Crônica para um menino

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Era quase dezembro, mês das manjedouras, dos nascimentos e dos renascimentos. No fundo ele sabia, mesmo com o frio e com o desconforto da umidade, que não estaria sozinho. Decerto, não teria animais esquentando sua chegada, nem sentiria o feno, aquecido, embalando seu sono. Todavia, sentiu proteção. Na certeza de que uma fração de segundo é eterna. Um olhar fraterno, imortal. A benevolência impregnada no próprio ar que respirava. Ao apurarmos os sentidos, podemos ouvir as trombetas. Um pouco mais atentos, repararemos multidões de cuidadores ao seu redor.

Com certeza, Ele sabia, a notícia da sua chegada se espalharia pelos quatro cantos do mundo, com comentários de admiração nas mais distantes vilas e cidades. Homens paramentados, e também os mais simples, o ergueriam como herói de um tempo no qual são necessárias inspiração e singeleza para demolir o pessimismo, para eliminar a insensatez. Ele cumpria o seu papel com altivez, coragem e perseverança. Com a consciência de que o tempo que estaria entre nós poderia ser longo ou breve; repleto de episódios ou efêmero como a passagem de uma estrela. Sim, Ele era uma estrela que tocava o coração dos homens de bem; daqueles que tinham olhos de ver e ouvidos de ouvir. E até hoje aquele momento é lembrado como algo além da nossa compreensão, mas que nos emociona e nos oferece motivos para prosseguirmos. Confiantes e esperançosos.

(Crônica escrita pelo jornalista Manoel Fernandes Neto, editor dos boletins IVE, e do portal Nova Era, inspirada na imagem da Agência Estado, publicada no UOL e em notícia do G1. Se alguma imagem da esperança inspirou você, escreva, comente e envie para a redação do IVE: [email protected] )

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+ Manoel Fernandes Neto