Releitura: Que Mortos?

Marcelo Henrique |

Eis que chega, novamente, o dia de finados, repetindo o ritual dos cemitérios. O vai-e-vem das pessoas, em procissão, torna flagrante o desejo de saudade dos entes queridos que nos deixaram, e, lá no fundo, o sincero desejo de vê-los ou senti-los novamente… Na realidade, nossos amigos e parentes estão bem mais próximos de nós do que imaginamos, e, não-raro, nos acompanham no dia-a-dia, já que os laços não se desfazem com o apodrecimento da matéria. Os pretensos mortos estão bem vivos, e cada vez mais vivos. A morte é, como bem asseverou Camilo Castelo Branco, uma palavra convencional com que os homens explicam a passagem de sobre a terra para o seio de nova existência.Doutrinas espiritualistas e, em especial, o Espiritismo, apontam para a continuidade da vida e a manutenção dos vínculos fraternos, bem como dos créditos e débitos espirituais que mantemos com todos, e que nos credenciam (a todos) à volta à matéria para novos aprendizados.

Como os Espíritos (desencarnados) nos veem e sentem os mesmos sentimentos que nós outros, é de bom alvitre – neste dia, e em todos os demais, sempre e quando possível – que nossa mente e nosso coração se eleve em prece, para homenageá-los e expressar nosso carinho. Isto, sim, é salutar, e demonstra que há algo mais além da densa matéria que nos rodeia. Livres para irmos até o cemitério, ou, mesmo à distância, vibrarmos em favor de nossos “mortos”, mister se faz que tenhamos – mais claramente – a ideia de que eles vivem – tanto quanto nós – em outros planos, imateriais, que confirmam a essência da vida e o seu caráter espiritual.

Diz-se, por isso, que, com a morte física, o esgotamento dos órgãos físicos provoca dupla transformação: a da matéria, que, por leis naturais, é aproveitada pelo solo e por inúmeros organismos vivos, e a do espírito que, liberto das amarras corporais, desperta no Plano Maior, tomando consciência de sua imortalidade, realizando o “balanço” de sua existência e preparando-se para a continuação de sua trajetória, tanto no Mundo Espiritual, como nas “muitas moradas da Casa do Pai”, como asseverou Jesus de Nazaré.

 

Então, que mortos? Vivos, bem vivos, porque, em muitos casos, sentimos a sua presença e, com o auxílio de dons mediúnicos, nos comunicamos com eles. Então, até breve, queridos “falecidos”, porque, cedo ou tarde, estaremos todos de volta ao mesmo cenário. Seja aqui, na Terra de tantos aprendizados, seja no Plano Espiritual, nossa verdadeira pátria.


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+ Marcelo Henrique Pereira