Portador de Necessidades Educacionais Especiais (PNEE)

Rose Mary Grebe   

Em todo o território nacional se comemora de 21 a 28 de agosto a Semana do Portador de Deficiência Intelectual e Múltipla. As comemorações maiores acontecem na APAEs, inclusive com eventos abertos ao público.

Mas vamos ver como e deficiência foi vista através dos tempos, salientando que os problemas sociais que a envolveram muito pouco foram falados ou descritos.

Estudiosos concluem que na época do nomadismo, as tribos, embora com exceções, por questão de sobrevivência se desfaziam de todos os que nascessem com deficiências. Mais tarde, por volta de 5.000 a.C, evidências arqueológicas demonstram que no Egito a pessoa com deficiência se integrava nas diferentes classes sociais. (faraó, nobres, altos funcionários, artesãos, dançarinos, músicos, agricultores, escravos)

A concepção de que a deficiência era um sinal de desarmonia ou obra de maus espíritos acompanhou o homem por quase toda a história. Para os Hebreus, por exemplo, toda deficiência, doença física ou qualquer deformação corporal significava impureza ou pecado.

O homem de qualquer família de tua linhagem que tiver deformidade corporal, não oferecerá pães ao seu Deus, nem se aproximará de seu Mistério; se for cego, se cocho, se tiver nariz pequeno ou grande, ou torcido; se tiver pé quebrado ou a mão; se for corcunda. (Moises)

Já por volta do século XII, se observavam dois tipos de atitudes: a de aceitação e tolerância e a de menosprezo e destruição, neste caso por acreditarem que as pessoas portadoras de deficiência eram acometidas de possessão demoníaca, ou estavam sob os desígnios de Deus purgando pecados dos semelhantes.

Um pouco mais a frente, sec. XIV a XVI, no período renascentista, se difundiu na Europa o valor do homem, com a pesquisa renovada, trazendo grandes avanços para a reabilitação das pessoas com deficiência. A ignorância começava a ser vencida.
E estamos caminhando, no sec. XXI , com passos um pouco mais largos.

Quem, nos dias atuais imagina esconder um filho, não lhe dar todas as oportunidades possíveis? Quem, nos dias atuais desconhece a palavra INCLUSÃO ESCOLAR?

Mas tudo isto já foi uma grande luta, muita gente viveu trancada em verdadeiras gaiolas, muitos foram enviados para instituições apropriadas, muitos não tiveram a chance de ir um pouco além de mexer os olhos e gritar.

Quem não sabe ou enfrentou a frase: “se este retardado ficar nesta escola, atrapalhando, eu tiro o meu”.

Uma grande conquista mundial foi a Declaração de Salamanca, 1994, sobre as políticas e práticas na área das necessidades educacionais especiais. Muitas leis existem, nossa própria constituição diz no seu Art. 5º .

Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes.

O que precisamos entender é que a evolução não dá saltos. Muitas conquistas foram feitas, muitas leis vão avançando neste processo.

Os dados entre os anos 80/90 sobre a deficiência nos apontavam para 10% da população.

Em 2000 este índice era 14,3%.

Segundo resultados divulgados pelo IBGE, do Censo 2010, o País possui 23,91% de pessoas com alguma deficiência. (45,6 milhões)

Estes dados são importantes para que haja uma conscientização das pessoas, não apenas o governo, mas todos podemos ajudar. O problema da deficiência não é do meu vizinho, é meu também.

Quem são os PNEE ? Segundo o Livro Dos Espíritos

371 A opinião de que os deficientes mentais teriam uma alma inferior tem fundamento? – Não. Eles têm uma alma humana, muitas vezes mais inteligente do que pensais, que sofre da insuficiência dos meios que tem para se manifestar, assim como o mudo sofre por não poder falar.

