“Eu penso…” , “ Eu acho…”

Por Luiz Cláudio de Pinho

Como livres pensadores, entendemos que toda pessoa tem o direito inalienável de esboçar suas idéias mesmo que não comunguemos com elas. Ademais, desde o início da vida terrena, quando o primeiro ser unicelular se elaborou, desenvolvendo estruturas como a NOTOCORDA que de passo em passo se transformou no sistema nervoso central cujo ator principal do show da vida neural é o CÉREBRO, órgão por onde se expressa o Espírito, foram milênios de “EVOLUÇÃO ANÍMICA” que não podem ser violentados.


Entretanto, em que pese todas essas condições inerentes ao Ser encarnado e o natural desejo humano em se mostrar apto a tecer pareceres variados, temas existem que não deveriam ser tão compulsivamente dissertados, pelo Homem comum por faltar a este, aquele sabor diferenciado próprio dos grandes e verdadeiros iniciados. Dentre estes temas que merecem cuidado nas opiniões estão os fatos e conceituações espíritas, que exaustivamente já foram pesquisados por Kardec e reafirmados por muitos e verdadeiros espíritos de escol,tais como: Vianna,Joanna,Emmanuel,Bezerra, Sayão etc.


Infelizmente, pulula no meio espírita, sobretudo entre pessoas ainda não muito afeitas ao estudo profundo da matéria, ou ainda prenhes de experiências nas “coisas do espírito” e que, por isso se deixam levar pela compulsão em demonstrar conhecimentos que ainda não possuem ,estando quase sempre em discordância com os princípios doutrinários da codificação. Pior ainda, quando estes confrades bem intencionados,porém, invigilantes, sobem as tribunas espíritas, seja na condição de oradores ou dirigentes e sapecam os tais: “eu acho”,” eu penso”,” o espírito me disse” ,num provável personalismo exclusivista criando no neófito a sensação de que aquilo que está sendo dito foi pronunciado pelo ESPÍRITO VERDADE ou ,na pior das hipóteses, por Allan Kardec.


Evidentemente, não defendemos aqui a cimentação do conhecimento, tampouco a pequenez oriunda da mera repetição de tópicos doutrinários, mas somos contrários às constantes interpretações daquilo que já foi interpretado, fato que historicamente foi comum entre os adeptos de Jerônimo, o bispo responsável pela medonha VULGATA LATINA, que interpretou que seria melhor divulgar os evangelhos ditos canônicos, em detrimento dos textos de TOMÉ DE TOLEMAÍDA, de MAGDALA, de BARTIMEU, o CÓDIGO DE VERCELLI, etc. classificando-os de textos apócrifos.


Evitemos então não apenas os subjetivismos de análises que podem incorrer em erros diante do que já está bem descrito e bem estudado, como também esta mania de descrever em público experiências pessoais e “casinhos” cridos interessantes e que nada mais são que desejo ataviado de exercer, equivocadamente, admiração pública adicionada ao domínio místico tão comum aos “santos padres” que retornam a luta reencarnatória .


Luiz Cláudio de Pinho é médico, teodiceu, parapsicólogo, estudioso da física quântica, expositor e médium espírita e articulista de: Luz do Evangelho, Grupo Fraternal de Espiritismo, Jornal Espírita a Palavra, Mocidade Floripa , Boletim Europa (CEI), EsperantusKiev, O Mensageiro, Revista Universo Espírita,CVDEE, Spiritist Group of New York.

    


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