Valorização da vida – laços de família

Rose Mary Grebe

Uma das formas de valorizar a vida é estruturar a família.

Juridicamente podemos dizer que a família se deriva da união de dois seres, que se elegem para uma vida em comum, por meio de um contrato, dando origem à genitora da mesma espécie.

Família existe desde os primórdios da civilização. O fato de o homem ter de forma latente este espírito gregário, juntamente com as dificuldades a que foi sendo submetido no seu processo evolutivo, fez com que fossem se delineando as primeiras famílias.

Percebeu que a soma de forças dava mais proteção e condições de viver. Destes primeiros entrelaçamentos bárbaros, surgiram as afeições, a defesa dos dependentes e submissos e o compromisso. Já existe uma estrutura com vínculos além do biológico. Um início de sentimentos começa a acontecer.

O Homo Erectus cujo nome significa "homem direito", surgiu há aproximadamente 1,8 milhões de anos atrás.
Rodolfo Calligaris nos diz: que a família é uma instituição divina cuja finalidade precípua consiste em estreitar os laços sociais, ensejando-nos o melhor modo de aprendermos a amar-nos como irmãos.

Os Espíritos nos dizem que existem dois tipos de famílias: família espiritual e família consanguínea ou corporal.

A família espiritual é aquela conquistada ao longo das eras, tendo os laços do amor muito fortalecidos e perpetuam-se no mundo espiritual. Esta conquista foi feita através de incontáveis encarnações, aflorando o amor que foi crescendo.

Já a família consanguínea é frágil como a própria matéria e se extingue com o tempo, muitas vezes se dissolve moralmente já na existência atual.

Se a finalidade principal da família é o aprendizado do amor, entendeu o Pai que num convívio restrito isto acabaria por acontecer. Então, é possível que dentro do núcleo familiar venham os nossos amores de outras eras, mas também os desafetos para os reajustes necessários.

Nós aceitamos esta condição. No estágio em que vivemos ajudamos a programar a reencarnação. Mas, quando na matéria, parece que fica tudo tão difícil como: irmão problema (ovelha negra); o filho que não suporta o pai, ou a mãe (crimes que ocorrem); pais que tem dificuldade de relacionamento com determinado filho; irmãos que se odeiam; aquele parente difícil, etc.
Para que possam podar as arestas, perdoar-se, entender-se. Quem sabe, com uma grande dose de boa vontade comecem a se amar. Os afetos que vem conosco vão nos sustentar nas horas mais difíceis para que não desistamos no caminho. Depois de muitas idas e vindas estes desafetos acabarão por se tornar integrantes de nossa família espiritual. Quantas lições, se formos dóceis, poderemos aprender na convivência familiar.

Para que isto acontecesse a Sabedoria Divina fez com que o homem, entre os seres da criação, fosse o mais frágil.
“A vulnerabilidade do bebê humano e sua dependência dos cuidados do adulto são indícios muito fortes de que a família é uma necessidade psicofísica do homem e, portanto, será difícil imaginar um sistema social sem essa instituição básica.” (Apostila ESDE – TOMO II).

Se observarmos o reino animal, a grande maioria dos que nascem já conseguem ficar de pé, procuram o alimento, alguns precisam fugir dos predadores, conseguem sobreviver por si sós. Em muitas espécies os vínculos familiares já se desfazem antes do nascimento das crias.

Na atualidade se tem escutado muito que as famílias estão acabando. Isto não é verdade. O que está acontecendo é uma transformação geral de nossa sociedade, mudando radicalmente nossos costumes e quebrando alguns paradigmas.
Com isto queremos dizer que as configurações familiares não são mais as mesmas. A história vem delineando os mais diversos tipos de família e, na atualidade estamos presenciando esta transformação. E ficamos por vezes
confusos, tudo está acontecendo muito depressa.

Como toda mudança que ocorre em um sistema, esta também dá a impressão de desorganização, de falência. Mas, como tudo o que é novo e diferente, acomoda-se.

