Resumo 11: GÊNESE MOSAICA

Comparando a teoria da constituição do Universo baseada em dados da Ciência e do Espiritismo com o texto da Gênese de Moisés, pode-se observar que:

1)- Existe em alguns pontos notável concordância com a doutrina científica, sendo entretanto arbitrário o número de seis períodos geológicos, pois, conhece-se pelo menos 25 formações caracterizadas pela Geologia e referentes às grandes fases gerais, além do fato de que muitos geólogos consideram o período diluviano um fato transitório e passageiro, encontrando-se as espécies vegetais antes como depois do dilúvio;

2)- Quanto à criação do Sol e os astros em geral, objeto da Astronomia, ter-se-ia que considerar um primeiro período, o período astronômico;

3)- Considerando-se o período astronômico como sendo o primeiro dia da criação, período primário = 2o dia, período de transição = 3o dia, período secundário = 4o dia, período terciário = 5o dia, período quaternário ou pós-diluviano = 6o dia, verifica-se que:

a)- não há concordância rigorosa entre a Gênese mosaica e a Ciência;

b)- notável concordância na sucessão dos seres orgânicos, quase a mesma, com o aparecimento do homem, por último;

c)- concordância no surgimento dos animais terrestres no período terciário quando “as águas que estão debaixo do céu se reuniram num só lugar e apareceu o elemento árido”, ou seja, quando por elevações da crosta surgiram os continentes e os mares;

d)- Moisés queria significar dias de 24 horas quando descreveu a criação. Tal crença vigorou até que a Geologia lhe demonstrou a impossibilidade;

e)- Há um anacronismo na criação das plantas e do Sol, pois, é evidente que as plantas não teriam podido viver sem o calor solar;

f)- Houve acerto na afirmação de que o “a luz precedeu o Sol”, pois, o Sol é uma concentração em um ponto do “fluído que, em dadas circunstâncias, adquire as propriedades luminosas”. Esse fluído é causa e precede o Sol que é efeito. O Sol é causa “relativamente à luz que dele se irradia; é efeito com relação à que recebeu”. O erro estava na idéia de que a Terra houvera sido criada antes do Sol.

g)- Moisés esposava a antiga crença de que a abóbada celeste era sólida e fora criada para separar as “águas de cima das que estavam sobre a Terra”. A Física e a Astronomia provaram ser insustentável tal doutrina.

h)- A criação do homem através “do limo da terra” tem seu acerto no sentido de que o corpo do homem deriva dos elementos inorgânicos, enquanto que a formação da mulher através de uma costela deve ser entendida como alegoria, mostrando a identidade de natureza perante o homem e perante Deus;

A Gênese bíblica não deve ser simplesmente rejeitada e sim estudada como sendo “a história da infância dos povos”. Em suas alegorias há muitos ensinamentos velados cujo sentido oculto deve ser pesquisado; por outro lado devem ser submetidos à razão e à Ciência, apontando-se-lhes os erros.

Perda do paraíso

Assim como a fábula de Saturno, “que devorava pedras, tomando-as por seus filhos”, significa: Saturno a personificação do tempo; seus filhos: todas as coisas mesmo as mais duras, que acabam destruídas pelo tempo, com exceção de Júpiter, “símbolo da inteligência superior, do princípio espiritual, que é indestrutível”, também na Gênese grandes verdades morais se encontram por traz de suas alegorias. Desta forma deve ser entendido que:

1)-Adão personifica a Humanidade; sua falta: a fraqueza do homem (dominado pelos instintos materiais); a árvore da vida: emblema da vida espiritual; árvore da Ciência: emblema da consciência (do bem e do mal); o fruto da árvore: o objeto dos desejos materiais do homem (comer o fruto é sucumbir à tentação); jardim das delícias: a sedução (no seio dos prazeres materiais); a morte: aviso das conseqüências (físicas e morais); a serpente: a perfídia dos maus conselhos, significando também encantador, adivinho (o Espírito de adivinhação teria seduzido a mulher para conhecer, compreender as coisas ocultas); o passeio de Deus pelo jardim: a Divindade a vigiar o objeto de sua criação; a falta de Adão: infração da lei de Deus; a vergonha de Adão e Eva ante o olhar divino: confusão do culpado na presença do ofendido; o suor no rosto para conseguir sua alimentação: o trabalho neste mundo.(Admitindo-se que a raça adâmica tenha sido exilada, por punição, de um planeta mais adiantado onde o “trabalho do espírito substituía o do corpo”, pode-se compreender que a vida em nosso planeta, onde para a mulher o parto ocorre com dor e o trabalho é corporal, lhes representava a perda do paraíso); o anjo com a espada flamejante: impossibilidade de penetrar nos mundos superiores (até merecimento pela depuração do espírito).

Com relação ao episódio do assassinato de Abel por Caim, em que este foi estabelecer-se a leste do Éden e passou a construir uma cidade, teve mulher e filho, conclui-se de sua impossibilidade se realmente só existissem somente seus pais e ele próprio. Assim “Adão não é nem o primeiro, nem o único pai do gênero humano”.

Através dos conhecimentos trazidos pelo Espiritismo quanto às relações do princípio material e espiritual, natureza da alma criada simples e ignorante, sua união com o corpo, sua marcha na escala do progresso através de reencarnações e através dos mundos, libertação gradual da influência da matéria pelo uso do livre-arbítrio, da causa de seus bons e maus pendores, nascimento e morte, estado na erraticidade e da felicidade futura após perseverança no bem, pode-se entender todas as partes da Gênese espiritual. Sabe então o homem de onde vem, por que está na Terra, para onde vai. Seu cativeiro neste mundo somente dele depende. Compreende então a majestade, bondade e justiça do Criador.

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