Reencarnação: Caminho para Plenitude

Rose Mary Grebe

A Reencarnação mostra em todos os seus aspectos, quando entendidos por nós, uma das mais sábias, justas e bondosas leis criadas por Deus.

Leon Denis, no livro “O Problema do Ser, do Destino e da Dor”, nos dá uma explicação bastante simples do ato de Reencarnar. Diz ele na pag. 163:

A alma, depois de residir temporariamente no Espaço, renasce na condição humana, trazendo consigo a herança, boa ou má, do passado; renasce criancinha, reaparece na cena terrestre para representar um novo ato do drama da sua vida, pagar as dívidas que contraiu, conquistar novas capacidades que lhe hão de facilitar a ascensão, acelerar a marcha para frente.

Muitas vezes não percebemos o quanto de justiça e bondade estão aí retratados. Este Espírito, que somos nós, não está à deriva, tem um lugar. E que lugar é esse? Esse lugar é bastante próximo da nossa crosta terrestre, em dimensão diferente, uma vez que aqui deixamos o nosso corpo material. Segundo tudo o que sabemos através dos Espíritos, este lugar é de REFLEXÃO: realizamos um balanço dos nossos atos terrenos, com a consciência muito mais desperta, com mentores ao nosso lado, explicando os acontecimentos aos quais nós, por nosso livre arbítrio fizemos. Com certeza, para a maioria de nós é um momento dolorido, pois entendemos quantas besteiras aqui fizemos, em quantas situações poderíamos ter dado um rumo diferente. Este lugar é de REFAZIMENTO: mesmo os Espíritos mais abjetos, se têm a humildade de pedir, serão ajudados. Nossos corpos espirituais são tratados com energias, alimentação adequada, cursos, palestras e muita oração. Este lugar também é de TRABALHO para aqueles que já têm condições. Se imaginarmos que a vida espiritual é um prolongamento daqui, as coisas não mudam muito, continuamos sendo o que fomos, pois ninguém vira santo.

E as crianças ?

Mesmo sendo Espíritos milenares, quando desencarnam na fase de crianças e jovens, têm um outro tipo de acolhimento. Também, segundo relatos dos Espíritos, são levadas a Colônias, recebem o tratamento, enquanto dormem, não tendo consciência disto. Quando acordam é como se tivessem passado do último estágio da doença, ou acidente, para este local. O Local é preparado para que se pareça ao máximo com sua antiga moradia terrena, inclusive são apresentadas roupas e utensílios bastante parecidos com os que a criança possuía. Elas têm a lucidez do estado em que se encontravam, lembram da família, mas são muito confortadas e muitas explicações são dadas. A vida prossegue, com atividades lúdicas, esportes, artes, estudo e evangelização. Depois de adaptadas às rotinas desta dimensão, também começam a fazer pequenos trabalhos.

Mas onde está a tão falada, bondade, justiça e misericórdia?

Por que Reencarnação é caminho para a plenitude?

A grande maioria de nós aprendeu desde pequeno que os bons iriam para o céu. Lugar maravilhoso descrito de muitos modos, talvez numa nuvem tocando harpa, sentar-se perto de Deus, a minha avó falava que cada um teria um canteiro com flores para cuidar. (regador)

Já os maus, aqueles que tivessem cometido muitos pecados, iriam queimar eternamente no fogo do inferno.

Um consolo para os mais ou menos, iriam para o purgatórioaté ficarem bons.

Mas pobres das criancinhas pagãs. A criança que não tivesse sido batizada e morresse, iria para o limbo.

E assim muitos de nós aprendeu. Imaginemos os sofrimentos daqueles, cujos filhos não tivessem sido bons, das mães que os filhos não foram batizados e tantas coisas que levaria eternamente seres amados a não serem mais vistos.

Então encontramos no Livro dos Espíritos na q. 1009 uma resposta sobre as penas eternas ditada por Santo Agostinho:

“Interrogai o vosso bom-senso, a vossa razão e perguntai-lhes se uma condenação perpétua, motivada por alguns momentos de erro, não seria a negação da bondade de Deus.

Que é, com efeito, a duração da vida, ainda quando de cem anos, em face da eternidade?”

De um modo claro esta resposta nos diz que nada pode merecer condenação eterna, a menos que o Espírito relute em mudar. Ainda assim, a dor o levará a um caminho de enquadramento às leis de Deus.

Isto já nos tranqüiliza, pois sabemos que ainda falhamos muito. Mas sempre haverá uma chance deste Pai, que quer seus filhos, um dia, todos junto de Si.

Não haveria enorme contradição em dizermos que Deus é bondade, justiça, misericórdia absolutas e ao mesmo tempo dar aos filhos a condenação eterna ? Até que grau de erros o ser iria para a condenação eterna? Como seriamos julgados diante de um crime, suicídio, aborto, roubo, estupro…

Até a Igreja Católica, através do Papa, recentemente, fez algumas mudanças, o que sempre seria caso de excomunhão, já é enfocado de forma diferente, falando em perdão, não julgamento.

Mais uma vez nos valemos do Livro dos Espíritos na q. 1006. (S. Luiz)

A duração dos sofrimentos do Espírito pode ser eterna?

Sem duvida, se ele fosse eternamente mau, ou seja, se jamais tivesse de se arrepender nem de se melhorar. Então, sofreria eternamente. Mas Deus não criou seres eternamente votados ao mal. (Simples e ignorantes)

Assim toda a criação: … o Cristo foi gerado simples e ignorante e se “instruiu nas lutas e tribulações da vida corporal, percorrendo todos os graus da escala evolutiva , despojando-se de todas as impurezas da matéria ,”…(conforme LE 112,113) (Reencarnação: Caminho para a Plenitude)

É assim que se processa a Lei Divina dos renascimentos, sempre com possibilidades do Espírito, filho de Deus, avançar na senda do progresso. Que maravilha sabermos que sempre poderemos ser melhores em bondade, inteligência.
E este respeito Leon Denis também fala:

“ Não tardará o momento em que, mais bem instruído, penetrado pela majestade das leis superiores, compreenderá a beleza da vida, que reside no esforço corajoso, e dará a sua obra um impulso mais nobre e elevado.” (O Problema do Ser, do Destino e da Dor. P. 166)

Tudo isso é muito bom saber, o melhor, nós decidimos quando queremos chegar a essa plenitude, ou felicidade.

Mas antes que tudo isto aconteça, relembremos o início, o que ocorre quando desencarnamos e passamos para a dimensão espiritual: REFLEXÃO, REFAZIMENTO, TRABALHO, PREPARAÇÃO PARA A REENCARNAÇÃO.

Quando sabemos sobre este departamento, vemos que a inteligência do Pai é mesmo impossível de aquilatar, este departamento tem técnicos especializadíssimos que irão, juntamente com o Espírito que está pleiteando a Reencarnação fazer um estudo, de todo o seu mapa genético, de todas as situações que terá que enfrentar, instruindo o reencarnante sobre as melhores possibilidades de sucesso. Muitas vezes, inclusive somos alertados de que algumas situações não podemos enfrentar ainda. Depois de todo um preparo, escolha da família, ainda recebemos um protetor Espiritual que nos acompanha durante toda a encarnação. Estes Espíritos torcem por nós.

BIBLIOGRAFIA

DENIS, Leon. O Problema do Ser, do Destino e da Dor. 16 ed.,Rio de Janeiro: FEB, 1991.
INTERNET. Textos de palestrantes Espíritas.
KARDEC, Allan. Livro dos Espíritos. Instituto de Difusão Espírita. 1987.36 Ed.

 

 


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