Nestes tempos de mudanças algumas pessoas se sentem tão abaladas, que teimam em viver num tempo que não existe mais, acreditando estarem defendendo os interesses da coletividade e da moralidade. Outras se aproveitam da oportunidade para extravasar seus próprios impulsos desequilibrados.

O que precisamos entender é que o mundo de hoje não é o de dez anos atrás. As famílias se formam e se desagregam, surgindo outras, com novas facetas, nas quais devemos, não apenas respeitar, mas amparar e ajudar para que se mantenham.
Em nosso dia-a-dia vemos famílias assim: avós criando netos; mãe/ pai com a guarda dos filhos; pessoa solteira que adota uma criança; madrastas; pai, mãe, filhos – deste casamento ou não; homossexuais que adotam crianças. São as famílias de nosso tempo.

A adoção de crianças por parte de pais homossexuais segundo Camilo, o Pai-Criador vê sempre as intenções que inspiram as ações. Assim, vale refletir que o amor que se dedica a uma criança, tornando-a filha sentimental, independe da inclinação sexual adotada pelos pais ou pelas mães postiços. Ainda quando perguntado sobre os riscos deste tipo de adoção responde: restará saber onde uma criança corre mais riscos, se nas ruas da amargura, vivenciando de tudo o que a sombra do abandono costuma propiciar, ou se no aconchego de um lar, mesmo que "postiço" liderado por irmãos ou irmãs situados na faixa da homossexualidade.

Allan Kardec naquela época (1855), já preocupado com a instituição familiar pergunta aos Espíritos – questão 755. Qual seria para a sociedade o resultado do relaxamento dos laços de família? Uma recrudescência (fortalecimento) do egoísmo.
Precisamos todos entender o quanto cada um é responsável por manter os pilares da família fortes. No seu livro, Evangelho e Família, Novaes nos alerta: não estamos mais no tempo em que uma única pessoa é responsável pelos destinos da família. Todos são convidados a assumir os rumos que o grupo familiar vai seguir. Pais, filhos e agregados são corresponsáveis pelo futuro da família.

Por isso temos que ter muito claro o que norteará os rumos da família, que valores são importantes, o que queremos destes seres a nós confiados. Responderemos por tudo o que fizermos junto deles.

E em todos os estudos, não só da Doutrina Espírita, mas aqueles que falam da educação familiar, uma palavra surge, por exemplo: ninguém educa a não ser pelo exemplo. As teorias mais lindas podem ser repassadas aos nossos tutelados, mas sem exemplo, dificilmente conseguiremos aquilo que só sai de nossas bocas.

Adenáuer Novaes continua sua assertiva nos falando do Evangelho… que em família deve ser passado principalmente pelo exemplo. Quando verbalizado deve mostrar-se como lições imortais de amor, proferidas com suavidade e sem manipulações moralistas. Que adianta proferir palavras para convencer alguém de uma moral que ainda não se pratica?

Depois do exemplo vem o modo como nos comunicamos com nossos filhos. Os adjetivos que damos a eles em nossa convivência. Quanto mais os elogiarmos, sinceramente, mais tenderão a corresponder o que ouviram. É comum vermos pessoas bem sucedidas com um histórico de vida de muito estímulo por parte da família. E não estamos falando de sucesso financeiro, mas de pessoas bem resolvidas: bons profissionais, bons companheiros, pessoas de bem com a vida.

“Cada ser humano no convívio familiar deve aprender a vivenciar experiências que serão úteis em sua vida social. Deve buscar ser na sociedade o que é em família e vice-versa. Ausentar-se dela sob o pretexto de que é diferente dos demais com quem convive, é fugir do próprio destino e da oportunidade de crescer espiritualmente.” (Adenáuer Novaes)

Bibliografia

1. FRANCO, Divaldo Pereira. Estudos Espíritas. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. 9 ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira. 2011.
2. NOVAES, Adenáuer. Evangelho e Família. 2. ed. Salvador: Ba: Fundação Lar harmonia. 2004. p. 10-11
3. CALLIGARIS, Rodolfo. As leis Morais. 9 ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira. 2001. p. 30-31, 115

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