Pesquisas sobre espiritualidade e saúde é pauta da jornada

Por Manoel Fernandes Neto

Dr. Walter Roque Teixeira, médico neurologista com atuação há 33 anos no Hospital Santa Isabel de Blumenau, deu prosseguimento à jornada do conhecimento falando de Medicina e Espiritualidade, deixando claro que os “Os cientistas já admitem que as práticas espirituais fazem bem à saúde!”

Entre os casos apresentados pelo médico, destacam-se:

– Estudo da Universidade de Ohio (EUA) com 798 pessoas mostrou que 85% delas gostariam de discutir sua fé com o médico, e 65% esperavam compreensão desse desejo.

– Pessoas que adotam práticas religiosas ou mantêm alguma espiritualidade apresentam 40% menos chance de sofrer de hipertensão, têm um sistema de defesa mais forte, são menos hospitalizadas, se recuperam mais rápido e tendem a sofrer menos de depressão quando se encontram debilitadas por enfermidades.

– O poder da compaixão e do perdão como efeito positivo sobre o sistema imune foi observado por McClelland et al (1998). Ele estudou 70 estudantes que foram assistir a um filme de madre Tereza de Calcutá e comparou com outros 62, que assistiram a um sobre o triunfo dos aliados na II Grande Guerra. Foram dosadas as imunoglobulinas A salivares (IgA) nos dois grupos. Os resultados mostraram que havia aumento significativo da IgA salivar nos estudantes que assistiram ao filme de madre Tereza em relação ao grupo que assistiu ao filme de guerra. Eles sugerem que há uma ativação positiva do sistema imune. Um segundo estudo feito, medindo-se os efeitos da visualização das curas de madre Tereza, mostrou aumento da IgA e regulação positiva do sistema imune.

– Os estudos comprovam que a religiosidade proporciona menos comportamentos autodestrutivos como suicídio, abuso de drogas e álcool, menos estresse e mais satisfação. A sensação de pertencer a um grupo social e compartilhar as dificuldades também contribuiria para manter o paciente amparado, com melhor qualidade de vida (Dr. Alexander Almeida, psiquiatra, Núcleo de Estudos de Problemas Espirituais e Religiosos do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP).

– Setores do sistema nervoso relacionados à percepção, à imunidade e às emoções são alteráveis por meio das crenças e significados atribuídos aos fatos, entre outros fatores!

– Pesquisa da USP verificou a saúde mental de 115 médiuns espíritas. Descobriu-se que a incidência de transtornos como ansiedade e depressão nessa população fica em torno de 8%, um percentual menor do que a estimativa encontrada na população em geral, de 15% de incidência.

Outro destaque da palestra diz respeito ao Brasil, ainda um pouco tímido em relação ao tema, enquanto em outros países o avanço é bem claro:

Jornal da Associação Médica Americana (JAMA): em 1994, apenas 17 faculdades americanas ofereciam cursos sobre medicina e espiritualidade.

Em 2004, já eram 84 instituições.

Em 2006, mais de uma centena entre as 141 FM dos EUA e do Canadá (70% obrigatórios!)
Ou seja, a necessidade de treinamento para integrar a espiritualidade nos cuidados aos pacientes parece começar a ser reconhecida na educação médica.

As religiões sempre foram parceiras da Medicina. Até meados do século XX, a maior parte do atendimento era feita por ordens religiosas, seja na Europa, seja nos EUA, seja na América latina, seja no Brasil, especificamente.

O custo crescente da Medicina levou muitas dessas instituições à falência, requerendo a chamada profissionalização, que nada mais é que tornar o negócio lucrativo!

Com o auditório lotado por 160 pessoas, o médico destacou os três aspectos do Espiritismo: Ciência, Filosofia e religião citando Allan Kardec em O Evangelho Segundo o Espiritismo.

O Espiritismo é a ciência nova que vem revelar aos homens, por meio de provas irrefutáveis, a existência e a natureza do mundo espiritual e as suas relações com o mundo corpóreo…(Paris, em 1864!)

Nas suas conclusões, Dr. Walter afirmou:

A experiência clínica mostra o valor do engajamento religioso como forma de qualidade de vida através de comportamentos sadios, estabilidade emocional e como mecanismo antiestresse. A fé deve exercer papel preponderante no tratamento das doenças, principalmente quando torna o paciente mais complacente à doença e ao tratamento medicamentoso, embora possa exercer efeito danoso à saúde, quando há suspensão do tratamento medicamentoso por conta de possível efeito mágico de uma bênção ou de uma oração.