Quarenta e um anos de saudade!

José Herculano Pires: setembro é momento de saudade. Quarenta e um anos se passaram rápido…

Parece que foi ontem que o amigo se despediu da matéria, ingressando no pórtico da Vida que ele tão bem conhecera, enquanto intérprete dos ensinos dos espíritos. Não, é claro, eu (ainda) não era espírita, à essa época. Apenas dois anos depois de sua “subida” para o Mundo Espiritual, eu começaria a freqüentar as instituições espíritas da Grande Florianópolis (SC), apesar de, pelo berço, lembrar-me de algumas histórias e trechos de “O evangelho segundo o espiritismo”, contados por meu avô materno, Gerenaldo.

 

E foi nestes “primeiros passos”, ouvindo palestras e participando, ainda muito jovem e imberbe, que “conheci” o personagem, por seus inúmeros livros, na banca espírita que ficava na Praça XV de Novembro, bem no centro da capital catarinense. Por anos a fio, quando saía da escola ou ia ao dentista, fazia questão de passar pela banca e perguntar: – Chegou algum livro “novo” dele? Receberam algum título que eu não tenho?

Quem é ele? José Herculano Pires, o maior filósofo espírita de todos os tempos, o “metro que melhor mediu Kardec”, desencarnado em 25 de setembro de 1979. O homem que, por seus textos, embalou meus sonhos juvenis de um Espiritismo realmente atuante, progressivo, participativo nas demandas sociais e construtor de um mundo mais harmonizado e feliz, com a participação efetiva dos “homens de bem”, encarnados, na continuação da sintonia com os desencarnados, por meio do intercâmbio medianímico. Não um mundo plasmado “com, sem ou apesar” dos espíritas, como ouvi dizer, muitas vezes, em minha mocidade, na fala de pessoas que, ufanistas em relação à proposta espiritista, acreditavam que o Plano Espiritual tudo faria para ver vicejar a árvore “transplantada” do “Evangelho redivivo”. E vejamos como se encontra o nosso país, para dizer que, aqui, seria o “coração do mundo”…

Herculano nunca aceitou essas cantilenas salvacionistas ou as enxertias de práticas ou teorias completamente díspares em relação ao edifício doutrinário-filosófico. Contra elas, inúmeras vezes, se insurgiu, seja de modo pontual ao escrever crônicas, cartas-testemunho e libelos, seja arregaçando as mangas e participando de eventos, atos públicos e cruzadas contra as adulterações, posicionando-se sempre, clara e decisivamente, pela defesa do Espiritismo original, kardeciano, doesse a quem doesse.

 

Assim como Kardec, Herculano participou de colóquios públicos, muitos transmitidos radiofonicamente ou televisionados, com “detratores da Doutrina”, clérigos, pastores, parapsicólogos e profissionais da fé ou da ciência, que visavam ridicularizar os princípios espíritas – que consideravam o Espiritismo como uma ameaça ao status quo, ao poder e à manutenção de suas assembléias de seguidores e simpatizantes. Esteve, também, ao lado de Chico Xavier, desde quando este era um singelo médium sem o “interesse” das grandes editoras (nos milhares de cruzeiros, à época, das vendas de seus livros) ou da Federação Espírita Brasileira, que ainda não o “cultuava”.

Muitos se aproveitavam da boa fé e da ingenuidade do médium mineiro e, inescrupulosos o envolviam em situações desagradáveis e fraudes. Situações em que os Espíritos Superiores não podiam evitar ou interferir, já que o livre-arbítrio e a consciência individual do médium é que deveriam ser – como para todos os homens – o escudo e a proteção contra os interesseiros e os aproveitadores.

 

Herculano sempre se posicionou, desde a primeira hora, como guardião da mensagem espiritual verdadeira. Por exemplo, em seus livros “Na hora do testemunho” e “A pedra e o joio”, ele conta com detalhes as artimanhas de muitos que atentaram contra a filosofia espírita, para defender seus particulares pontos de vista e interesses.

A lição maior que Herculano nos deixou e que deve sempre ser enaltecida pelos espíritas sinceros e devotados, é não permitir as enxertias e adulterações e evitar, como ele mesmo dizia, que os “novidadeiros” imponham suas crenças ou crendices, visões espiritualistas que não são compatíveis com a principiologia espírita, em grupos e veículos de difusão do pensamento espírita.
É por isso que lhe rendemos homenagem, porque ele continua nos inspirando, diariamente, com sua presença espiritual para que atuemos na defesa do Espiritismo e levemos a mensagem espírita ao maior número de pessoas, encarnadas, possível!

Salve, Professor!

Publicado originalmente na página do Centro Espírita Amigos do Bem

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+ Marcelo Henrique