Maria Helena Marcon fala da força do Brasil

Uma das mais destacadas trabalhadoras do movimento espírita, Maria Helena Marcon, atual presidente da Federação Espírita do Paraná, esteve em Blumenau no fim de junho participando de cursos e seminários direcionados a trabalhadores espíritas. Para Malena, como é carinhosamente chamada por amigos e amigas, o espírita tem a responsabilidade maior na disseminação da doutrina. Ele deve mostrar que a Doutrina dos Espíritos faz de bem para ele.”

Para Malena é grande a responsabilidade dos trabalhadores ao recepcionarem espíritos, encarnados e desencarnados, em uma Casa Espírita. “Nós temos que saber receber essas criaturas com muito carinho; ter muita paciência, dar as orientações, responder as perguntas, quaisquer que sejam; sempre em clima de fraternidade.”

Nesta entrevista, concedida com exclusividade para o site e o Informativo da Nova Era, Malena fala de mídia, movimento, amor e progresso e da responsabilidade do Brasil como irradiador do Movimento Espírita Mundial. “Se olharmos o panorama do Movimento Espírita Mundial vamos encontrar praticamente em quase todos os países, espíritas brasileiros. Não podemos esquecer que é um Movimento organizado a partir da espiritualidade.

Confira e dissemine a entrevista:

Informativo Nova Era Como está sendo sua experiência na presidência da Federação Espírita do Paraná?

Maria Helena Marcon – Não sou a primeira mulher ocupando a presidência numa federativa, sou a décima primeira, no momento. Verificamos que a medida que o tempo passa isso vai se tornando algo muito natural. Principalmente se verificarmos nas casas espíritas, vamos encontrar um maior numero de trabalhadoras. No entanto, quando chega a hora de ocupar alguns cargos, e essa mulher é convidada, ela mesma se diz “não capacitada” para isso.

Todavia, vemos na sociedade a mulher efetivamente vai ocupando seus espaços, não só nas casas espíritas, mas em todos os lugares. Na verdade, não devemos olhar se é mulher ou homem; o importante é termos a consciência de que somos todos espíritos, trabalhadores de Jesus, trabalhadores da Doutrina dos Espíritos procurando realizar o melhor.

INEComo você analisa a atitude da imprensa laica em relação ao Espiritismo?

Maria Helena Marcon – A Federação Espírita Brasileira tem uma assessoria de imprensa, composta por uma profissional contratada que está sempre alerta para dar todas as informações necessárias para a mídia, quando procurada. E o que sabemos é que eles têm sido procurados de uma forma bem constante e regular por muitas revistas.

Devemos entender o seguinte, especialmente quando falamos da matéria recente que ocupou a capa da revista Veja: foi a primeira vez que a publicação da editora Abril diminuiu o preconceito em relação a Doutrina Espírita, embora os erros doutrinários ainda estejam contidos.

Nessa matéria de capa, a assessoria de imprensa da FEB foi consultada e o que nós temos notícia é que deu todas as informações, como folders, volantes, e os esclarecimentos mais precisos da Doutrina dos Espíritos.

A revista Veja, nessa mesma oportunidade, entrevistou Divaldo Pereira Franco. Como entrevistou igualmente o presidente da FEB, Nestor Massoti, e nenhuma dessas entrevistas saíram na matéria. Por que? Porque é assim que é matéria jornalística. Eles colhem muita coisa e depois eles fazem uma filtragem dentro de uma determinada visão editorial que eles tenham. Nós não podemos esquecer que eles não são espíritas, eles são repórteres. Nem sabemos se tem alguma tendência religiosa ou não. Para eles fica muito difícil entender o que nós sabemos, o que nós falamos, o que nós apresentamos, o que nós mostramos. Eles não conseguem entender. Achamos, por este ângulo especialmente, que a revista Veja saiu com muita informação boa. Apesar de tudo.

INEE a atuação das Federativas em relação a isso?

As pessoas dizem que a FEB não se manifesta, que a Federativa não se manifesta, mas não é verdade. Mesmo na Federação Espírita do Paraná temos a experiência de sermos procurados pela mídia. Quando se trata de matérias escritas, damos todas as informações e normalmente saem coisas erradas na reportagem. Porque eles não sabem traduzir. Não podemos crer que isso seja má fé. Cremos que eles têm dificuldade de traduzir muito daquilo que colocamos para eles. Porque são conceitos muito claros para nós e para eles que, às vezes, nem conceito religioso algum possuem, se torna muito difícil. Se olharmos outras matérias que saem nessas mesmas revistas, em questões de ciência, física, medicina, observamos que têm os mesmos erros.

Quantas vezes nas seções “Cartas do Leitor” aparecem as pessoas se posicionando, como físicos, como médicos, que determinada informação estava errada. É o mesmo caso. Então o que a gente faz como espírita é se manifestar dizendo que tal e tal e tal estão equivocados. Para que eles nos ouçam. O que acontece, de um modo geral, é que temos muito poucos espíritas se manifestando.

INE –  Quais as responsabilidades dos espíritas, dos expositores, em relação à divulgação da Doutrina?

Maria Helena Marcon – Vejamos o espírito Erasto, no Evangelho Segundo o Espiritismo, quando ele fala todas as palavras do Cristo e diz: Ide e pregai. Ele diz exatamente a respeito da nossa grande responsabilidade. Não somente dos expositores espíritas, do evangelizador, do passista, mas de todo o trabalhador espírita, e espírita em geral, tem uma grande responsabilidade.

Em primeiro lugar, o espírita deve mostrar que Doutrina dos Espíritos faz de bem para ele. Por isso ele deve ser um cidadão correto, a pessoa nobre, o homem ajustado, buscar aquele homem de bem, que nos fala Allan Kardec. Quando somos expositores a responsabilidade cresce muito mais.

