Caridade material e caridade moral

Por Rose Mary Grebe

A caridade material, como sabemos é aquela que muitos de nós já aprendemos a fazer. Normalmente, oferecemos o que nos sobra; nos apiedamos daqueles que têm pouco; dos que passam fome; dos que não têm um teto. Esta caridade, em parte, conhecemos; embora muitas das vezes temos a necessidade de deixar sempre um "pedacinho da mão" para mostrar que somos nós que fizemos a caridade. Nós fizemos isto, mas muitas vezes não entendemos aqueles a quem estamos ajudando.

A propósito, no livro "Das Leis Morais", de Roque Jacinto, encontramos um alerta: " O homem quando se condena a pedir esmolas, estendendo a mão em busca de algum auxílio, com o tempo se degrada moral e fisicamente, embrutecendo-se."

Seria importante refletirmos um pouco sobre este tipo de pessoa, que muitas vezes nos bate à porta. Imaginemos :

– que humilhante ter que pedir;

– não ter onde dormir;

– buscar emprego e não conseguir, por falta de especialização, documentos, pela desconfiança que nós temos. É a situação de muitos retirantes, que vão tentar a vida em outro lugar e acabam nesta situação.

– isto acaba gerando, em muitas situações: o desânimo, vício, (álcool, roubo) embrutecimento;

– uma outra questão: às vezes o mais necessitado, pelo medo de sofrer a humilhação, não pede, sofre em silêncio;

Roque Jacinto, no mesmo livro também diz que a verdadeira caridade é sempre bondosa e benevolente e está tanto no ato da doação, como na maneira de fazê-la, já que tem um duplo valor quando feita com delicadeza. Foi por isso que Jesus alertou: "Que sua mão esquerda ignore o que faz a direita", ensinando-nos, assim, a não manchar com o orgulho o ato da caridade.

A sociedade deverá assegurar a existência daqueles que, por circunstâncias diversas não possam trabalhar, sem deixar-lhes a vida à mercê do acaso e da boa vontade de alguns. E quando falamos das riquezas, vale lembrar, devemos entender que ninguém recebe uma grande fortuna só para si.

A caridade moral

LE 886. Qual o verdadeiro sentido da palavra caridade?
Benevolência para com todos, indulgência para com as imperfeições alheias e perdão das ofensas.

Como é difícil sermos indulgentes e benevolentes para com as limitações alheias. Nós sempre achamos que os outros têm a obrigação de entender tudo o que queremos, tudo o que dizemos. Nos esquecemos de que somos colocados entre Espíritos mais evoluídos e menos evoluídos.

Por isso temos que entender que, do mesmo jeito que muitas vezes queremos que os outros tenham paciência conosco, porque não entendemos as coisas, nós também temos que ter a paciência, benevolência para com os outros.

Alerta-nos Roque Jacinto para a indulgência em relação aos defeitos dos nossos semelhantes, não acusando, desprezando, julgando. Mas, sempre que possível dando o exemplo, instruindo.

Muitas das vezes, aquilo que mais abominamos no outro, é um grande defeito nosso, que procuramos esconder de todas as maneiras.

Para fazermos a caridade moral precisamos estar muito atentos a nós mesmos, cuidando:

– não fazendo julgamentos;

– suportando, muitas vezes, as diferenças;

– sabendo ouvir, muitas vezes o que o outro precisa é só que alguém o escute;

– confortando nas horas difíceis, naquelas horas que somem todos; (amigos)

– dando o nosso abraço sincero;

– colocando-nos a disposição, oferecendo nosso tempo;

O dar de si é importante. Ou melhor: é a única coisa realmente nossa que podemos dar: a nossa disponibilidade em servir. Do resto somos usufrutuários.

Tudo isto é caridade. Também é caridade orarmos pelos que sofrem, pelos que estão em desespero, pelos que são nossos inimigos. De um jeito ou de outro, todos somos capazes de fazer caridade, desde que tenhamos a sinceridade e boa vontade em nossos corações.

A caridade é a viga mestra de todas as virtudes. Dela é que derivam outras virtudes que nos impulsionam à perfeição. Quanto mais secreta, mais valor terá..

Necessidade da caridade, segundo S. Paulo, não pode faltar em nossas reflexões:

Ainda quando eu falasse todas as línguas dos homens e língua dos próprios anjos, se eu não tiver caridade, serei como o bronze que soa e um címbalo que retine; – ainda quando tivesse o dom da profecia, que penetrasse todos os mistérios, e tivesse perfeita ciência de todas as coisas; ainda quando tivesse toda a fé possível, até o ponto de transportar montanhas, se não tiver caridade, nada sou. – E, quando houvesse distribuído os meus bens para alimentar os pobres e houvesse entregado meu corpo para ser queimado, se não tivesse caridade, tudo isso de nada me serviria.

A caridade é paciente; é branda e benfazeja; a caridade não é invejosa; não é temerária, nem precipitada; não se enche de orgulho; – não é desdenhosa; não cuida de seus interesses; não se agasta, nem se azeda com coisa alguma; não suspeita mal; não se rejubila com a injustiça, mas se rejubila com a verdade; tudo suporta, tudo crê, tudo espera, tudo sofre.

Agora, estas três virtudes: a fé, a esperança e a caridade permanecem; mas, dentre elas a mais excelente é a caridade. ( S. Paulo/ Epístola aos Coríntios. )

Caridade material e caridade Moral

" O homem quando se condena a pedir esmolas, estendendo a mão em busca de algum auxílio, com o tempo se degrada moral e fisicamente, embrutecendo-se."
JACINTO, Roque. Das Leis Morais.

– é humilhante ter que pedir;

–  não ter onde dormir;

– buscar emprego e não conseguir;

– isto acaba gerando, em muitas situações: o desânimo, vício, embrutecimento;

– às vezes, o mais necessitado, pelo medo de sofrer a humilhação, não pede, sofre em silêncio.

A sociedade deverá assegurar a existência daqueles que, por circunstâncias diversas não possam trabalhar, sem deixar-lhes a vida à mercê do acaso e da boa vontade de alguns.

LE 886. Benevolência para com todos, indulgência para com as imperfeições alheias e perdão das ofensas.

A caridade moral

– não julgar;

– suportar as diferenças;

– saber ouvir;

– confortar nas horas difíceis;

– dar um abraço sincero;

– colocar-se à disposição

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