passíveis de identificar a natureza das coisas. Os físicos quânticos não imaginaram, porém, que se deparariam com um outro universo: o fantástico e imprevisível mundo microatômico. Descobriram um universo dentro de outro, funcionando com princípios inalcançáveis e paradigmas distintos.

Os significativos avanços proporcionados pela Física Quântica não se limitaram ao laser, aos computadores e ao uso, muitas vezes inadequado e inconsequente, da energia nuclear, mas, principalmente, alcançaram uma nova visão de mundo e a quebra de importantes paradigmas clássicos. Teorias novas a respeito da vida, do Universo e da realidade foram surgindo, proporcionando uma grande abertura à mente humana para compreensão de sua origem, de seu destino, bem como de sua complexa estrutura.

Assuntos de ordem espiritual, antes de domínio exclusivo das religiões, passaram também a ser objeto de interesse da Física, em face dos múltiplos universos dimensionais que as equações da Matemática Quântica evocavam. O mundo físico e o mundo espiritual passaram e se entrelaçar sem que se pudesse estabelecer onde começa um ou termina o outro.

Novas disciplinas, novos teóricos e um sem número de experimentos promoveram a inserção de algo inimaginável para as conservadoras academias científicas: a especulação filosófica baseada na intuição humana, que balançariam os alicerces do saber humano. A racional ciência se rendia ao escaninho do inconsciente humano. Nada mais justo para um saber que se afastou da submissão dos excessos teológicos da Idade Média, indo para o extremo oposto da afirmação exclusiva da deusa razão. Não esqueçamos, porém, de que essa mesma deusa o conduziu à percepção da natureza espiritual por detrás da matéria bruta.

O mundo quântico, ou Universo Quântico, é a nova ordem sob a qual devem se basear os poetas, místicos, cientistas, filósofos e leigos, como base de suas ideias e especulações. Com as descobertas da Física Quântica, o Materialismo ficou mais órfão do que antes, e a concretude da realidade quedou-se diante do observador, agora senhor do processo, que legitima sua existência. É o observador que qualifica a matéria.

É preciso ter algo muito mais robusto para negar o que se percebe no mundo microscópico e que se opõe e complementa o que ocorre no macroscópico. Por que deveria haver uma unidade? Será que a mente humana está se reestruturando para comportar a possibilidade de compreensão de múltiplas leis para os fenômenos físicos? Ou ainda prevalecerá a velha concepção de que não pode haver contradições às leis conhecidas? Não seria mais sensato pensar que a mente evolui com o Espírito, permitindo-lhe manifestar a complexidade de sua natureza?

As ideias que estão surgindo com as pesquisas e estudos, após as descobertas da Física Quântica, proporcionam uma ampliação da consciência para além dos horizontes, até então definidos para o destino humano, e sua compreensão da realidade. Estamos diante de uma nova era de incertezas e descobertas a respeito da vida, do Universo e do destino humano. Parece que o ser humano está vivendo um grande momento de mudança de paradigma, tal qual ocorreu após as afirmações de Nikolau Kopérnico sobre o sistema heliocêntrico, no Século XVI, e confirmações por Galileu no século seguinte. A temática quântica tem despertado grande interesse nos meios acadêmicos e na mídia em geral. Porém, ainda não o suficiente para a referida mudança, pois os ecos filosóficos das ideias geradas ainda não alcançaram definitivamente a psiquê humana. É uma questão de tempo e de maturação do saber.

Escrevo este livro como uma contribuição ao desenvolvimento das ideias a respeito e numa tentativa de apresentar certos temas fronteiriços à Física, à Psicologia e ao Espiritismo.

Este não é um livro sobre Física Quântica, mas sobre a filosofia que se pode fazer a partir das elucubrações de suas formulações teóricas. Trata de ideias, especulações e teorias. Não apresentarei complicadas fórmulas matemáticas nem experimentos científicos, mas ideias e princípios para subsidiar reflexões ao leitor. Portanto, meu olhar será filosófico, psicológico e espírita, cujas considerações serão de ordem não-física. O leitor mais exigente com enunciados científicos e com equações matemáticas deve recorrer à bibliografia relacionada ao final. Não quero, creio que talvez não seja possível, fundamentar-me apenas na Física Quântica, pois a ciência já reformulou suas teorias inúmeras vezes. Quero apenas tornar mais claro para mim mesmo que as descobertas recentes no campo científico, particularmente na Física Quântica, sugerem um preparo da psiquê para novas percepções da realidade.

Os limites do pensar humano ainda estão condicionados às interpretações clássicas da realidade, segundo pressupostos exclusivamente materialistas. Porém, oriundas de um materialismo mecanicista e determinístico, contrário à realidade hoje observada na própria matéria. Até mesmo o mundo macrocósmico é retratado e pensado segundo ideias clássicas, já ultrapassadas.

