A propaganda do Cartão VISA e a idéia da programação encarnatória

Marcelo Henrique Pereira, Mestre em Ciência Jurídica.

Assisti, com curiosidade, uma nova propaganda dos Cartões de Crédito VISA, que provoca reflexões interessantes. Nela, uma voz infantil apresenta duas pessoas: um homem e uma mulher, dizendo que eles serão, respectivamente, seu pai e sua mãe. Mas, curiosamente, a narradora diz que “Eles não sabem, ainda”.

As cenas vão evoluindo, apresentando situações de relativa proximidade entre os protagonistas, e a iminente aproximação. Tudo, em face da utilização do tal cartão, que paga refeições, cinema, viagens…

A cena final coloca ambos, lado a lado, em poltronas de um avião, dando a entender que “enfim”, o processo de aproximação entre tais seres e a possibilidade da geração de um filho (encarnação do Espírito) tornam-se evidentes.

O tema leva-nos a oportunas digressões, à luz do ensinamento espírita.

A primeira delas tem a ver com a lei das afinidades. Em diversos cenários da vida, a simples freqüência (estada) em um dado ambiente, favorece a aproximação, a conversa, a sintonia, o relacionamento. Isto porque, numa festa, num show, num evento comemorativo, ou, até, numa boate, estádio de futebol, cinema ou teatro, percebe-se uma (relativa) afinidade de gostos e preferências que favorece o início (ou não) de um diálogo e, havendo interesse de ambas as partes, a amizade ou o romance podem acontecer. É o que fica evidente na cena final, em que, convivendo por algum tempo (até horas, dependendo do percurso aéreo), aquelas pessoas irão – provavelmente – conversar e ampliar, por certo, o conhecimento interpessoal, em momentos futuros.

A segunda, direciona-se ao planejamento em si, e a perspectiva de aproximação entre seres “comprometidos”. Embora admitamos a idéia de que não existe um “determinismo” que prescreve quem serão aqueles seres que “forçosamente” participarão de nossas vidas, há um planejamento que significa, no mínimo, a proximidade de certos Espíritos em relação a nós, como os que convivem em nossas famílias, os amigos de nossos amigos, os vizinhos, os colegas de trabalho ou estudo, etc. Assim, a partir da proximidade física (“forçada” ou “apoiada” nas contingências dos eventos ou cenários em que estivermos), torna-se possível conhecer novas pessoas (novas, no sentido de que, antes, nesta vida, ainda não tínhamos travado com elas nenhum contato, de vez que, em variadas situações, são “velhos” amigos – ou inimigos – que se reencontram).

A terceira e última refere-se ao direito de escolha. Escolha de afazeres, ambientes, objetos, lugares, etc. Escolha decorrente de gostos, preferências. Quem vai a um show de determinado artista irá encontrar, invariavelmente, “outros” fãs ou admiradores do trabalho daquele profissional. Isto, por si só, já é elemento de afinidade, facilitando o intercâmbio. É comum dizer que as pessoas se completam, porque são diferentes entre si, e encontram – no outro – aquilo que “falta” em si mesmas. Mas, é impossível “ser diferente em tudo”, porque tal circunstância, se real, resultaria no completo distanciamento entre os seres. Senão, vejamos: um adora música clássica; o outro prefere música popular brasileira. Um adora futebol; a outra prefere balé clássico. Um é “caseiro”; a outra, “festeira”. Uma prefere a praia; o outro, o campo. E, assim, sucessivamente…

Por fim, quero mencionar a “idéia” espírita contida na fala da criança, que deseja reencarnar: “Eles não sabem, ainda”. Não sabem – conscientemente – porque o “véu do esquecimento do passado” não permite, em regra, que tenhamos detalhes dos planos pré-encarnatórios (admitamos, como exceção, as lembranças do passado em fenômenos de déjá-vu), de modo que sejamos inteiramente livres para as escolhas do presente.

Nosso destino, assim, está inteiramente em nossas mãos. Sempre!

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