Por outro lado, na Casa Espírita devemos nos aparelhar enquanto trabalhadores porque nós até a pouco estávamos fazendo tudo muito empiricamente. No entanto, as pessoas já estão acostumadas a um determinado padrão. Quando elas vão a algum lugar elas querem que a coisa seja boa. Então devemos melhorar o nosso padrão de exposição doutrinária. É uma coisa imprescindível, para que falemos com propriedade. Não precisamos falar difícil. Precisamos falar de forma clara, precisa, ensinando da forma correta. Sem agredir ninguém e ocupando nosso espaço. Expositores ou não, é este o caminho.

INEFale-nos um pouco sobre as responsabilidades de uma Casa Espírita.

Maria Helena Marcon – Eu creio que já está dito nos próprios objetivos da Casa Espírita, no próprio estatuto da Casa Espírita, que é para o estudo e a prática da Doutrina e para o trabalho assistencial espírita. O primeiro objetivo é o estudo e a prática da Doutrina, pois nada mais que se realize terá objetividade. A Casa Espírita hoje deve ser realmente este foco de luz. Que os espíritos nos falam que ela é… Um foco de luz que acolha os necessitados do plano espiritual e toda a massa humana.

Nós estamos vivendo nesse mundo de transição, de provas e expiação, para um mundo de regeneração e enfrentamos problemas muito graves. As pessoas procuram a Casa Espírita em busca de consolo, esclarecimento; de um modo geral são pessoas que já bateram em muitas portas e não encontraram as respostas. Elas vêem a Doutrina dos Espíritos como uma ancora de salvação, às vezes como a ultima tábua de salvação. E o que nós devemos a elas é que não existe nada de miraculoso, que é tudo do esforço próprio; mas que Deus é amor; que Deus a tudo preside; que é esta a inteligência suprema; que nada está errado. Esse é o grande trabalho da Casa Espírita.

Por este motivo a Casa Espírita tem que estar bem aparelhada, a partir do trabalhador que recebe o visitante na porta, que deve saber receber bem as pessoas; saber dar as respostas corretas, sem preconceitos, sem se escandalizar com o que a pessoa procure, pois como essa pessoa não sabe o que é a Doutrina Espírita, ela pode vir em busca das coisas mais loucas que se passa pela sua cabeça. Em busca de soluções para as suas necessidades. Nós temos que saber receber essas criaturas com muito carinho; ter muita paciência, dar as orientações, responder as perguntas, quaisquer que sejam; sempre em clima de fraternidade.

INEO Movimento Espírita no Brasil é o maior do mundo. Fale-nos um pouco dele.

Maria Helena Marcon – Não podemos esquecer que tudo vem do mundo espiritual e sabemos que a árvore do evangelho foi transplantada da França para Brasil. O espiritismo surgiu na França, com muita pujança, mas não houve continuadores da obra. Por isso ele acabou murchando na França e foi transplantado pra cá e aqui floresceu.

E por isso temos que temos que trabalhar com as crianças e os jovens, que são os grandes continuadores da Doutrina. Na França quando morreram aqueles que estavam trabalhando, com exceção de alguns jovens como Delane, Léon Denis, acabou o espiritismo lá. Não houve uma continuidade.

Transplantada a árvore do Evangelho e da Doutrina Espírita para o Brasil aqui floresceu exatamente porque num programação espiritual os espíritos que aqui foram aportando já vinham com a missão de dar essa continuidade a propagação da Doutrina.

A partir do Brasil a Doutrina dos Espíritos irradia para o mundo. Se olharmos o panorama do Movimento Espírita Mundial vamos encontrar praticamente em quase todos os países, espíritas brasileiros. Dando origem aos pequenos grupos e depois se transformando em centros espíritas. Eles que conhecem Divaldo, conhecem Raul, e os levam aos seus países e assim as células vão crescendo.

Não podemos esquecer que é um Movimento organizado a partir da espiritualidade. Observem que em nenhum momento a Federação Espírita Brasileira resolveu formar pessoas, formar criaturas para que eventualmente fossem para esse ou aquele país para darem continuidade ao Movimento Espírita. Mas o mundo espiritual fez isso. Porque ele orienta as pessoas, que saem do nosso país e vão para aquele país, aquele outro e outro… Para trabalhos profissionais e outros motivos; para questões muito próprias e eles vão levando a mensagem e onde estão vão criando as células. Isso tudo é programado no mundo espiritual.

Recentemente encontramos com Nestor Mazotti, presidente da FEB. e nós perguntamos à ele como eram as reuniões do Conselho Espírita Internacional? Em que língua se falava? Ele respondeu que falam em português. Os representantes em quase todos os países são brasileiros.  Então quando falamos no nosso Movimento Espírita aqui no Brasil temos que dizer que ele vai bem, apesar de todas as dificuldades que se observam, uma serie de coisas que são inverdades circulando pela imprensa, os espíritas perdendo tempo com tolices ao invés de ocuparem espaço para falar o que é realmente a Doutrina Espírita aproveitar para dar o recado.

Além disso, nós temos observado que as Federativas têm se organizado mais, aumentando o numero de escolas de evangelização e germinando o interesse por envolver o jovem na Doutrina Espírita, tudo isso é muito positivo. Abrindo possibilidade da Doutrina Espírita ocupar espaço na mídia, implantando jornais, sites, um vez ou outra ter programa de rádio, TV; abrindo espaço na imprensa escrita leiga.

Se olharmos para o desenvolvimento da história do movimento, então podemos dizer que ele está bem. E pode ficar melhor e isso só depende de nós.

09.2004


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