372 Qual o objetivo da Providência ao criar seres infelizes como os loucos e os deficientes mentais? – São Espíritos em punição que habitam corpos deficientes. Esses Espíritos sofrem com o constrangimento que experimentam e com a dificuldade que têm de se manifestarem por meio de órgãos não desenvolvidos ou desarranjados.

373.a O corpo de um deficiente mental pode, assim, abrigar um Espírito que teria animado um homem de gênio em uma existência precedente? – Sim. A genialidade torna-se às vezes um flagelo quando dela se abusa.

374 O deficiente mental, no estado de Espírito, tem consciência de seu estado mental? – Sim, muito freqüentemente; ele compreende que as correntes que impedem seu vôo são uma prova e uma expiação.

Nós temos inúmeros relatos em comunicação mediúnica de Espíritos portadores de alguma deficiência que contam como viveram sem se revoltar. Falam sobre os seus amigos espirituais que os levavam a lugares bonitos e lhes explicavam o porquê se serem deste jeito. Eles têm a noção exata dos erros do passado, sabem portanto o motivo da expiação. Normalmente estes, quando se comunicam, já sabem que não estão mais no corpo físico.

A autora Dora Incontri, no livro A Educação Segundo o Espiritismo, quando aborda a deficiência mental, fala das causas físicas para estas deficiências: genéticas, lesões cerebrais, conseqüência de algum distúrbio psíquico. Mas em qualquer situação “… trata-se da incapacidade momentânea de manifestação do Espírito e não uma incapacidade intrínseca da alma encarnada.” ( p.39. Dora Incontri)

O nascimento destas crianças só pode ser explicado pela lei da reencarnação. As deficiências mentais e físicas são sempre resultado de processos cármicos, cujas origens desconhecemos. E não importa o que gerou a anomalia, importa ajudar para que esta encarnação possa ser proveitosa.

Como ajudar este espírito para ter a encarnação proveitosa?

Só pela educação.

Quando recebemos uma criança PNEE na família temos dois caminhos:

· Deixá-lo sobreviver até quando Deus quiser…

· Arregaçar as mangas e ir atrás das possibilidades.

Vamos falar do segundo caso, e dizer que, por mais crítica que possa ser a situação, por mais que nos digam para desistir, ali está um Espírito que precisa evoluir, por isso ele veio. É bastante nítido o avanço das crianças que são amadas e estimuladas.

Pestalozzi, o grande mestre de Kardec, se preocupava com o aspecto global e equilibrado da educação, acreditando nesta tríade de posturas: educar o coração, a cabeça e as mãos. (Dora Incontri p.49)

Acreditava ele que se devesse fazer brotar o amor a Deus e ao próximo, desenvolver aspectos cognitivos (sem entupir a memória) estimular as atividades manuais e o trabalho em geral.

E tudo isto, nas devidas proporções, podemos proporcionar ao nosso PNEE.

O que se espera dos pais?

• Apoio: nas conquistas, nos desafios, auto-estima.

• Incentivo ao filho: às responsabilidades, trabalhos, atividades de vida diária;

• Parceria com a escola: sendo participativo;

• Paciência nas dificuldades: cada filho tem suas necessidades específicas, tem seu ritmo próprio, cada um é um ser único, respeitar as limitações;

Seu filho fará parte da escola por um tempo: um ano, dois anos, mas será seu filho por toda vida.

Bibliografia

1. Girolano, Nancy Puhlmann di. O Castelo das Aves Feridas. São Paulo. SP: Núcleo Espírita Caminheiros do Bem.

2. Girolano, Nancy Puhlmann di. As Aves Feridas na Terra Voam. 3 ed. São Paulo. SP: Núcleo Espírita Caminheiros do Bem. 1988.

3. INCONTRI, Dora. A Eduação Segundo o Espiritismo. 5 ed.Bragança Paulista. SP: Editora Comenius. 2003.

4. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 76.ed. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 1995.

Anotações das palestras nos dias 16/08 e 20/08 de 2012, na Nova Era.

 


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