O Universo é comumente representado por um conjunto de pontos luminosos que, pelo pano de fundo em que são retratados, denotam se encontrar a distâncias incomensuráveis. Isso induz a acreditarmos que o desconhecido se encontra distante e, por muito tempo, inalcançável ao ser humano, como se vivêssemos numa grande caixa tridimensional, em que estamos no meio dela, muito distante de seus limites. Na realidade, ainda não se consegue perceber, salvo matematicamente, a possibilidade de multidimensões que se interpenetram, englobando o Universo tal qual hoje é representado. O Universo conhecido, detectável cientificamente, é forjado (concebido) pelo ser humano segundo as projeções do Inconsciente. As multidimensões contêm o ser humano. Observamos o Universo a partir dos órgãos dos sentidos, que plasmam uma realidade de acordo com a frequência que é possível ser percebida. Abstraindo-nos dos órgãos dos sentidos, iremos nos perceber inseridos em um contexto muito maior, no qual a mente não é prisioneira dos sentidos, mas conectada à sua essência, o Espírito imortal. O ser humano ainda é prisioneiro de seus sentidos e de suas ideias determinísticas. A Matemática, com sua simbologia, consegue fazê-lo enxergar além de seus limites orgânicos, porém não o permite sentir sua dupla natureza, orgânica e espiritual. Por outro lado, a mediunidade, como mãe das faculdades psíquicas, leva-o a uma outra dimensão em que sua mente pode transitar, percebendo fenômenos inalcançáveis pelos estreitos limites sensoriais impostos pelo corpo físico. A Física Quântica, com seus experimentos e descobertas, o fará, com a ajuda da Psicologia e do Espiritismo, perceber além dos limites autoimpostos.

C. G. Jung, mestre da Psicologia, e Allan Kardec, mestre das questões espirituais, são coerentes em afirmar a relação estreita entre mente e matéria. Para Jung, Da mesma forma que o átomo não é indivisível, assim também, como haveremos de ver, o inconsciente não é puramente inconsciente. E, da mesma forma como a Física nada mais pode fazer, sob o ponto de vista psicológico, do que constatar a existência de um observador, sem ter condições de afirmar o que quer que seja sobre a natureza deste observador, assim também a Psicologia só pode indicar a relação da psique com a matéria, sem ter condições de dizer o mínimo que seja quanto a natureza da mesma.1

Allan Kardec, por sua vez, tratando do fenômeno mediúnico, afirma que Pode-se fazer objeção ao fenômeno porque ele não se produz sempre de uma maneira idêntica, segundo a vontade e as exigências do observador? Os fenômenos de eletricidade e de química não estão subordinados a certas condições; deve-se negá-los então porque se produzem fora dessas condições? Portanto, não há nada de estranho que o fenômeno do movimento dos objetos pelo fluido humano tenha também suas condições de ser e deixe de se produzir quando o observador, apoiando-se no seu ponto de vista, pretende fazê-lo acontecer ao seu capricho ou sujeita-lo às leis dos fenômenos conhecidos, sem considerar que, para fatos novos, pode e deve haver novas leis. Ora, para conhecer essas leis, é preciso estudar as circunstâncias em que os fenômenos se produzem, e esse estudo só pode ser fruto de uma observação perseverante, atenta e, muitas vezes, bastante prolongada. 2 Mais adiante analisaremos esses dois aspectos, psicológico e espírita, em relação às afirmações e dúvidas da Física Quântica. Veremos que estamos diante de algo maior, que permeia tudo e que tem como centro a psiquê humana e, acima de tudo, a relação entre o Espírito imortal e o Divino.

Por vezes, ao escrever este livro, me vi na necessidade de decidir entre analisar ideias imbuindo-me do paradigma clássico da causalidade absoluta ou deixando que minha mente seguisse sob o domínio do Universo Quântico, pouco convencional. Sentia-me inclinado à primeira alternativa, mesmo querendo fazer de forma diferente. De um lado, o convencionalismo cartesiano, cuja criatividade tem limites; do outro, o infinito em aberto à espera de exploração pela mente humana. O leitor verá que ora estarei analisando influenciado sob um, ora sob outro paradigma.

O Universo parece ser constituído de algo que não pode ser tocado, sentido, percebido, senão indiretamente. Nenhuma coisa pode ser diretamente percebida por outra coisa. Em relação ao ser humano, nada do que vive o põe em contato com algo, senão de forma indireta. Tudo acontece em sua mente e de acordo com seu modo de perceber a realidade. Até mesmo sua observação do que poderia ser o mais concreto possível só ocorre indiretamente. Parece que o Criador da vida nos colocou num Universo intocável. Tocar algo é apenas perceber indiretamente e sentir seus efeitos. Um exemplo disso se dá na observação do céu estrelado. Ao apontar seus rudimentares telescópicos para o céu estrelado, os astrônomos da Antiguidade não sabiam que estavam olhando para o passado. Não imaginavam que a luz das estrelas que alcançavam seus olhos tinha viajado milhões de quilômetros e cuja fonte já poderia estar extinta. Hoje, graças aos avanços científicos e estudos astronômicos, sabemos que a luz viaja no Universo e demora a alcançar nossa percepção. Quando vemos as estrelas, já não é mais o presente para um observador que esteja lá. Quando observamos a realidade de um simples momento à nossa vista, custamos a entender que algo se passou entre o observador e o objeto observado. A luz que viaja do objeto para o sujeito traz sua história e seu passado. O presente é sempre fugaz, mas é a certeza máxima do Espírito.

Sobre as descobertas da Física Quântica (incerteza, probabilidade, não causalidade, observador/observado etc.), têm-se três atitudes: desdenhar, por não compreender ou não encontrar aplicação prática, fazendo de conta que não lhe afeta ou não existe, à semelhança de uma avestruz que enterra a cabeça no chão; estudar e pesquisar mais, tornando-se um físico ou matemático quântico, contribuindo para o progresso da ciência; filosofar, ampliando sua visão de mundo, impulsionando o desenvolvimento da personalidade na direção da autoconsciência, autodeterminação e contribuição para uma sociedade melhor. Optei por esta última. Pareceu-me de acordo com minha designação pessoal.

 Fundação Lar Harmonia
http://www.larharmonia.org.br  

{{texto::pagina=1003}}


Continue no Canal
+ Arte e Cultura